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Tecnologia

O mercado revolucionário das Deep Techs

Com uma economia de bilhões de dólares, a deep tech é ponto em que as startups se encontram com grandes descobertas científicas

POR Carolina Cozer | 09/10/2019 16h24 Image: KJ Pargeter (Freepik) Image: KJ Pargeter (Freepik)

Deep tech, ou ‘tecnologia profunda’ se refere a empresas e negócios que são diretamente ligados às áreas da medicina, engenharia, química, biologia, física e matemática, com foco nos desafios e disrupções proporcionadas por esses segmentos. De modo geral, estão relacionadas à capitalização de grandes descobertas científicas.

Definindo a tecnologia profunda

Como tecnologia e startups são termos que não andam mais separados, houve a necessidade de criar uma nova nomenclatura, que fosse distinta e representasse exclusivamente corporações que tratam de novas invenções, e não apenas de aprimoramentos daquilo que já existia.

O termo ‘deep tech’ foi cunhado pela CEO Swati Chaturvedi, da Propel (x), plataforma de investimento-anjo em startups com esse enfoque. 

No blog oficial da Propel (x), as startups de tecnologia profunda são classificadas como aquelas que compartilham as seguintes qualidades:

Desenvolvimento a partir de anos de pesquisa e testes em laboratório
Posse da propriedade intelectual
Conselho técnico, além do conselho comercial

deep tech Foto Panumas Nikhom (Pexels)

Diferenças entre inovação, disrupção e deep tech

O jornal alemão Deutsche Welle (DW) conceituou esse paralelo usando o Uber como exemplo, por ser uma disrupção que, muitas vezes, é confundida com inovação – mas que não é

“Você acha que o Uber é inovador? Bom, ele está trazendo disrupção a todo um setor, e tem milhões de clientes todos os dias; porém, ele apenas alavancou a economia do compartilhamento e construiu seu serviço usando as tecnologias já existentes. Em outras palavras, não reinventou a roda; apenas tornou ela, sem dúvida, melhor”

jornal alemão Deutsche Welle

Segundo Swati Chaturvedi, exemplos de tecnologia profunda no segmento de transportes incluiriam veículos autônomos, carros voadores ou outras tecnologias transformadoras semelhantes. De forma sintetizada, toda deep tech é disruptora, mas nem toda disrupção é inovadora.

Serviços de nuvem

Carros autônomos

Big data

Blockchain

Machine learning

Realidade aumentada e virtual

Computação quântica

Delivery autônomo

Órgãos artificiais

Visão computacional

Reconhecimento de fala

Hambúrgueres sem vaca

Cases recentes das deep techs

Útero sintético

Em 2017, cientistas da Universidade Tohoku, no Japão, desenvolveram um mecanismo com funções semelhantes às do útero, sendo capaz de desenvolver bebês de ovelhas em estágio final da gestação. Neste ano, a pesquisa foi aprimorada, e já é possível gestar cordeiros extremamente prematuros, para que se desenvolvam até a fase final. A intenção dos pesquisadores é que esse procedimento possa atender bebês humanos, uma vez que o nascimento prematuro é uma das principais causas de mortes em crianças de até cinco anos de idade.

Sensores de odor

Quem nunca sonhou com o dia em que os cheiros dos programas de culinária pudessem ser transmitidos pela tela da TV? Pois isso está, finalmente, se tornando realidade, através da deep tech. A startup japonesa Aroma Bit desenvolveu sensores que emulam o olfato humano, sendo capazes de captar aromas através de interações entre moléculas de odor e superfície do elemento, que são expressadas por padrões. A empresa pretende impactar não apenas os setores de alimentos, bebidas e perfumarias, mas também estabelecer novas soluções para máquinas industriais e até diagnósticos de doenças.

Bio-banheiros e cidades sem esgotos

Projetos no Haiti e na Índia estão desenvolvendo banheiros autônomos que não necessitam de esgotos e são capazes de descartar e tratar o próprio lixo de modo totalmente independente, através de bactérias decompositoras. Outros projetos envolvem o desenvolvimento de banheiros químicos cujo conteúdo de coleta possa ser 100% utilizado como adubos para as cidades. São soluções de grande importância não somente para meio ambiente, mas também para a saúde de moradores de locais sem saneamento básico. 

Mercado global

Uma pesquisa feita pela Boston Consulting Group aponta que os campos de deep tech que receberam maior capitalização em 2018 foram biotecnologia (US$ 18,6 bilhões), seguido por inteligência artificial (US$ 14,5 bilhões), fotônica e eletrônica (US$ 11,2 bilhões) e drones e robótica (US$ 8 bilhões). 

O crescimento do mercado foi de 22% entre 2015 e 2018, tendo a China, Coréia do Sul e Alemanha como os países que mais receberam financiamentos nesse segmento.


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