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Natura utiliza o Google para aumentar em 30% eficiência na criação de produtos

A multinacional brasileira recorreu ao poder computacional da gigante de tecnologia para aumentar sua eficiência em Pesquisa e Desenvolvimento. Saiba mais

POR Raphael Coraccini | 02/08/2019 10h53 Natura utiliza o Google para aumentar em 30% eficiência na criação de produtos Unsplash

Quando a Natura nasceu, há 50 anos, o processo de desenvolvimento de um produto contemplava submeter-se ao tempo da natureza, o que tirava das mãos de qualquer empresa de cosméticos e produtos de beleza o domínio sobre o tempo da produção. Era preciso estudar determinada planta, extrai-la e buscar seus benefícios de maneira quase artesanal.

Em tanto tempo de vida, a empresa acumulou uma enorme quantidade de estudos sobre diferentes plantas. Fora o conhecimento interno, a Natura e qualquer outra indústria pode ter acesso aos bancos mundiais de informação sobre testes realizados pelo mundo. As informações estão disponíveis em grandes quantidades para os players do setor de cosméticos. O diferencial de mercado das empresas líderes é a capacidade de reunir esses dados de maneira eficiente. O trabalho quase artesanal foi substituído pela ciência dos dados.

Desde 2017, a multinacional brasileira de cosméticos migrou para a nuvem os dados técnicos resultantes dos testes laboratoriais que realiza desde o começo da sua história para avaliar a efetividade dos ingredientes na composição de uma fórmula. A Natura escolheu a escalabilidade e capacidade de armazenamento do Google Cloud como destino do seu histórico de pesquisa.Loja da Natura em São Paulo (Imagem: Douglas Luccena)Na prática, isso significou um ganho de 30% na realização de alguns dos testes, reduzindo o tempo de desenvolvimento de novos itens para o portfólio da empresa. “Uma nova planta que às vezes levava até 48 horas para ser processada agora conseguimos o mesmo processo em 13 horas. Existe uma redução expressiva no tempo necessário para comparar os dados em várias bases e trazer uma resposta mais rápida do que eu preciso. Eu faço uma simulação inicial e filtro isso para alguns produtos com maior probabilidade de sucesso. Não preciso fazer para todos”, detalha o diretor de Inovação de Produtos da Natura, Daniel Gonzaga.

O executivo explica que a ideia é multiplicar a capacidade analítica dos processos da empresa por meio do ganho de eficiência computacional proporcionado pelo Google Cloud. Com a parceria, a Natura passa a “estruturar um banco onde todas essas bases de dados possam ser catalogadas, comparadas e analisadas para ganhar tempo ao fazer múltiplas análises simultaneamente. Aquele esquema de uma planta, um mecanismo e um benefício é substituído por processos capazes de realizar testes em 400 benefícios para a pele, utilizando dezenas de plantas simultaneamente”, detalha Gonzaga.

Desde quando começou o processo de migração da sua base de dados para a nuvem, cerca de 65% dos projetos da Natura passaram para a plataforma. A empresa lança mais de 200 produtos a cada ano, sendo que cada um deles demora pelo menos 1 ano e meio para ser desenvolvido, lançado e distribuído. “No futuro próximo, até o fim do ano, todos devem estar dentro da plataforma”, estima o executivo.A Natura afirma que sua prioridade com a otimização das pesquisas para desenvolvimento de novos produtos não está necessariamente ligada ao aumento da velocidade na criação de novos itens ou mesmo na penetração da marca no mercado mas, sim, com a redução da taxa de erros no desenvolvimento de novas soluções. “É garantir um modelo de predição para diminuir a taxa de erro, otimizando os meus recursos”, afirma Gonzaga.

A nuvem

A medida que as empresas foram se modernizando e se informatizando, os computadores precisaram de maior capacidade operacional. Porém, toda essa capacidade não é utilizada o tempo todo. Assim, surgiram as máquinas virtuais, termo usado para definir a divisão de um grande computador em várias máquinas menores, que poderiam ser usadas separadamente quando toda a capacidade de processamento daquela máquina maior não fosse recrutada. A nuvem surge como evolução desse sistema de computadores virtuais.

