Moda sustentável: Como grandes marcas estão se adaptando? - WHOW

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Moda sustentável: Como grandes marcas estão se adaptando?

Gucci, Burberry e Nona Source são algumas marcas famosas e reconhecidas com excelentes iniciativas de moda sustentável. Veja mais sobre o assunto e alguns exemplos

POR Redação Whow! | 05/05/2021 14h46

A indústria da moda é uma das que mais cresce anualmente. Mas tanto lucro, infelizmente, vem acompanhado de um alto custo para o meio ambiente.

De acordo com a Environmental Protection Agency, a indústria têxtil é uma das quatro indústrias que mais poluem o planeta e consomem recursos naturais. Alto desperdício de água e tecidos, emissões de carbono na atmosfera e descartes em aterro sanitário são alguns dos rastros que esse mercado deixa.

A produção em escala global faz com que a indústria da moda responda hoje por 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa por ano. Esse valor ultrapassa até mesmo o das indústrias naval e de aviação juntas, segundo o relatório “A new textiles economy: Redesigning fashion’s future”, lançado pela Ellen MacArthur Foundation, com o apoio da estilista Stella McCartney.

Diante de fatos tão assustadores, pensar em moda sustentável se tornou urgente. Em resumo, essa vertente tem como foco utilizar processos e matérias-primas que reduzem os efeitos nocivos à natureza e à sociedade. 

Moda sustentável: Qual a relação entre tecnologia, moda e sustentabilidade?

O grande papel da tecnologia é auxiliar na busca e realização de soluções criativas, que sejam alternativas eficazes para o que já temos no mercado. E com o mercado da moda não é diferente. 

Para ser sustentável é preciso buscar novos modos de fazer os processos que já existem hoje, e é aí que entra a tecnologia.

O público está cada vez mais consciente e exigente, e a terceira edição do Kantar Thermometer não nos deixa mentir. A pesquisa mostrou os impactos da pandemia nos comportamentos de consumo no Brasil, e revelou que o consumidor brasileiro quer saber o que as marcas estão fazendo e como podem contribuir para melhorar a situação do planeta.

O coronavírus deixou ainda mais claro a atenção que precisamos ter com o meio ambiente, mostrando o quanto isso impacta todos nós. Especialmente na indústria da moda, que é uma das mais poluentes do mundo, se tornou mandatório olhar para a sustentabilidade com mais atenção.

Utilizar diferentes tecnologias para desenvolver novos materiais e formas de produção é o elo que conecta moda e sustentabilidade. Como exemplo, podemos citar:

  • Poliamida biodegradável;
  • Reciclagem de fios;
  • Tags de papel plantável e etiquetas inteligentes — soluções sustentáveis que foram desenvolvidas com apoio tecnológico.

Marcas de Luxo que estão se adaptando a sustentabilidade

Quando se fala em moda sustentável, é muito comum pensar em slow fashion, upcycle e marcas locais. De fato, essas são algumas vertentes dessa maneira de fazer moda.

Mas atualmente diversas marcas grandes e de luxo também estão adotando uma linha mais consciente. Abaixo listamos alguns exemplos, juntamente com suas propostas ecológicas:

Gucci

A Gucci foi uma das marcas de luxo pioneiras em adotar medidas sustentáveis. Em 2019, a marca declarou que se tornaria carbon neutral e atuaria em prol da compensação de todas as suas emissões de gases de efeito estufa. 

Além disso, a marca apoia projetos de conservação florestal em países em desenvolvimento por meio do REDD+, iniciativa internacional desenvolvida pela UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima).

Stella McCartney

A marca da estilista inglesa desde sua origem é famosa por suas políticas sustentáveis, como o uso exclusivo de couro ecológico em suas roupas e do algodão 100% orgânico para todos seus jeans. Em janeiro de 2020, a marca apresentou ao mundo o primeiro jeans stretch biodegradável do mundo.

Burberry

Além de declarar o fim de peles reais de animais em suas roupas, a marca também alegou que vai implementar o uso de energia renovável em sua cadeia produtiva e acabar com o uso de plástico em suas embalagens até 2025.

A Burberry também pretende neutralizar as emissões de carbono em sua produção, e substituir seus cabides, capas e sacolas de poliuretano para opções eco-friendly. 

Nona Source, o novo programa da LVMH 

O grupo LVMH lançou recentemente uma plataforma para revender tecidos excedentes de marcas de alta costura. O intuito é encontrar um destino para o “estoque morto”, diminuindo assim o descarte de materiais e aumentando o seu aproveitamento.

A plataforma Nona Source comercializa tecidos, couro e renda de altíssima qualidade a preços competitivos. As marcas que cedem os materiais continuam anônimas, e os produtos são identificados como “excedentes de uma Maison de Couture francesa”. Para ajudar no anonimato, a Nona Source não vende padrões marcantes ou estampas com logotipos.

Pequenos estilistas podem acessar a plataforma e comprar “sobras” de produtos de marcas de luxo como Dior, Louis Vuitton e Givenchy a partir de US$ 4. É o melhor de todos os mundos: tecidos de qualidade, preços acessíveis, informações completas sobre os produtos e, é claro, uma grande ajuda para o meio ambiente. 

Salvar o planeta ou melhorar a imagem? 

A sustentabilidade é um tema que está em alta, e quando um assunto se torna tão popular não é difícil encontrar aqueles que surfam na onda do oportunismo. Hoje, ser sustentável se tornou sinônimo de ser “descolado” e muitas marcas se aproveitam do momento para fazer um marketing verde que não condiz com a realidade.

Quantas marcas por aí não se dizem sustentáveis somente por oferecer tags de papel plantável? Ou por não utilizar plásticos nas embalagens? Nada contra essas iniciativas, sem dúvidas elas são válidas. Mas ser sustentável vai muito além disso.

Moda sustentável é muito mais do que ser ou não consciente. Se trata de valores, sonhos, missão e desejos. Uma empresa que realmente busca trazer a sustentabilidade para o negócio precisa se preocupar não só com o impacto da sua cadeia produtiva no meio ambiente, mas também no âmbito socioeconômico. 

É preciso se questionar: essa marca está realmente preocupada com o meio ambiente, ou o que ela quer é se auto-promover em cima de iniciativas sustentáveis? Por isso, os consumidores devem estar atentos. 

Marcas que estão genuinamente interessadas na preservação da natureza transparecem isso em seu discurso. As peças e embalagens também costumam vir com certificações de que a produção e/ou o produto realmente é ecológico. Todos esses detalhes fazem a diferença para um mundo melhor e mais verde.

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