Do básico ao avançado: entenda como funcionam as novas tecnologias - WHOW
Tecnologia

Do básico ao avançado: entenda como funcionam as novas tecnologias

Alessandra Montini, especialista com 27 anos de trajetória nas áreas de Data Mining, Big Data, IA e Analytics, participou de live do Whow!

POR Melissa Lulio | 23/07/2020 20h45

Quem vive o ambiente de inovação, pesquisa o tema ou deseja ter uma empresa orientada por dados sabe que existem cada vez mais novas tecnologias que precisam ser conhecidas, utilizadas e dominadas por empreendedores e executivos – seja de grande, seja de pequena empresa. Por isso, o Whow! realizou uma live focada em responder algumas dúvidas elementares. Big Data, Cloud Computing, e Inteligência Artificial (IA) foram alguns dos temas explicados pela Alessandra Montini, que é professora e coordenadora de MBA da FIA Business School, doutora em Administração e Contabilidade pela USP, diretora do Laboratório de Análise de Dados na FIA Business School e tem 27 anos de trajetória nas áreas de Data Mining, Big Data, IA e Analytics.

Logo no início da conversa ela eliminou uma dúvida que tende a passar ao menos uma vez na vida pela cabeça das pessoas que vivem na área de tecnologia: o que é Big Data? De acordo com Alessandra, é muito mais do que um software, uma planilha ou um banco de dados. “O Big Data não foi criado para processar dados estruturados – afinal, esses já estão organizados”, diz. “Ele é mais usado quando os dados não são são estruturados, ou seja, são imagem, som e texto puros”.

Aplicando tecnologias

Um exemplo disso é uma realidade (esperada para o futuro) em que o consumidor terá uma casa conectada que capturará informações a todo tempo que poderão ser estruturadas facilitando o cotidiano. Outra possibilidade é a aplicação em contextos de trabalho – e, de acordo com a especialista, o Big Data pode ser usado em todas as profissões. Como exemplo, ela menciona que será possível que uma voz perceba e interprete a fala de um paciente internado, esclarecendo dúvidas sobre o ambiente onde ele está, permitindo que os profissionais de saúde fiquem focados no que é mais urgente para eles.

O ambiente hoje é muito propício para as novas tecnologias, especialmente para o Big Data, porque há muitos dados em circulação, é barato processá-los e é possível guardá-los. Para isso, Alessandra afirma que muitas vezes é necessário possuir máquinas com processadores que vão além daqueles que estão no dia a dia da empresa e que ficam em qualquer lugar do mundo e podem ser acessados a qualquer momento – ou seja, usar a computação em nuvem. Com isso, terceirizam-se preocupações relacionadas a necessidade de cuidado dos hardwares.

Segurança e ética

Apesar de a visão técnica ocupar grande parte dos conteúdos sobre IA e dados, é fato que, cada vez mais, é preciso olhar para a segurança e a ética que envolvem o tema. Como explica a professora da FIA Business School, a partir da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), os dados só poderão ser armazenados e analisados com a autorização do consumidor, ou com alguma justificativa que se encaixa nas bases legais da Lei. Como ela explica, a empresa tem o direito de coletar as informações necessárias para a prestação de um serviço e, uma vez terminada aquela relação pontual com o cliente, deve deletar os dados – a menos que o consumidor a autorize a guardá-los.

Ao mesmo tempo, há a questão da ética: para que um robô funcione, é essencial que ele seja programado por um humano. Portanto, sua conduta depende do perfil de quem o treinou. “Cabe ao ser humano que educa um robô pensar se o seu trabalho pode ser usado para prejudicar alguém”, diz.

Orientado por dados

Uma vez treinada da maneira correta, a IA passa a ser uma grande oportunidade: ela pode garantir a segurança e o bem-estar do consumidor a maior parte do tempo, tornar empresas mais eficientes e, de fato, gerar inteligência e entregar insights. Porém, é preciso também saber sobreviver sem ela. Por isso, a especialista destaca: “não compre nada de uma empresa que não é minimamente orientada a dados e, ao mesmo tempo, não se torne totalmente dependente da tecnologia”.

Do lado de quem gere as empresas, então, fica a necessidade de ser orientado a dados. Mas como isso é possível? Alessandra diz que o primeiro ponto é conscientizar todos os colaboradores (todos mesmo) sobre a importância de registrar tudo o que acontece no ambiente da empresa. Todos os dados têm que estar no computador. Além disso, o ideal é começar devagar: conhecendo o que existe entre as tecnologias, entendendo o que há de mais simples em estatística, sabendo como é possível aplicar o projeto na empresa. “Ver que o projeto funciona motivará as pessoas”, garante.

Mitos e verdades, segundo Alessandra Montini

Big Data, IA, machine learning são tecnologias e conhecimentos que apenas engenheiros e cientistas de dados podem trabalhar
MITO – Todos podem usar essas tecnologias. Não há quem seja incapaz de aprender. Na pior das hipóteses, há quem não saiba ensinar;

Novas tecnologias permitem a entrega de produtos e serviços personalizados aos consumidores
VERDADE – Com uma bom uso dos dados, todos os serviços e produtos poderão ser individualizados;

Novas tecnologias são a única forma de criar inovações
MITO – Alessandra diz que, em sua visão, a única boa maneira de inovar é pelo uso de dados, mas, reconhece que existem outras visões entre os especialistas;

Cloud computing será uma das principais tecnologias propulsoras para o crescimento das empresas
VERDADE – Essa é uma tecnologia essencial porque reúne todas as tecnologias para o processo de uso de dados – desde o armazenamento até a interpretação. Além disso, todos os negócios podem ter acesso a ela, tanto uma banca de jornal quanto grandes empresas.


+ NOTICIAS

A educação para os alunos do futuro
Robôs colaborativos: como eles podem ajudar?
4 setores dentro da saúde que se destacaram no começo do ano