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Nenhum de nós verá a equidade de gênero: entenda o porquê

Relatório Global de Lacunas de Gênero 2020 mostra que há avanços, principalmente na educação, mas aponta grandes diferenças na política e na economia

POR Adriana Fonseca | 23/04/2020 14h03 Foto ilustrativa (Pixabay) Foto ilustrativa (Pixabay)

Nenhum adulto hoje conseguirá presenciar a equidade de gênero. A triste conclusão é um achado do Relatório Global de Lacunas de Gênero 2020, produzido pelo Fórum Econômico Mundial. Segundo o documento, a paridade de gênero não acontecerá em menos de 99,5 anos.

E por que o tema chama tanto a atenção? Porque a diversidade de gênero importa. 

Diversos estudos já demonstraram que a paridade de gênero tem uma influência fundamental sobre a prosperidade das economias e das sociedades.

“Desenvolver e utilizar metade do talento disponível no mundo tem uma enorme influência no crescimento, na competitividade e na disponibilidade futura de economias e empresas em todo o mundo”

Fórum Econômico Mundial 

Publicado há 14 anos, o relatório analisa 153 economias em relação ao progresso que vêm fazendo sobre o tema em quatro dimensões: participação e oportunidade econômicas; desempenho educacional; saúde e sobrevivência; e empoderamento político. Neste ano de 2020, o relatório também incluiu a análise das perspectivas de disparidades de gênero nas profissões do futuro.

Equidade de gênero em oportunidades econômicas, educação e política

Na edição deste ano, o relatório traz um cenário misto. No geral, a busca pela paridade de gênero melhorou. Uma maior representação política para as mulheres contribuiu para isso, mas, em geral, a arena política continua sendo a dimensão de pior desempenho.

Aprofundando fatos e números, conclui-se que levará 95 anos para fechar a lacuna de gênero na representação política, com as mulheres em 2019, ocupando 25,2% dos assentos parlamentares (câmara baixa) e 21,2% das posições ministeriais.

De outro ponto de vista, o chamado “efeito modelo” pode estar rendendo frutos em termos de liderança e salários. Ao melhorar o empoderamento político das mulheres, como regra geral, isso se reflete no aumento do número de mulheres em cargos de chefia no mercado de trabalho.

Em outro aspecto analisado, está previsto levar apenas 12 anos para atingir a paridade de gênero na educação e, de fato, a paridade de gênero nesse quesito foi totalmente alcançada em 40 dos 153 países classificados.

Embora a escolaridade, a saúde e a sobrevivência estejam muito mais próximas da paridade de gênero, uma área importante de preocupação é a participação feminina em oportunidades econômicas. Essa é a única dimensão analisada em que o progresso regrediu.

Aqui, os números são preocupantes e podem dar a perspectiva de que serão necessários 257 anos antes que a paridade de gênero possa ser alcançada.

Em apenas 10 países analisados há mais de 30% de participação feminina nos conselhos de administração das empresas:

gênero Foto ilustrativa Marc Olivier (Unsplash)

Futuro pouco promissor para a igualdade de gênero

O cenário pode ficar ainda pior, se olharmos para as profissões do futuro.

O relatório do Fórum Econômico Mundial revela que o maior desafio que impede a redução da diferença de gênero econômica é a sub-representação das mulheres em profissões emergentes. Na área de computação em nuvem, por exemplo, apenas 12% dos profissionais são mulheres. Da mesma forma, em engenharia e inteligência artificial os números são 15% e 26%, respectivamente.

Na análise geral, o país mais bem colocado em relação à equidade de gênero continua sendo a Islândia, pelo 11º ano consecutivo. 

    Islândia

    Noruega

    Finlândia

    Suécia

    Nicarágua

    Nova Zelândia

    Irlanda

    Espanha

    Ruanda

    Alemanha

    Os países que mais subiram na lista foram Albânia, Etiópia, Mali, México e Espanha. Entre todos os países classificados, 101 melhoraram suas pontuações em relação ao índice de 2019 e 48 tiveram seu desempenho inalterado. Na área da saúde, 48 países alcançaram a paridade e 71 fecharam pelo menos 97% da diferença entre gêneros. 

    Globalmente, analisando todos os aspectos, a paridade de gênero é de 68,6% e os 10 países inferiores da lista fecharam apenas 40% da diferença de gênero.

    Por região, a Europa Ocidental fez o maior progresso na paridade de gênero (76,7%), seguida pela América do Norte (72,9%), América Latina e Caribe (72,2%), Europa Oriental e Ásia Central (71,3%), África Subsariana (68,2%), Sul da Ásia (66,1%) e Oriente Médio e Norte da África (60,5%). Traduzindo isso em anos, aqui está o tempo que levará para alcançar a igualdade de gênero por região:


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