Negócios de impacto social atraem mais clientes e talentos - WHOW

Eficiência

Negócios de impacto social atraem mais clientes e talentos

Empresas que geram benefícios socioambientais se destacam entre consumidores e também na hora de atrair profissionais no mercado de trabalho

POR Daniel Patrick Martins | 13/09/2021 18h47

O empreendedorismo está diretamente associado à geração de empregos e ao crescimento da economia no qual ele se insere. Ou seja, o próprio ato de empreender já consiste em gerar impacto positivo para a sociedade. Porém, existe uma corrente dentro do empreendedorismo que visa beneficiar a sociedade com soluções voltadas aos mais necessitados, na qual a lucratividade é apenas uma consequência deste viés maior. São os chamados negócios de impacto.

Neste tipo de negócio, a sustentabilidade econômica, social e ambiental andam juntas e possuem a mesma importância para a construção do próprio empreendimento. A atividade principal é beneficiar pessoas de renda mais baixa. O público-alvo é, portanto, imenso: só no Brasil há cerca de 168 milhões de pessoas que integram as classes C, D e E, segundo o IBGE.

O movimento do empreendedorismo de impacto está acelerando. “No último Fórum Econômico Mundial de Davos, foi lançado um relatório onde se mapeou que o empreendedorismo social impactou positivamente 622 milhões de pessoas ao redor do mundo, gerando cerca de US$ 6,7 bilhões entre bens e serviços gerados a partir destes negócios”, relata Ellen Carbonari, sócia e head de inovação social na Semente Negócios, empresa de educação empreendedora e de inovação para negócios de impacto social, em entrevista exclusiva à Whow!.

De acordo com a terceira edição do Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental, elaborado pela Pipe.Labo, no Brasil há cerca de 1300 empresas que se encaixam em negócios de impacto. Destas, em relação aos eixos transversais afetados pelos seus negócios, 40% empreendem para a cidadania, 49% com tecnologias verdes, 28% para a educação e 27% com saúde.

A Semente Negócios trabalha há mais de 10 anos para criar ecossistemas prósperos por meio do empreendedorismo de impacto social. A startup reúne grandes empresas, pequenos empreendedores e referências locais a fim de criar soluções que promovam o desenvolvimento territorial em regiões mais necessitadas. Nesse sentido, os negócios de impacto não se apresentam mais como ações isoladas, mas sim como o elo que une todos esses diferentes agentes em prol de causas maiores.

“Não tem mais fuga para o pequeno e médio empreendedor ou para a grande empresa. Toda a sociedade está convergindo para um lugar onde vai ser, de muitas formas, incentivada a repensar os padrões de consumo, repensar onde se quer depositar seu tempo ou a sua força de trabalho”, analisa Ellen Carbonari. Ou seja, não é apenas o universo empresarial que está voltando os olhos para o impacto que deixam para a sociedade. As pessoas – sejam elas consumidores, seguidores ou profissionais no mercado de trabalho – querem participar de ecossistemas mais positivos.

Segundo a especialista, esta nova dinâmica que tange consumo e trabalho é positiva para as pequenas e médias empresas (PMEs). Isto porque os negócios tradicionais tendem a demorar mais para se adaptar às tendências do mercado, enquanto o empreendedorismo tem a capacidade de ser mais ágil. Assim, pequenos negócios alinhados ao impacto social e à sustentabilidade estão se tornando mais atrativos a clientes e também a talentos no mercado de trabalho. “É uma realidade que [a pequena empresa] vai sair na frente nesse processo. Pelos talentos que vai atrair. Pela capacidade de produzir inovação dentro de seu próprio negócio. Pela rede consumidora engajada com sua marca”, opina.

Segundo o levantamento da Pipe Social, o empreendedor vê a importância de se posicionar sobre assuntos ligados ao impacto socioambiental. Mais de 7 em cada 10 empresas têm missão, visão e valores institucionais associados ao impacto socioambiental.

Porém, há um gargalo no qual este setor passa que é a questão de investimentos. Se de um lado os negócios de impacto movimentam US$ 600 milhões anuais, segundo dados da ANDE Brasil, por outro lado faltam mais incentivos para que mais negócios saiam do papel, já que 80% destes empreendedores estão na busca por recursos financeiros.