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O mercado de pesquisa de células-tronco e suas startups

Pesquisas mostram força do mercado na América do Norte e Europa, com movimentação capital anual superior a US$ 290 milhões

POR Carolina Cozer | 25/09/2019 19h08 O mercado de pesquisa de células-tronco e suas startups Imagem: Unsplash

De acordo com uma pesquisa feita pela QY Research sobre o mercado global de pesquisa em células-tronco a indústria foi avaliada em US$ 290 milhões em 2017, com prospecção para chegar a US$ 610 milhões até o fim de 2025. Contudo, alguns impedimentos ainda seguram as rédeas do mercado, como além da desinformação acerca do tema e a falta de infraestrutura adequada para algumas atividades.

Os Estados Unidos são os maiores pesquisadores e consumidores da indústria, com uma participação de quase 51% em 2016. Em seguida aparece a Europa, com 25% de importância no mercado. Ásia-Pacífico, América Central e do Sul , Oriente Médio e África aparecem na sequência, mas com índices inferiores.

Porém, um estudo da Grand View Research aponta que, no mercado asiático, há um crescimento constante nas pesquisas, especialmente em Cingapura e no Japão, que deverão impulsionar o mercado da Ásia-Pacífico nos próximos anos.

Os Estados Unidos são os maiores pesquisadores e consumidores da indústria, com uma participação de quase 51% em 2016. Em seguida aparece a Europa, com 25% de importância no mercado

Uma pesquisa da ResearchAndMarkets.com indica que as áreas de maior relevância no mercado de células-tronco são:

  • Consumíveis (Soro Fetal Bovino);
  • Equipamento (biorreator, centrífuga, incubadora, microscopio, autoclave);
  • Aplicação (vacinas, proteínas terapêuticas);
  • Usuário final (farmacêutico e pesquisa).

Pesquisa sem embriões e sem testes em animais

A Pluricell Biotech é a primeira startup do Brasil a trabalhar na área da medicina regenerativa com tecnologia celular. O foco da empresa é a pesquisa das células-tronco pluripotentes, para tratamento de insuficiência cardíaca congestiva (ICC) – doença que acomete 26 milhões de pessoas em todo o mundo – cujos custos tradicionais de tratamento são tremendos.

celulas tronco Imagem: Unsplash

A startup foi criada em 2013 pelo biólogo Diogo Biagi e pelo médico Alexandre Pereira, quando desenvolveram um método capaz de transformar qualquer célula adulta em outras células específicas, evitando, assim, a utilização de tecidos embrionários e testes em animais.

A empresa recebeu financiamento de R$ 400 mil da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para sua abertura, e logo no primeiro ano conseguiu uma receita de R$ 110 mil em vendas. Atualmente, estão sendo incubados pela USP/Ipen-Cietec e receberam investimento de US$ 1 milhão pela Libbs Farmacêutica.

No início do ano, a Pluricell foi selecionada para participar da eMerge Americas 2019, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, que ocorre em Miami e mais recentemente foi contemplada pela StartOut Brasil para participar do ciclo de internacionalização em Boston.

Célula-tronco veterinária

A carioca Cellen, residente da Incubadora de Empresas COPPE/UFRJ, investe em medicina veterinária regenerativa com células-tronco para prolongar a vida de animais de estimação, criando e armazenando seringas com milhões de células que podem ser usadas para tratamentos diversos.

A empresa surgiu em 2016 através da pesquisadora veterinária Luciana Figueiredo, que já trabalhava com células-tronco, mas não sabia como empreender. Ao serem selecionados pela Incubadora da COPPE/UFRJ, e ao receber apoio do SEBRAE, se lançaram no mercado e começaram a trabalhar na captação de clientes. Hoje, são um dos poucos bancos de células-tronco para uso veterinário existentes no país.

A startup já proporcionou cura a casos muito distintos de animais, mas tem trabalhado, principalmente, com cavalos de corrida fraturados, proporcionando novas chances no esporte.

Segundo o site oficial da empresa, as principais áreas de aplicação de células-tronco em uso veterinário são:

Lesões Ortopédicas

Lesões Neurológicas

Lesões Oculares

Doença Renal

Doenças Imunomediadas

Atualmente, a Cellen busca investir no crescimento do negócio, mas também em capacitar novos veterinários para a Terapia Celular, pois esse tipo de medicina ainda é muito pouco difundido na área. Para os próximos anos, a meta é começar a produzir seringas em escala industrial, através de investidores, para aumentar o projeto e baratear os custos do produto.


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