Novas tecnologias serão capazes de consertar o problema crônico da mobilidade no Brasil? - WHOW
Tecnologia

Novas tecnologias serão capazes de consertar o problema crônico da mobilidade no Brasil?

Diretor da Rappi defende que “todos os países latino-americanos vão vivenciar boom gigantesco de inovação. Mas será suficiente para resolver um problema que se arrasta há séculos?

POR Leonardo Guimarães | 24/07/2019 16h26 Novas tecnologias serão capazes de consertar o problema crônico da mobilidade no Brasil?

*Fotos Rafael Canuto e Unsplash

As cidades brasileiras cresceram sem respeitar padrão algum que contemple o crescimento da população depois de séculos. Com uma infraestrutura que privilegia carros, que já são mais de 43 milhões por aqui, o Brasil vê aplicativos como o Rappi transformarem rapidamente o jeito como as pessoas compram e a Venuxx, que muda o jeito como as mulheres se deslocam.

 43 milhões de carros nas ruas

O problema já está bem desenhado na cabeça de qualquer brasileiro e não está apenas em grandes centros. Experimente depender por uma semana do sistema de ônibus no interior de qualquer estado para perceber como o transporte público e a mobilidade em geral é um problema enorme.

A questão é: como cidades que se desenvolveram sem qualquer tipo de planejamento podem ser transformadas? Afinal, mobilidade vai além – muito além – dos carros e engloba pessoas com mobilidade reduzida e as novas plataformas que dão nova cara para modais antigos, como bicicletas e patinetes. Este tema foi debatido no Whow! Festival de Inovação em painel mediado por Carlos Mira, fundador e CEO da TruckPad, startup que conecta caminhões a cargas.

O que pensam grandes players

A Rappi, colombiana que criou um superapp, tem autoridade no assunto. Seu head de marketing e crescimento, Fernando Vilela, pensa que é necessário criar mais micropolos, como espaços de coworking para organizar as grandes cidades. “É preciso redesenhar a cidade sem o mindset antigo de ter uma estrutura física para tudo. A tecnologia vai encontrando meios baratos para entregar aquela necessidade”, diz Vilela.

“É preciso redesenhar a cidade sem o mindset antigo de ter uma estrutura física para tudo”

Fernando Vilela, Head de Marketing da Rappi

Um dos grandes trunfos das empresas de tecnologia são os dados que coletam. E esses dados podem ajudar – e muito – no planejamento de qualquer cidade. É nisso que aposta a Movida. A empresa aluga carros, bicicletas e até triciclos para auxiliar os consumidores em momentos diferentes de sua jornada.

“Levamos as pessoas do ponto A ao B com o que tiver melhor em termos de mobilidade”, explica Miguel Alcantara, Diretor de Tecnologia e Inovação da Movida, que defende que não trabalha em uma empresa de aluguel de carros, e sim de mobilidade.

Se entender quais são as necessidades dos consumidores é ponto fundamental para sobrevivência de qualquer negócio, entender como os cidadãos se deslocam e como querem ir do tal ponto A ao B é crucial para o planejamento urbano de qualquer município. “O segredo da tecnologia é dar o modal adequado com métodos de pagamento mais simples”, diz Alcantara.

xx2Mobilidade também é pensar em quem usa aplicativos de carona “com os dois pés atrás”: as mulheres. Não é novidade que o risco para elas é muito maior que o assumido pelo outro gênero. Por isso, a Venuxx criou um aplicativo de carona onde as mulheres dirigem e apenas elas podem pegar carona. “Cada empresa olha um elo, uma parte do processo, e esse é o nosso”, diz Gabrielle Jaquier, COO da Venuxx.

Jaquier segue a mesma linha de Alcantara e acredita no poder dos dados. “As empresas precisam se conectar mais, trazer os dados para ajudar umas às outras”, defende a executiva.

Regulamentação

Não existe mudança em todo o cenário da mobilidade de uma cidade ou estado sem a participação do poder público. Os órgãos reguladores têm poder para facilitar a geração de novas soluções e democratização da mobilidade ou impor regras que atrasem a inovação.

Por isso, o processo de regulamentação é importante, mas faz parte de um acordo com as empresas, segundo Gabrielle. “Todos os lados precisam ceder um pouco e se complementar nessa jornada”. Ao mesmo tempo, ela defende que “a regulamentação não pode ser muito restritiva” e se o Estado não fizer sua parte “as empresas vão resolver sozinhas essa questão”.

Vilela, da Rappi, afirma que os órgãos públicos têm dificuldade em inovar, mas pensa que as empresas não podem perder o contato com o Estado. “O bussiness não pode ficar distante do órgão regulador, porque, a partir do momento que isso acontece, cria-se um conflito”, diz.

Boom de inovação

Para essas três empresas, Rappi, Venuxx e Movida, as perspectivas são animadoras para o Brasil.

“A América Latina sempre foi o patinho feio do globo. Os investimentos sempre foram para outros locais. Viver aqui é difícil, temos países e cidades problemáticas, o que fez com que vários empreendedores inovassem. Só que o empreendedor precisa de capital e até então ele não tinha, mas agora vemos fundos como o do SoftBank”, diz Vilela. “Todos os países latino-americanos vão vivenciar um boom gigantesco de inovação”, completa.

“Todos os países latino-americanos vão vivenciar um boom gigantesco de inovação”

Fernando Vilela, Head de Marketing da Rappi


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