Nanotecnologia em tecidos pode ajudar a combater coronavírus
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Nanotecnologia em tecidos pode ajudar a combater o novo coronavírus

Em entrevista ao Whow!, Gustavo Simões, CEO da Nanox, falou sobre a criação de um tecido que pode evitar a transmissão do vírus através de nanotecnologia

POR Aline Barbosa | 23/06/2020 17h15 Nanotecnologia em tecidos pode ajudar a combater o novo coronavírus Foto ilustrativa Lucas Vasques (Unsplash)

Durante muitos anos, a nanotecnologia foi vista como o futuro da ciência e modernização. Hoje, seu conceito já faz parte da realidade e pode ser utilizado como um grande aliado na luta contra a pandemia de coronavírus.

Em Israel, cientistas da Universidade Bar-llan criaram um tecido que pode evitar a transmissão do vírus através da implantação da nanotecnologia. No Brasil, a inovação também foi explorada. A Nanox, empresa paulista, que possui apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), e trabalha com produtos antibacterianos, desenvolveu o tecido que possui micropartículas de prata na superfície e pode eliminar a COVID-19 em apenas dois minutos.

Segundo a empresa, os testes de laboratório mostraram que o material pode eliminar 99,9% do vírus no pano e, é capaz de controlar fungos e bactérias cerca de 30 lavagens. A princípio, a ideia é utilizar a tecnologia em máscaras e roupas hospitalares, mas ele pode ser aplicado em outras opções da indústria de têxtil.

Em entrevista com Gustavo Simões, CEO da Nanox, conversamos sobre a novidade e o ambiente da nanotecnologia. Confira:

Nanotecnologia em tecidos no combate ao novo coronavírus

Whow!: Quanto tempo levou para o tecido ser projetado? Como foi o desenvolvimento deste projeto para ajudar na luta contra a Covid-19? Pode ser aplicado em qualquer tecido?
Gustavo Simões: A Nanox já está há um pouco mais de 15 anos trabalhando nestas soluções antibacterianas e fungicidas. A aplicação no têxtil e um pouco mais recente, há uns 8 meses. Com a pandemia, fizemos parcerias com algumas empresas que fabricam tecido e começamos a testar o produto. Depois mandamos para o Instituto de Ciências biomédicas da USP para fazer o teste contra o coronavírus e conseguimos o resultado. O produto pode ser aplicado em qualquer tecido… tanto algodão, quanto poliéster, entre outros. Pode ser tanto sintético, quanto natural, a eficiência é a mesma.

tecnologia Foto ilustrativa Gerd Altmann (Pixabay)


W!:
Sobre o ambiente de nanotecnologia, ela sempre fez parte da cultura da empresa? Quais são as inovações possíveis com esta tecnologia de nanotecnologia?
GS: Todos os materiais que a Nanox fabrica utiliza processos de nanotecnologia, sempre estivemos acompanhados desta tecnologia. Falando especificamente dos aditivos de prata que usam a nanotecnologia, as inovações são enormes no campo da medicina e área da saúde. Ela pode ter aplicações tanto em equipamentos, em tecidos e utensílios que os profissionais utilizam. Além disso, esse tipo de tecnologia agora vai ter uma percepção ainda maior do ponto de vista do consumidor, que de certa forma, vai querer se proteger mais com relação a qualquer tipo de vírus ou bactéria. Agora as pessoas provavelmente vão estar muito mais preocupados com a parte de saúde. Então, as nanotecnologia vão ajudar as combater esses microrganismos.


W!:Como acontece a relação do ecossistema startup-empresa-academia de vocês?
GS:
 Encaramos esse ecossistema de forma bem tranquila. Porque como saímos direto da universidade e tivemos parcerias desde o início, sempre trabalhamos em conjunto. Então, praticamente, isso faz parte do nosso dia a dia. Temos muita interação com centros de pesquisas, com academias e penso que isso é fundamental para se ter inovação no país. É importante ter a parte de ciências e tecnologia básica na universidade, ter empresas e empreendedores que estão afim de correr o risco e testar novas tecnologias no mercado… E, quando isso dá certo você realmente gera uma inovação de impacto positivo para toda a sociedade.


W!: Como os eventos fortaleciam o ecossistema da empresa? Neste sentido, como vocês estão se reinventando no momento de pandemia?
GS: Os eventos antes eram muito mais presenciais, mas agora eles continuam acontecendo de forma virtual. Talvez agora até mais intensamente do que aconteceria. Então, acredito que o impacto ainda é pequeno olhando para o ponto de vista de eventos.


W!: Quais são os planos para o futuro da empresa?
GS: Nosso plano é conseguir escalar o máximo essa tecnologia para o mercado têxtil e mercado plástico, para alavancar a empresa, inclusive, internacionalmente. Já possuímos operações nos Estados Unidos e estamos desenvolvendo alguns distribuidores na América Latina. A ideia é conseguir internacionalizar ainda mais.


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