Da estética à ética: gigantes da moda querem salvar o planeta delas mesmas - WHOW
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Da estética à ética: gigantes da moda querem salvar o planeta delas mesmas

Cadeia têxtil é responsável por 10% de toda emissão de gases-estufa. Para evitar um colapso climático, grandes marcas inovam na forma de pensar e produzir moda

POR Raphael Coraccini | 23/07/2019 20h18 Da estética à ética: gigantes da moda querem salvar o planeta delas mesmas

A preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico são as questões mais latentes que a moda enfrenta hoje na sua ambição entre lucro e sustentabilidade. Esse dualismo foi tema de um dos painéis do primeiro dia do Whow! Festival de Inovação. Segundo a ONU, há uma forte tendência de efeitos climáticos até 2040 em se mantendo o nível de emissões de gases- estufa. E nessa conta, muito pesa sobre a cadeia de moda, que responde por 10% de toda a emissão.

A mediadora do painel, Rebeca de Moraes, sócia-diretora da Soledad, ressalta que o mundo corre em alta velocidade para um futuro sombrio, mas que algumas iniciativas no sempre contestado setor de moda mostram que há perspectiva de evitar as catástrofes anunciadas.

“Recentemente a Levis anunciou a intenção de reduzir em 40% a emissão desses gases. É hora de nos perguntarmos como empurrar de vez a moda para um lugar promissor”

Rebeca de Moraes, sócia-diretora da Soledad

A transformação do fast fashion é, para Tainah Fagundes, sócia-criativa da Da Tribo, um passo fundamental para a modernização de toda a cadeia, tendo em vista a preservação e o desenvolvimento. “Esse combo sustentável e lucrativo é possível. A gente consegue reinventar, mas ainda não temos uma fórmula para esse modelo. São muitas possibilidades”.

Amélia Malheiros, gestora da Fundação Hermann Hering, também reforça a importância de se olhar para o sustentável. ” O século passado foi o da estética, este é o da ética. A sustentabilidade vem há décadas tentando se explicar e hoje a gente entende esse conceito formado por diversos pilares: econômico, cultural, social e ambiental”, afirma.

Para ela, a indústria da moda acordou para este assunto. “O problema é a velocidade com que implementamos. Nós estamos na curva de inflexão. A cadeia da moda brasileira, que é tão complexa, já acordou e está fazendo movimentos fortes de colaboração”, afirma.

Concorrentes unidos

Essa colaboração está expressa no Lab Moda Sustentável, plataforma multisetorial que engloba todos os grandes players do varejo de moda brasileiro (como Hering e C&A), além de organizações nacionais e internacionais.

“Estamos há dois anos discutindo sobre novas mobilizações de atores para construir cenários possíveis para a moda, trabalhando com 40 atores de todas as partes da cadeia e olhando para a moda até 2035, vendo como criar lucro com sustentabilidade. Se a gente não olhar de forma coordenada, todo mundo perde. E não podemos nos esquecer que nós somos o meio ambiente”, diz Amélia.

O Fashion Revolution é outra organização que zela pela sustentabilidade na cadeia produtiva de moda e surgiu após um desabamento em Bangladesh que matou mais de mil pessoas num centro comercial têxtil. Fernanda Simon, diretora-executiva do Instituto Fashion Revolution Brasil, destaca os feitos da organização no Brasil.“Desses 100 países onde atuamos, o Brasil é o mais forte. Hoje temos representantes em 51 cidades, tivemos 114 escolas e faculdades de moda fazendo articulações e quase mil eventos. É um trabalho onde as equipes se organizam localmente, falamos com as organizações e marcas locais”, detalha.

O Fashion Revolution tem como um de seus maiores feitos despertar o engajamento junto a estudantes do setor para que os que estão entrando no mercado tragam para dentro do setor práticas inovadoras que aceleram o processo de transformação da cadeia de moda.

“Nas faculdades de moda sempre existiu um modelo de como consumir, pensar, produzir e até mesmo descartar a moda. A inovação entra para rever todos esses processos. Nosso setor tem tantos problemas que precisam de tantas e diferentes soluções… E tem muito campo para transformar”, aponta Fernanda.

“Nas faculdades de moda sempre existiu um modelo de como consumir, pensar, produzir e até mesmo descartar a moda. A inovação entra para rever todos esses processos”

Fernanda Simon, diretora-executiva do Instituto Fashion Revolution Brasil


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