Se para a pessoa física, a nuvem representa, na maioria das vezes, uma eficiente ferramenta de armazenamento e acesso compartilhado de informações como arquivos de texto e imagens, para empresas como a Natura, a solução abrange ampliação da capacidade computacional e aumento da eficiência na análise de volumes massivos de dados.

Ampliação da capacidade computacional e aumento da eficiência na análise de volumes massivos de dados

Projetos começam com a definição de metas para identificar a complexidade das métricas para chegar a dados simples ou insights elaborados

Os projetos que o Google Cloud (a plataforma de nuvem do Google) desenvolve junto à indústria começam com a definição de metas para a plataforma de nuvem: até onde as métricas devem ir e se será preciso levar à indústria mais do que dados brutos mas, também, dados tratados e insights. “No caso da Natura, ela queria uma capacidade maior de produção de pesquisas, pela necessidade de lançar muitos produtos novos no mercado. Precisavam ter maior capacidade de gerar análises de pesquisas, mais processamento de dados e como ela não usa animais para fazer pesquisa dermatológica, tem que contar com uma tecnologia que faça toda essa combinação de moléculas e de substâncias. Em contrapartida, precisa de muita capacidade computacional”, explica Antonio Chaddad, gerente de vendas do Google Cloud para o Brasil.

O Google Cloud entrega para o cliente sua capacidade de computação e faz a transferência de tecnologia para que a indústria passe a explorar por conta própria todo o potencial da nuvem. “É um trabalho desenvolvido a quatro mãos. A parte de cosméticos é de domínio da Natura. A empresa tem os dados de pesquisa anteriores e combinações sobre as quais já sabe as reações químicas. E passa a simular essas reações dentro de um ambiente computacional. A gente trabalha em parceria, com os nossos técnicos ajudando a empresa a usar a ferramenta. E a Natura entra pegando os dados e colocando de uma maneira estruturada na nossa ferramenta”, detalha.

Investimentos em pesquisa

Os investimentos da Natura em inovação permitiram à empresa eliminar os testes com animais para o desenvolvimento de cosméticos há mais de 10 anos. Até chegar à parceria com o Google Cloud, a empresa teve uma série de novos processos e tecnologias que colaboraram com a construção de um vasto banco de dados. “Desenvolvemos modelos de pele 3-D ou pele reconstituída. Compramos, agora, uma impressora de pele para mimetizar a pele de um ser humano e fazer todos os testes de eficácia e segurança sem a necessidade de usar cobaias”, explica Daniel Gonzaga, diretor de Inovação de Produtos da Natura.1. Captar as células que existem em uma pele

2. Colocar em uma placa

3. Permitir que aquelas células se desenvolvam e cresçam até formarem uma estrutura muito parecida com a pele humana

4. Realizar testes para ver se o produto reage com a pele

* Simultaneamente ao teste de confirmação, a Natura usa modelos de simulação, que não dependem de uma superfície física. A interação entre a molécula e a pele é simulada em um computador, por meio de algoritmos

(Imagem: USP) Pele sintética ajudou na substituição dos testes com animais, que foram extintos na Natura há mais de 10 anosChaddad afirma que a ampliação da capacidade computacional permitiu à Natura fazer associações de informações que antes eram inviáveis. Em função disso ocasionou o desenvolvimento de processos complexos como análise de genoma e de ativação, que a Natura vem operando há cerca de seis anos.

O desenvolvimento da inovação dentro da multinacional, segundo o executivo, já não é mais possível sem que haja uma interação com outras empresas. E não se trata só de gigantes como o Google Cloud. Desde meados dos anos 2000, a Natura possui um modelo de inovação aberta para parcerias com empresas e organizações de diferentes áreas.

“Quase não existe mais projetos solo de inovação na Natura. Trabalhamos sempre em parceria para Pesquisa e Desenvolvimento com startups, universidades, institutos particulares e fornecedores. Hoje, é impensável trabalhar fechado em si mesmo porque o conhecimento está disperso pelo mundo. É preciso estar conectado onde esse conhecimento possa existir”, destaca Chaddad. Há algumas semanas, a empresa brasileira lançou mundialmente uma linha de produtos desenvolvida por uma startup alemã.


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