Negócios culturais são promissores para pequenas e médias empresas - WHOW
Consumo

Negócios culturais são promissores para pequenas e médias empresas

Após uma dose de digitalização da economia criativa, a retomada das atividades presenciais permite empreender e inovar neste setor

POR Daniel Patrick Martins | 26/08/2021 17h50 Negócios culturais são promissores para pequenas e médias empresas

O setor cultural é um dos segmentos dentro da economia que mais se reinventaram, ainda mais considerando o atual contexto de pandemia. As atividades ligadas ao entretenimento, às artes, à moda e estética ou à cultura de forma geral provaram que não estão, necessariamente, atreladas às casas de shows e espetáculos, teatros e galerias. Em um cenário de migração do setor para o meio digital, surgem oportunidades de negócios que podem atuar desde a concepção até a distribuição de um produto ou serviço cultural.

“Tradicionalmente, a produção cultural no Brasil é analógica. Somos um povo outdoor e por isso a produção cultural sempre caminhou para a rua, para o equipamento cultural, que tem a ver com a nossa tradição de grandes eventos. As pessoas ainda não sabem extrair valor das lives, por exemplo. Tudo estava muito estabelecido no físico: você paga um ingresso por uma cadeira. E no digital? Quantas pessoas cabem em uma sala de live?”, provoca Lucas Foster, empreendedor e criador do Dia da Criatividade, evento sobre economia criativa e inovação celebrado todo dia 21 de abril em todo o mundo, em entrevista ao Estadão.

Este mercado da economia criativa é composto por muitas possibilidades de trabalho e inovação, pois, no sentido de atuação, este segmento abre um grande leque em que empreendedores podem pensar em investir. Inclusive, indústrias de outros setores auxiliam empreendimentos culturais, dada a abrangência do setor, como provedores para viagens, de internet, de comida, entre outros. “É um núcleo estratégico para a economia como um todo porque é nesse nicho que os outros setores não criativos vêm buscar inovação e diferencial competitivo que não seja necessariamente em redução de custo ou produtividade”, relata Lucas Foster.

Assim, o segmento da indústria criativa demonstra quais são as lacunas a serem preenchidas e quais os tipos de empresas que são necessárias para explorar as demandas existentes. “Precisa ser uma pessoa incomodada com algo e sente a necessidade de inovar. O que motiva a economia criativa é a vontade de resolver problemas. Os grandes aplicativos que deram certo partiram dessa necessidade. Nem sempre é questão de ganhar dinheiro. O modelo de negócio para lucrar vem depois”, aponta Thiago Ferauche, professor de desenvolvimento de aplicativos para mídias digitais, em entrevista ao G1.

Então, ao pensar no retorno financeiro ou de investimentos realizados em projetos de economia criativa ou para o setor cultural, é possível pensar em soluções, desde a manutenção de espaços culturais, como museus, galerias, teatros, além de serviços ou produtos utilizados e bem específicos para a área, como sapatos para bailarinos, pisos para academias de dança, instrumentos para músicos, artefatos para iluminação a serem disponibilizados em shows e espetáculos, assim como aplicativos que resolvam acesso, manutenção e a distribuição de ingressos e entradas.

“Os projetos ativam a economia, geram empregos, renda, lazer, acesso à informação. Levam as empresas a se inserirem em um contexto social, defenderem causas e bandeiras importantes da população”, comenta Suzzy Souza, diretora executiva da InterCult, em entrevista disponibilizada no site da empresa especialista em gestão, produção e marketing de projetos.

Com isso, oportunidades não faltam para empreender neste campo, principalmente para PMEs, pois o mercado tem alta projeção de crescimento e aceleração, dadas as perspectivas na pós-pandemia. Neste contexto, dados coletados pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), mostrava que este setor faturou R$ 155,6 bilhões em 2016. Já no ano de 2019, este mesmo estudo nomeado “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” apontou que o setor cultural, gerou mais de 837 mil empregos formais (em carteira assinada), movimentou R$ 171, 5 bilhões na economia do país, além de contar com 245 mil estabelecimentos culturais, representando 2,61% do PIB (Produto Interno Bruto). De acordo com este levantamento, as projeções de crescimento do setor seria de 4,6% até 2021, mas, estes números foram impactados pelo contexto da pandemia.

“Tem muita gente dentro da economia criativa que não é CNPJ. São artistas, arquitetos, designers, freelancers. O discurso da linha de emprego vai mudando. Você gera valor a partir da criatividade, e isso pode ou não ser empresa”, aponta Santiago Gonzalez, um dos fundadores do Laboratório de Inovação de Impacto Lab4D ao portal G1.

O impacto do setor cultural na economia a nível local, gerando empregos e consequentemente a formalização dos negócios, contribuindo para os resultados de bens e serviços do país, também está ligada a realização de eventos tradicionais da nossa cultura, como as festas juninas ou mesmo os carnavais.

“As pessoas, quando vêm para esses eventos, fortalecem a hotelaria, os restaurantes e bares, as pessoas que fizeram seus figurinos (no caso do carnaval), visitam museus. Além disso, tem uma grande parcela de profissionais que trabalham com produção, iluminação e som, por exemplo. O setor emprega muita gente”, exemplifica Sonia Helena dos Santos, professora universitária em criatividade da Fundação Armando Alvares Penteado ao Estadão.