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Novas iniciativas de inovação aberta no Brasil

Três ações reúnem grandes empresas e startups em busca de soluções para as demandas atuais do consumidor e do meio ambiente

POR Adriana Fonseca | 27/11/2020 15h45 Novas iniciativas de inovação aberta no Brasil Imagem: Freepik

O termo inovação aberta (ou open innovation, em inglês) se tornou comum entre as grandes empresas. É, nada mais, que um modelo de trabalho seguido por elas para inovar, e se refere a uma situação em que uma organização não confia apenas em seus próprios conhecimentos internos, fontes e recursos  como sua própria equipe de P&D, por exemplo  para gerar inovação de produtos, serviços, modelos de negócios, processos, etc. Por isso, no modelo de open innovation, a empresa usa diferentes fontes externas para impulsionar a inovação, como parcerias com startups e universidades.

Conheça, abaixo, algumas ações atuais de inovação aberta no Brasil.

Família Schurmann e Spin

O uso em larga escala do plástico está causando sérios danos ao meio ambiente e se tornou a principal fonte mundial de poluição nos oceanos. Com a necessidade urgente por soluções, a aceleradora de startups Spin e a Família Schurmann estão unindo esforços em uma jornada global para identificar e selecionar startups inovadoras que buscam solucionar esse desafio e, assim, mudar esse preocupante cenário.

Entre todos os inscritos globalmente, 1,5 mil deverão ser selecionados para o processo classificatório. Os melhores terão a oportunidade de conectar as soluções com demandas de indústrias, passar por aceleração e receber investimento para impulsionar as iniciativas. O objetivo é acelerar a adoção e implantação de soluções inovadoras e sustentáveis nas indústrias ligadas à cadeia de valor do plástico.

O programa de inovação aberta no Brasil, “Voz dos Oceanos”, conta com o apoio institucional do Pacto Global da ONU Meio Ambiente e também da Abiplast (Associação Brasileira de Indústria de Plásticos). 

Leroy Merlin e Danone

inovação aberta Imagem: Pexels

Duas empresas de segmentos distintos, varejo de materiais de construção e indústria de alimentos, se uniram em uma estratégia de inovação aberta com o objetivo de promover o consumo consciente associado a reutilização de resíduos da cadeia de produção das duas companhias. 

Assim surgiu a ideia do desafio “Inovadoria: parcerias que fazem as ideias circularem”. A partir de conversas entre os times de sustentabilidade e inovação das duas empresas chegou-se ao objetivo do projeto: dar uma segunda vida à determinados tipos de plástico comumente usados em embalagens, buscando mitigar o impacto desses componentes no meio ambiente.

A circularidade propõe uma mudança em toda a maneira de consumir, do design dos produtos até a relação com as matérias-primas e resíduos. 

As duas multinacionais, junto com a WaM (Worth a Million), empresa aceleradora de inovação corporativa, selecionaram 10 startups para esse desafio: Boomera, Ecoplanplas, Triciclo, Instituto Muda, Minha Coleta, Trashin, Residuall, Yougreen, Greening Hub e MadTech.

Ao longo de quatro etapas  webinar, apresentação dos pitches das startups, escolha das finalistas e desenvolvimento do produto , as empresas selecionadas terão a meta de transformar, a partir das embalagens plásticas descartadas da Danone, um produto circular e sustentável que será retornado ao mercado para comercialização nas lojas Leroy Merlin Brasil.

A vencedora vai receber uma bolsa-investimento de R$ 50 mil. 

“O ‘cross industry innovation’ é um passo além na inovação corporativa”, pontua Rodrigo Spillere, gerente de inovação da Leroy Merlin Brasil. “Imagine que no ‘open innovation’ utilizamos startups para gerar uma mudança cultural nas corporações. Isso geralmente acontece do menor para o maior. Agora imagine as mudanças significativas que a junção de grandes corporações privadas poderiam causar no país e no mundo?”

VTEX

A plataforma de e-commerce e marketplace anunciou neste mês de novembro seus novos programas de aceleração para startups e profissionais: “Accelerator e Incubator”. São ações voltadas para o desenvolvimento dos mercados globais de e-commerce, com ênfase na colaboração.

O “Incubator Program” tem duração de seis meses e está aberto para startups que já atuam há um semestre e que possuam um plano de negócios ou um Produto Viável Mínimo (MVP) de sua solução inovadora. Ele busca acelerar ideias de e-commerce de forma tangível e estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento das soluções propostas.

Já o Accelerator Program, com duração de quatro meses, é voltado as startups com seis a doze meses de fundação e que já tenham materializado suas ideias em um MVP ou em uma primeira versão da solução. 

Três startups serão selecionadas para participar de cada um dos programas, e as atividades começam em 21 de dezembro. Cada startup receberá um aporte (equity-free) de US$ 10 mil, acesso a investidores-anjos, grandes eventos de e-commerce, espaços de coworking e às ferramentas da VTEX, além de mentoria especializada e bolsas de estudo financiadas.

Os programas de aceleração da VTEX incluem ainda um Talent Program, voltado para profissionais que desejam se tornar especialistas em comércio digital e seguir uma carreira na área. Com bolsas de estudo, cursos e eventos exclusivos à sua disposição, os participantes poderão atualizar seus conhecimentos. 

“Estamos comprometidos em ampliar os horizontes da nossa empresa, buscando continuamente as melhores soluções tecnológicas que existem ou que ainda não existem. Esses programas ajudarão mentes ousadas, e depois as acolherão na VTEX, um lugar onde a inovação acontece. Mais importante, porém, é que ao conectar e estimular mentes brilhantes, buscamos fomentar a colaboração, um elemento essencial para a sobrevivência atual e futura dos negócios de comércio em todos os lugares”, comenta Marcos Pueyrredón, vice-presidente global da VTEX.


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