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Tecnologia

Mulheres ainda são subrepresentadas no setor de tecnologia

Em uma escola brasileira, a Gama Academy, o cenário parece ser diferente e há cada vez mais formadas do sexo feminino

POR Adriana Fonseca | 08/04/2020 14h24 Mulheres ainda são subrepresentadas no setor de tecnologia Foto ilustrativa (Pexels)

As mulheres continuam subrepresentadas no setor de tecnologia. Dados do IBGE mostram que somente 20% dos profissionais de TI são do sexo feminino. Apenas 20% das mulheres ingressam em cursos de tecnologia e 79% desistem no primeiro ano da faculdade.

As causas que levam a esse dado são diversas. “São inúmeras as barreiras que impedem as mulheres de acenderem no mercado de tecnologia. A primeira delas tem a ver com o estímulo que recebemos”, comenta Carine Roos, cofundadora da ELAS (Exercendo Liderança com Assertividade e Sabedoria), uma escola de liderança e desenvolvimento voltada para mulheres.

“Desde pequenas não somos estimuladas a ter um raciocínio mais analítico e lógico. As meninas ganham brinquedos mais relacionados com o cuidado – como, por exemplo, brincar de casinha”

Carine Roos, cofundadora da ELAS (Exercendo Liderança com Assertividade e Sabedoria)

tecnologia Foto ilustrativa Christina Wocintechchat (Unsplash)

Aumento do interesse das mulheres

Ainda assim, alguns dados pontuais mostram que há um número crescente de mulheres interessadas em tecnologia.

Levantamento realizado pela Gama Academy, escola que capacita estudantes e profissionais para o mercado digital, indica que houve um aumento de 50% no número de profissionais capacitadas em áreas de tecnologia em 2019, no comparativo com 2018. A áreas de Desenvolvimento Front-End, UX/UI Design e Growth Hacking foram as que mais tiveram adesão de mulheres ao longo do ano passado, informa a escola.

O levantamento tomou como base o número de participantes no Gama Experience, curso de imersão com formato semipresencial que forma profissionais para as áreas de Programação, Design, Marketing e Vendas.

O ano de 2020 vem seguindo a mesma linha. Nos primeiros programas realizados para a área de Desenvolvimento, por exemplo, a escola formou 30 mulheres, contra 19 no mesmo período em 2019 – um aumento de 57%.

O aumento de mulheres formadas nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática – é de extrema relevância para diminuir a desigualdade entre gêneros no ambiente de trabalho, visto que as tendências apontam para cada vez mais empregos nesses campos.

Necessidade de profissionais em tecnologia

Estudos recentes indicam 58 milhões de novos empregos em áreas como análise de dados, desenvolvimento de software e visualização de dados.

A agência de telecomunicações da ONU estima que, nos próximos dez anos, poderá haver até 2 milhões de empregos em tecnologia que não serão preenchidos devido à falta de especialistas em digital.

Ao mesmo tempo, dados da Unesco, agência das Nações Unidas para educação, ciência e cultura, mostram que menos de um terço de todas as estudantes do sexo feminino escolhem assuntos relacionados a STEM no ensino superior, enquanto apenas 3% das mulheres escolhem assuntos de tecnologia da informação e da comunicação.

A inteligência artificial, que vem se tornando um campo cada vez mais importante, é mais uma área dentro da tecnologia com poucas mulheres. O Relatório Global de Lacunas de Gênero do Fórum Econômico Mundial mostra que apenas 22% dos profissionais de inteligência artificial do mundo são mulheres.

Em uma mensagem de vídeo, Doreen Bogdan-Martin, diretora do Departamento de Desenvolvimento de Telecomunicações da União Internacional de Telecomunicações, agência da ONU especializada em tecnologias de informação e comunicação, convidou as meninas a “colocarem a tecnologia no centro de suas paixões na carreira”, enfatizando que as habilidades digitais avançadas são uma forte vantagem para os alunos.

Ela ainda ressaltou o componente tecnológico cada vez mais importante em muitas carreiras – não apenas em trabalhos relacionados à ciência – e destacou a tecnologia como uma “ferramenta crítica em campos tão diversos quanto história da arte, direito, ensino primário e design gráfico”.


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