No-Code e Low-Code: programação sem código ajuda empresas - WHOW

Tecnologia

No-Code e Low-Code: programação sem código ajuda empresas

Ao mesmo tempo que faltam desenvolvedores no mercado de trabalho, plataformas ajudam empresas a programar sem conhecimento técnico.

POR João Ortega | 01/09/2021 18h16

Em um cenário no qual a maioria das empresas, independente de tamanho ou setor de atuação, está se digitalizando, a falta de profissionais da área de tecnologia torna-se cada vez mais latente. Uma pesquisa da Softex estima que haverá um déficit, no ano que vem, de 408 mil desenvolvedores no Brasil. Com a desvalorização do Real em relação ao Euro e ao Dólar, o problema só aumenta, visto que empresas do exterior estão contratando profissionais de tecnologia brasileiros. 

Neste contexto, estão surgindo escolas de programação e projetos de capacitação que visam formar desenvolvedores para o mercado. No entanto, há uma outra tendência que pode ajudar a solucionar este problema: o No-Code e Low-Code. 

Em linhas gerais, trata-se de programação sem código, ou com pouco código. Hoje, há diversas plataformas no mercado que permitem um profissional que não é da área tecnológica criar softwares e aplicativos simples. O setor, inclusive, chama este público de “desenvolvedores cidadãos”, em oposição aos “desenvolvedores profissionais”. 

A diferença entre conceitos de No-Code e Low-Code é, basicamente, o nível de código. No Low-Code, um desenvolvedor cidadão cria a maior parte do projeto, mas requer um profissional para fazer os ajustes finais. No No-Code, a aplicação é desenvolvida inteiramente pelo usuário comum. 

Hoje, o mercado de Low-Code é muito mais maduro do que o de No-Code, já que a maioria das plataformas ainda requerem uma pequena dose de códigos para resolver as dores da transformação digital. Não à toa, o mercado de Low-Code global deve movimentar US$ 13,8 bilhões em 2021, segundo previsão do Gartner, o que representa um crescimento de 22,6% em relação ao ano passado. 

No-Code e Low-Code na prática

A Zeev (antiga SML Brasil) é uma empresa de mais de duas décadas no mercado de tecnologia. Há três anos, ela identificou a tendência Low-Code e pivotou todo o negócio para este rumo. Em entrevista exclusiva, Rafael Bortolini, diretor de P&D e inovação da Zeev, revela que as conversas sobre programação sem código já existem desde o início dos anos 2000, mas que só recentemente foi alcançada a maturidade tecnológica para oferecer soluções na prática. 

“É um movimento tecnológico e social que está bem disperso no mundo. Não é um setor do mercado, não tem um órgão regulador que define exatamente o que ele é”, explica Rafael. “Chegamos em um ponto de maturidade tecnológica que realmente permite colocar na mão de uma pessoa não programadora ferramentas poderosas para criação de aplicativos”. 

Segundo o executivo, o movimento tem caráter social porque ajuda a resolver um problema socioeconômico, que é o déficit de profissionais de tecnologia. “É a democratização do desenvolvimento. O Low-Code dá o poder de desenvolvimento de software para pessoas que não tiveram tempo ou dinheiro para investir em cursos universitários de cinco anos, por exemplo”, analisa. 

Rafael destaca que a plataforma da Zeev, assim como as demais do mercado, já tem a integração entre sistemas como um padrão. Ou seja, os softwares desenvolvidos por Low-Code são facilmente integráveis àqueles fornecidos por empresas nativas de tecnologia. 

Programadores serão substituídos?

O movimento Low-Code e No-Code não veio para substituir os profissionais de tecnologia. Pelo contrário, é uma forma de complementar o trabalho dos desenvolvedores. Enquanto os programadores profissionais vão continuar desenvolvendo softwares mais complexos, o desenvolvedor cidadão fica responsável por soluções simples do dia-a-dia das empresas. 

“Não dá para fazer tudo com Low-Code e não sei se um dia será possível”, prevê Rafael Bortolini. De acordo com o especialista, os softwares que estão no core, ou seja, que são críticos dentro das operações de uma empresa, ainda terão um profissional de tecnologia responsável. Outros programas, que atuam na periferia dos negócios, podem ser criados por profissionais de outras áreas. 

O executivo destaca, também, que não basta abrir uma plataforma Low-Code e, de primeira, sair “arrastando as caixas e achar que vai montar um aplicativo”. Há, também, uma curva de aprendizado. “Só que vai demorar semanas, e não anos”, afirma. Neste sentido, profissionais ou empreendedores que já estão acostumados a usar softwares e aplicativos tendem a acelerar essa curva de aprendizado, por entender os limites e possibilidades desse universo. 

“A demanda por desenvolvedores vai continuar crescente independente do Low-Code. É um caminho sem volta. Tem tanta coisa a ser feita que o profissional técnico, desenvolvedor, vai estar na linha de frente da inovação. Todo o resto vai usar as ferramentas disponíveis para resolver os problemas do dia-a-dia dos negócios, sem depender do programador. São coisas complementares”, finaliza Rafael Bortolini.