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Microsoft quer captar R$ 100 milhões até 2024 para empreendedorismo feminino

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Foto Brooke Lark (Unsplash)

A presença de mulheres em startups vem crescendo nos últimos anos, mas ainda é pequena. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), a participação feminina nessas empresas é de apenas 14,52%. Quando analisamos os cargos de liderança nas organizações de base tecnológica, o índice é ainda mais impressionante: cerca de 2%. Para tentar colaborar com a mudança dessa realidade, a Microsoft lançou o WE, um programa de estímulo ao empreendedorismo feminino.

A iniciativa conta com o apoio do Sebrae, do Bertha Capital e da Belvedere Investimento, e tem o objetivo de reduzir a lacuna entre o número de empreendedores homens e mulheres no Brasil.

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Como funciona

O programa é composto por dois pilares: o Fundo de Investimento em Participações de Capital Semente e o Portal WE. O fundo já conta com R$ 50 milhões e, segundo a Microsoft, tem o objetivo de captar R$ 100 milhões até 2024. As startups receberão aportes que vão de R$ 500 mil a R$ 5 milhões.

Por meio do Portal WE, as líderes das empresas selecionadas terão acesso a capacitação de negócios e de tecnologias digitais, além de mentoria técnica com especialistas em marketing, administração, finanças e programação.

Em comunicado oficial, o vice-presidente da Microsoft Participações diz que a iniciativa pode gerar uma espécie de efeito dominó no empreendedorismo feminino. A vice-presidente da ABStartups, Tania Gomes, concorda.

 

“Toda vez que se investe em mulheres, essas mulheres se preocupam com outras ao seu redor, empregam outras mulheres”

Tania Gomes, vice-presidente da ABStartups

“Pra mim, a grande questão de termos mulheres à frente de negócios é que a gente empodera outras mulheres, a gente faz com que essas mulheres se sintam confortáveis em posições de liderança”, diz Tania, em entrevista ao Whow!.

Ainda segundo ela, os aportes robustos oferecidos pela Microsoft são importantes, porque têm capacidade de transformar startups e permitem que essas empresas ganhem escala e mudem de nível.

“O dinheiro tá na mesa e também é acessível para mulheres. Isso é incrível pra quem precisa fazer seu negócio escalar”

Tania Gomes, vice-presidente da Associação Brasileira de Startups

Obstáculos e estímulos

Uma pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor em parceria com o Sebrae apontou que as mulheres foram responsáveis por metade dos negócios abertos no Brasil em 2018. Em compensação, de acordo com a Rede Mulher Empreendedora, apenas 28% delas se sentem seguras com a gestão financeira do seu negócio.

A apreensão não é infundada, afinal, os desafios financeiros enfrentados por mulheres que decidem empreender começam antes mesmo de elas abrirem as empresas.

Arte NY Times

Segundo o Boston Consulting Group, as mulheres têm mais dificuldade para captar investimentos, e chegam a receber US$ 1 milhão a menos, ainda que seus negócios gerem mais receita do que os fundados por homens.

Os fundos de investimento, no entanto, estão percebendo cada vez mais a importância de ter diversidade em seus portfólios.

No Brasil, alguns movimentos para fortalecer o papel das mulheres nos ecossistemas de empreendedorismo e inovação têm se destacado. É o caso da MIA – Mulheres Investidoras Anjo. Fundado em 2013, o movimento estimula o investimento-anjo feminino para apoiar empreendedoras de startups.

A Rede Mulher Empreendedora é outro caso de sucesso no país. Trata-se da maior plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil: possui 100 embaixadoras e 50 influenciadoras, além de um grupo no Facebook com mais de 57 mil membros.

Inspiração

Apesar dos desafios, nem sempre a trajetória de mulheres empreendedoras é marcada pela discriminação de gênero. A arquiteta Marcia Milanez, fundadora do Upik-Arquiteto de Bolso, é prova disso. Em 2016, com o propósito de democratizar a arquitetura, ela montou um escritório móvel em um trailer, especializado em espaços pequenos e projetos rápidos.

O negócio deu tão certo que ela e o sócio perceberam que, para escalar, precisariam deixar o escritório físico de lado e passar a atuar digitalmente. A empresa entrou em uma aceleradora e, desde então, não para de crescer. Marcia garante que nunca sentiu preconceito dos investidores pelo fato de ser mulher.

“Acho que é uma questão de postura. Trabalho com obras, em ambientes predominantemente masculinos, desde os 17 anos, então estou acostumada a me impor”, diz.

“Além disso, os ambientes de startups são mais abertos às diferenças, e arrisco dizer que dão até mais espaço para mulheres do que escritórios tradicionais”

 Marcia Milanez, fundadora do Upik-Arquiteto de Bolso, ao Whow!

Para as mulheres que estão entrando agora no mundo dos negócios, ela deixa um conselho: “Não permitam que sejam tratadas como ‘menores’, porque não somos; somos iguais”.

 

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