Muito além da cerveja: inovação na Ambev passa por investimentos em startups e joint ventures - WHOW

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Muito além da cerveja: inovação na Ambev passa por investimentos em startups e joint ventures

Maior cervejaria do mundo vive a jornada de inovação e transformação digital, acelerando startups e incentivando o intraempreendedorismo

POR Luiza Bravo | 11/09/2020 11h30 Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76) Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

Água mineral, refrigerantes, isotônicos, sucos, chás e, é claro, cerveja. O portfólio de marcas da Ambev é tão extenso que, atualmente, é praticamente impossível encontrar alguém que jamais tenha consumido um de seus produtos. A história da primeira multinacional brasileira começou em 1999, com a união da Companhia Antarctica Paulista e da Companhia de Bebidas das Américas. De lá para cá, a companhia não parou de crescer, e para isso, investe pesado em inovação.

Metodologias ágeis e foco no consumidor

O diretor de Inovação da Ambev, Felipe Cerchiari, conta que a empresa vive, há cerca de três anos, uma intensa jornada de inovação e transformação digital. “Nossa principal motivação sempre foi e continua sendo uma só: o consumidor. Podem ser soluções em forma de novos produtos ou novos negócios, mas estamos sempre tentando antecipar as necessidades e oferecer às pessoas o que elas querem e precisam, para continuarmos presentes em suas vidas”, diz ao Whow!.

A empresa conta, por exemplo, com três canais próprios de e-commerce, cada um com um foco diferente, para atender o consumidor em momentos distintos. Além disso, investe também em processos para engajar e empoderar seus colaboradores, o que, segundo Felipe, é fundamental para tornar a inovação possível.

“Todos os funcionários têm abertura e autonomia para propor e implementar soluções criativas, assumindo os riscos de seus projetos.”

Felipe Cerchiar, diretor de Inovação da Ambev

Whow Festival 2020 Arte Grupo Padrão

“Se alguém encontrar algum gap a ser preenchido ou oportunidade interessante a ser executada, a pessoa tem total liberdade para apresentar um projeto e colocá-lo em prática rapidamente, sem necessidades de um grande fluxo de aprovações internas, para trazer agilidade e atrair os colaboradores no processo”, explica.

O desenvolvimento de todos os projetos é conduzido por squads multidisciplinares, envolvendo os times de Tecnologia, Marketing, Industrial, Logística, Suprimentos, Vendas e Financeiro. Nesses processos, são utilizadas metodologias ágeis – típicas das empresas de tecnologia, mas aplicadas a uma grande companhia industrial. “Aprendemos que para ser uma empresa inovadora de verdade, é preciso surpreender o consumidor com produtos e serviços que nem mesmo eles esperam. Mas criar isso não é simples. Daí surgiu a ideia de trabalhar com as metodologias ágeis no desenvolvimento de novos produtos. Assim, temos a chance de testar três ou quatro rotas para cada oportunidade”, descreve o diretor de Inovação da Ambev.

Parcerias da Ambev com startups

Ambev Foto Wil Stewart: Unsplash

O diretor conta ainda que a Ambev está sempre em busca de parcerias estratégicas que impulsionem o processo de inovação. “A combinação de nossas estruturas com as soluções criativas propostas por startups, aceleradoras e pelos nossos funcionários nos ajuda a dar mais agilidade na criação de produtos, serviços ou canais de vendas – de maneira mais inovadora. Para isso, investimos no relacionamento com o ecossistema de startups e em diferentes modelos de parceria, em vários níveis de desenvolvimento”.

Até o momento, dois negócios já surgiram para suprir a necessidade de inovação da empresa. A ZX Ventures, hub de inovação e growth da Ambev, foi fundada em 2015, com o objetivo principal de encontrar maneiras de levar conveniência para o consumidor, inovando e antecipando tendências. O grupo é responsável pelo Zé Delivery, maior app de entregas de bebidas do Brasil, e pelo Empório da Cerveja, maior e-commerce de cerveja do país. Já a ZTech cria soluções para o mercado B2B. Um exemplo é a Donus, uma conta digital para pessoa jurídica que dá apoio a pequenos negócios, como bares e restaurantes.

Só nos últimos dois anos, a Ambev fez negócios com cerca de 180 startups do Brasil inteiro, desde pilotos até a construção de joint ventures. “Um conceito que exploramos bastante é o de open innovation, em que as startups nos procuram com soluções feitas especificamente para resolver problemas do nosso negócio. Temos, também, a Aceleradora100+, que foi lançada em 2018 para encontrar startups com soluções inovadoras para os principais problemas socioambientais da atualidade”, conta Felipe.

Até o momento, o programa já acelerou mais de 20 startups, e a companhia já fechou negócios com dez delas. Um dos exemplos é a Green Mining, startup de logística reversa que desenvolveu, junto  à Ambev, um projeto de destinação correta de vidro que recolhe embalagens em bares, restaurantes e condomínios, e encaminha para reciclagem na fábrica de garrafas da companhia. No total, a startup possui 19 hubs de coleta distribuídos entre São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, e alcançou, em julho, a marca de um milhão de quilos de vidro coletados e enviados para reciclagem. 

Para o diretor de Inovação da companhia, fomentar um espírito inovador nos colaboradores é essencial para que a cultura de inovação englobe, de fato, toda a empresa.

“Um aspecto fundamental da cultura é saber lidar com os erros – porque, sim, eles vão acontecer. Se as pessoas têm esse medo, a inovação acaba sendo prejudicada.”

Felipe Cerchiar, diretor de Inovação da Ambev

“A ideia é que os funcionários tenham liberdade para propor ideias e projetos. Claro que, para isso, a liderança também precisa estar disposta a comprar as ideias. Quando isso acontece, o ambiente se torna mais inovador”, conclui.


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