Mulheres inovadoras: inovação expandida, inclusiva e de alto impacto - WHOW

Pessoas

Mulheres inovadoras: inovação expandida, inclusiva e de alto impacto

As vencedoras do Prêmio Whow! de Inovação 2020 se reúnem para falar sobre o tema em debate promovido pelo Whow!

POR Adriana Fonseca | 27/11/2020 14h45 Imagem: Freepik Imagem: Freepik

As mulheres inovadoras vencedoras na categoria do Prêmio Whow! de Inovação 2020 se reuniram nesta semana, para falar sobre os seus diferentes olhares sobre inovação. A conversa foi mediada pelo editor da plataforma Whow!, Eric Visintainer.

 Empreendedorismo 

A Vem de Bolo é a primeira startup da Nestlé Brasil. Renate Giometti, gerente de inovação e desenvolvimento de novos negócios da empresa —, que representou a colega Carolina Sevciuc vencedora na categoria Empreendedorismo , apresentou números impactantes, e que a iniciativa da multinacional surgiu para endereçar. 

Os informais representam hoje 37% do mercado de trabalho brasileiro. São cerca de 30 milhões de brasileiros na informalidade, e o setor de boleiros e confeiteiros tem grande participação nesses números. A startup nasceu para facilitar a vida desses empreendedores, que muitas vezes complementam a renda principal com a venda de bolos. 

“A Nestlé entendeu que, no mercado informal de confeitaria, havia dificuldades do lado do consumidor final quando ele queria comprar um bolo, para encontrar a oferta ideal, e pensou em uma solução para expandir a base de clientes do confeiteiro, que ficava restrita à sua vizinhança, ao boca a boca”, explica Renate sobre o marketplace que leva aos confeiteiros a possibilidade de ter uma venda digital além das redes sociais, ampliando a base de clientes.

A executiva também comentou sobre as dificuldades desses informais em relação à gestão financeira. “Temos trilhas em gestão financeira e como tirar fotos do portfólio”, exemplifica.

O terceiro ponto abordado pela startup é a compra dos ingredientes. “Como o confeiteiro não consegue planejar a demanda, não consegue planejar as compras, acaba comprando picado e pagando mais caro”, explica gerente de inovação e desenvolvimento de novos negócios da Nestlé Brasil. “Como os pedidos com o Vem de Bolo são mais planejados, o confeiteiro tem acesso a produtos mais baratos e compra em volumes maiores.”

A plataforma ajuda também, segundo a executivo, plugando parceiros, como os de transporte. “Muitas das confeiteiras faziam as entregas, e aí não produziam nesse tempo, perdendo parte da renda incremental.”

A startup soma mais de nove mil bolos comprados pela plataforma e tem 160 doceiros cadastrados, sendo 140 deles mulheres, de acordo com a Nestlé Brasil. “É uma startup que aposta no locavorismo, uma tendência de consumo local”, pontua Renate.  

Ciência e Tecnologia

mulheres inovadoras Imagem: Pixabay

A ideia de criar um hackathon para o público feminino surgiu de uma necessidade de negócio. “O mercado de tecnologia tem mais homens do que mulheres e sentimos a necessidade de atrai-las, por acreditar que a diversidade traz resultados, ambiente melhor e cultura mais equilibrada”, afirma Carla Figueiredo, gerente executiva da Stefanini e vencedora na categoria Ciência e Tecnologia. 

Ela explica que a companhia não conseguia atrair muitas mulheres aos hackathons mistos. “Então, veio a ideia de montar um hackathon exclusivo para mulheres. Fizemos edições presenciais, antes da pandemia, em anos anteriores, e foi um grande sucesso.”

Carla explica que a proposta é formar os participantes. “A Stefanini tem essa cultura de formar os profissionais”, diz. “Em todas as turmas fizemos contratações.”

Segundo ela, o objetivo sempre foi ter o equilíbrio e mostrar que há espaço para as mulheres. Este ano os hackathons foram on-line. “A última edição [mista] terminou em outubro, com 1,6 mil participantes, sendo 46% mulheres. Um aumento significativo, estamos quase no 50-50. É um resultado que nos deixa orgulhosos e contentes”, diz. 

O próximo hackathon ainda não tem data confirmada, mas será no início de 2021, entre janeiro ou fevereiro, também on-line.

Layla Guillen, head da CCO e executiva de Anti-Money Laundering, terceira colocada na mesma categoria, com o case da ferramenta digital da regtech EthQuo , quando atuava na  startup , comenta que as mulheres estarem à frente de empresas de tecnologia já é uma quebra de paradigma. Ela fez esse comentário dizendo que estava à frente de um projeto de criação de software que conseguiu otimizar o departamento de compliance na função regulatória: “Leva mais integridade para o cliente. É uma ferramenta B2C que surgiu de uma necessidade minha de otimizar o trabalho em compliance.”

Ela comentou ainda sobre sustentar prática de inovação pensando somente em processos, sem pensar em valores, é um contrassenso, segundo a executiva. “As pessoas não querem mudar por comodidade. Então, inovação e diversidade andam juntas pela resistência ao diferente, ao novo”, comenta.

Impacto Social

Ex-responsável pelo engajamento da comunidade de “pride” na Intuit Brasil, Dayane Berton, atual CS Group Manager da Amazon e vencedora na categoria, contou que com o apoio do RH fez um plano e diversas ações para a diversidade, incluindo educação básica e mais profunda, desde a explicação de o que é LGBTQI+ até ensinar pronomes neutros e como eles devem ser usados.

Surgiu, então, a ideia de fazer um evento aliado a essas reuniões para ajudar o público externo. “Fizemos um drag bingo, com drag queens dentro da empresa, vendendo cartelas por alimentos, e arrecadamos quase 500 quilos”, conta. A doação aconteceu para a Casa Florescer, na cidade de São Paulo, que ajuda pessoas trans.

Dayane conta que a inovação do projeto veio de juntar o público interno e externo. “Jamais imaginaria que algo tão simples, como arrecadar alimentos, traria tanta inovação para as pessoas”, diz. “Não envolveu dinheiro, nem desenvolver um software, só boa vontade de todo mundo doar tempo e alimento. Foi o meu projeto de inovação mais inovador para mim.”


Confira o webinar na íntegra


+MULHERES INOVADORAS

Dia do Empreendedorismo Feminino: conheça cases de mulheres inovadoras
As 10 empresas da bolsa de valores com maior participação de mulheres
Estado de São Paulo abre 20 mil vagas gratuitas para mulheres em cursos de TI
Opinião: Como incluir mais mulheres no ecossistema de startups?