MVP físico: como estruturar e aprimorar o seu produto - WHOW

Eficiência

MVP físico: como estruturar e aprimorar o seu produto

Desenvolver o MVP de um produto físico tem diferenças relevantes em relação a produtos digitais

POR Marcelo Almeida | 17/11/2021 18h12

Atualmente, a ideologia da startup enxuta permeia boa parte dos empreendedores que desenvolvem novos produtos por meio desse tipo de companhia.  Quando se fala de software, aplicativos e produtos digitais em geral, o processo de criação e aperfeiçoamento de um MVP (minimum viable product, ou produto viável mínimo, na tradução para o português) tem algumas facilidades, como a distribuição para os “testadores” via online e a própria coleta de dados de uso.  Mas e no caso de produtos físicos, como criar um MVP capaz de evoluir e se tornar um produto rentável?

MVP de produto físico na prática

Em primeiro lugar, apesar de o design ser um fator importante para alguns produtos, para outros ele é secundário, sendo mais importante demonstrar o potencial do produto em termos práticos, assim como a sua funcionalidade e usabilidade.

Foi o caso da Fix it, empresa especializada em produtos ortopédicos criados por impressora 3D que substituem o famoso “gesso” com um produto bem mais leve e prático. O primeiro passo para desenvolver o MVP desta empresa foi escolher o material que iria compor o produto.

Em função da sua durabilidade, elasticidade e tempo de vida útil, foi escolhido o polímero de ácido lático, ou PLA. Além disso, também é adicionado um modificador de impacto para conferir maior durabilidade ao produto.

Cada produto é feito de acordo com as especificações do paciente e, após ser impresso, ele passa por ensaios físicos e químicos para avaliar o material.

A partir desse momento, a empresa começou a fazer testes com os primeiros MVPs da companhia, que, segundo o CEO e cofundador da companhia, Felipe Neves, ainda não eram ideais e tinham um aspecto mais primitivo.

“A Fix it nasceu em uma Startup Weekend, [evento no qual empreendedores buscam validar uma ideia de negócio em um final de semana] que é MVP na veia, já que você precisa validar minimamente o que está ali em 54 horas. Quem desenvolve produtos físicos acaba tendo um pouco mais de trabalho”, afirma Neves.

Embora atualmente a empresa tenha uma presença digital, no início ela era 100% física. “Isso era muito difícil, porque para validar algo físico, principalmente na área da saúde, exige algumas etapas de estudar a eficácia do produto clinicamente falando e ter a aprovação dos órgãos regulatórios”, explica.

Apesar de alguns problemas iniciais, o MVP foi suficiente para despertar a atenção de investidores em relação ao seu potencial e sua capacidade de se adaptar a diversas situações e funções. O aporte, inclusive, acabou vindo de uma empresa que costuma investir em software. “A gente tinha em mente a revolução que estávamos criando no ramo da ortopedia e insistimos, validamos bem o problema e, por mais que não tenhamos encontrado um modelo de escalabilidade em um primeiro momento, acabamos conseguindo o investimento”, diz Neves.

Novos produtos

Daí em diante, a empresa começou a fazer parcerias com diversos hospitais e entidades, diversificando sua linha de produtos para atender a novas demandas, por meio de um processo de constante aperfeiçoamento dos produtos de acordo com os feedbacks oferecidos pelos clientes.

“O conceito de MVP existe até hoje na empresa, não só no início lá na Startup Weekend quando tínhamos a versão 1.0. Agora já estamos na 6.0, mas todo produto passa pela mesma série de etapas: lançamos um produto feio, melhoramos e refinamos antes mesmo de vender. Após vermos que está funcional e que ele passa por algumas regulamentações, já fica disponível para os pacientes utilizarem”, afirma Neves.

Hoje em dia a empresa desenvolve mais de 30 produtos diferentes, sendo que alguns surgiram de necessidades relatadas pelos próprios médicos e outros profissionais do ramo de saúde, como no caso de um suporte para tubos de ensaio. “A gente acaba desenvolvendo em uma semana algo que eles tinham que importar e que podia demorar meses, e tudo por meio de um modelo just in time, sem necessidade de fazer estoque. Então nós temos um braço muito forte nesse ramo de cocriação com alguns parceiros e nesse sentido o conceito de MVP é bastante utilizado”, afirma o CEO da Fix it.