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Tecnologia

Conheça as novas tecnologias na indústria e a posição do Brasil

Automação caminha a todo vapor no setor da indústria e exige do País investimento em novas profissões, conhecimento e competências, segundo especialistas

POR Raphael Coraccini | 27/02/2020 13h25 Foto ilustrativa (Shutterstock) Foto ilustrativa (Shutterstock)

Em 2016, durante abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, o fundadpr, Klaus Schwab, disse que estávamos à beira de uma mudança profunda na maneira como vivemos. Por conta, principalmente, do aprofundamento da automação dos processos de produção. Apesar da perda de relevância da indústria no Ocidente, o momento da indústria ainda não passou. Ela concentra parte cada vez mais relevante da sua cadeia no Oriente e tem trocado postos de trabalho de chão de fábrica por gerenciais.

O sociólogo espanhol Manuel Castells, professor emérito da Universidade da Califórnia e um dos maiores especialistas sobre o impacto da tecnologia na produção, aponta que não existe ainda uma sociedade pós-industrial, o que está em andamento é uma indústria informacional, ou seja, movida a robôs e dados.

Robôs

A automação se intensificou nos últimos anos e o número de robôs em fábricas cresce pelo mundo. Em 2018, a venda de robôs industriais bateu o recorde de 16,5 bilhões de dólares em faturamento. Foram mais de 420 mil unidades vendidas. Os números são do relatório da World Robotics, que prevê ainda uma média de 12% de aumento por ano até 2022.

No Brasil, os robôs ainda são subutilizados, um dos motivos é a mão de obra barata, que não incentiva as empresas a otimizarem seus processos de produção. Mas essa característica nacional pode custar caro nesse novo momento da economia, muito mais adepta às novas tecnologias.

Novas tecnologias

A Agência Brasileira de Desenvolvimento (ABDI) aponta que, nos próximos 10 anos, apenas 15% das indústrias brasileiras deverão estar totalmente inseridas na Indústria 4.0.

Robôs autônomos

Simulação

Sistemas de integração horizontais e verticais

Internet das Coisas

Cibersegurança

Nuvem

Realidade aumentada

Big data e analytics

Impressão 3-D

Fonte: BCG – Industry 4.0

Educação voltada para a indústria

A professora de pós-graduação da PUC-SP, Noêmia Lazzareschi, especializada na área de Indústria e Sociologia do Trabalho, aponta que, apesar do Brasil ser um País pautado, principalmente, nos serviços, precisa apostar na educação voltada para a indústria se quiser se modernizar.

“A possibilidade de melhora na condição da indústria brasileira está diretamente relacionada à educação. Se não formos capazes de inovar, de lidar com as novas tecnologias e de gerenciamento de processo de trabalho será impossível sobreviver e vemos depender cada vez mais da agroindústria”

Noêmia Lazzareschi, professora de pós-graduação da PUC-SP

A professora trabalhou no desenvolvimento de cursos do Pronatec (programa de cursos profissionalizantes), e ressaltou a dificuldade de desenvolver mão de obra qualificada mesmo para indústrias de baixa tecnologia porque a formação insuficiente vem do ensino básico. “A indústria mundial está se modernizando e isso quer dizer que vai haver a exclusão de alguns postos de trabalho. Você vai precisar de gente muito qualificada, e não só em TI, é gente capaz de propor, de entender resultado de trabalho, de colocar dados em combinação para trazer ideias e soluções. E isso só se faz com gente altamente competente”, avalia.

Para ela, a evolução da indústria nacional para o século 21 precisa também pensar no novo. “Não se pode ficar o tempo inteiro produzindo a mesma coisa, tem que inovar continuadamente, você precisa de inovação e para ser inovador na indústria tem que ter a capacidade de lançar moda ou de segui-la rapidamente. Neste momento a nossa indústria não consegue nem lançar moda nem seguir, aí ela vai acabar se rendendo à decadência”, alerta.

indústria Foto ilustrativa (Pexels)

April Rinne, especialista em nova economia e futuro do trabalho, e mestre em Negócios Internacionais pela The Fletcher School, da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, avalia que o Brasil deve abrir suas portas para trabalhadores de outras partes do mundo para dar mais vigor à sua indústria.

“O futuro do Brasil dependerá, em parte, de como ele se posiciona globalmente e vis-à-vis em relação a outros países, incluindo mudanças que estimulem habilidades digitais e facilidade de fazer um trabalho sem fronteiras”

April Rinne, especialista em nova economia e futuro do trabalho, para a revista da Indústria, da Confederação Nacional das Indústrias (CNI)

Ezequiel Zylberberg, pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT), especializado em política industrial, aponta que o Brasil precisa também integrar suas indústrias à cadeia mundial de produção para desenvolver tecnologias sob demanda. Ele cita como caso exemplar a Embraer, uma das empresas mais internacionalizadas do mundo e referência na produção de aeronaves. “Esses setores estratégicos precisam ser apoiados, mas de forma diferente, engajados na economia global. A Embraer é a exceção não é a regra. Se o Brasil quiser escalar, tem que olhar além (do mercado interno)”, falou em evento, no Brasil no ano passado sobre o futuro da indústria.


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