Matchbox usa employer branding e marketing para turbinar RH de empresas - WHOW
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Matchbox usa employer branding e marketing para turbinar RH de empresas

A startup do setor de recursos humanos conta com uma plataforma digital em que é possível acompanhar e agir em toda a jornada do colaborador de forma personalizada

POR Marcelo Almeida | 17/12/2021 18h16 Matchbox usa employer branding e marketing para turbinar RH de empresas

A Matchbox é uma empresa relativamente nova, criada em 2017, mas que já alcançou um crescimento expressivo com suas soluções que auxiliam os RHs das organizações a ter uma visão mais ampla e compreensiva do processo de recrutamento e seleção. A startup otimiza esse processo por meio de estratégias de employer branding e marketing de recrutamento, além de contar com uma plataforma tecnológica, denominada Spark.

O fundador dessa empresa é Kleber Piedade. Formado em Publicidade pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), ele atuou na área de marketing em empresas como Diageo, Kodak e BASF antes de decidir começar a empreender.

Essa mudança ocorreu em 2011, quando ele fundou a empresa Seja Trainee, que já tinha uma proposta voltada para soluções em RH, mas com um modelo diferente da Matchbox, mais voltada para projetos, além de não ter o mesmo potencial de escalabilidade e de desenvolvimento tecnológico.

Piedade começou a companhia com um aporte próprio de R$ 20 mil e apostando no bootstrapping para dar início à Seja Trainee. Após seis anos, ele percebeu que a companhia havia atingido um plateau e decidiu fazer um spin-off da empresa, surgindo nesse momento a Matchbox.

Dessa vez, no entanto, ele já contou com uma rodada de investimentos para ajudá-lo no desenvolvimento da companhia. O CEO da Matchbox, no entanto, diz que sempre buscou crescer de forma sustentável.

“Sempre foi muito importante para mim dar passos com segurança e pensar no crescimento sustentável do negócio. A Matchbox chega esse ano a um faturamento de R$ 7 milhões com um Ebitda de 15% positivo, estamos quase dobrando a companhia. Em todos anos de nossa história nós tivemos um Ebitda positivo. Então a gente cresce, investe bastante no time, mas sempre pensando na questão da sustentabilidade do negócio”, afirma ele.

Segundo Kleber, desde quando ele trabalhava no mercado corporativo ele já tinha um perfil intraempreendedor (profissionais que buscam oportunidades para empreender e inovar dentro da empresa em que atuam como colaboradores), pensando em novas formas de gerar valor para o negócio.

“Em 2011, quando eu comecei a empreender, eu vi que tinha um gargalo muito grande na relação entre talentos e empresas. É um desafio muito importante porque os talentos estão cada vez mais exigentes, buscando feedback, querendo ter relações mais ágeis e conectadas com as empresas e quando eu fundei a Matchbox foi com o intuito de aproximar esses dois lados e ajudar as empresas a criarem jornadas e experiências mais bacanas e mais ágeis a seus talentos. E meu background de marketing me ajuda muito no que a gente quer conquistar: ajudar o RH a revolucionar a forma como ele se relaciona com os talentos ao longo de toda a jornada”, afirma Piedade.

Ele afirma que todo o mindset que ele adquiriu trabalhando com marketing e vendas no mercado corporativo ele aplica na startup para ajudar as empresas a olharem as jornadas dos talentos de forma mais prática e mais ágil.

Jornada do talento

Piedade usa como um dos pilares fundamentais de sua abordagem a jornada do talento, que seria basicamente toda a trajetória que o profissional tem em relação a uma empresa, muito antes de começar a trabalhar dentro dela.

“O talento hoje em dia tem um comportamento em relação a optar por onde ele deseja trabalhar muito semelhante ao processo de compra, ele vai no Linkedin, ele conversa com as pessoas, ele vai no Glassdoor e participa de um evento, ele tem muitos pontos de contato com a empresa antes de decidir se candidatar a determinada vaga”, afirma o CEO da Matchbox.

Segundo ele, torna-se necessário criar uma jornada mais conectada, personalizada e empática aos talentos para suprir uma demanda por bons profissionais nas empresas.

Além disso, ele afirma que a atuação da companhia também é voltada para a retenção dos talentos, já que o tempo médio que uma pessoa atua em uma big tech acaba ficando em torno de 1 ano e meio.

“É um tempo curto, então como eu consigo aumentar esse período e também aumentar o valor gerado pelo colaborador para a companhia durante esse período. Então quando a gente olha para toda essa jornada, do primeiro ao último ponto de contato que o colaborador tem com a empresa, conseguir olhar para toda essa jornada e ter uma plataforma que ajude as empresas a olhar e gerenciar toda essa jornada é algo que muda o jogo na nossa visão”, resume o CEO.

Para ele, um grande diferencial da companhia é que ela não se limita ao processo de seleção e recrutamento, buscando acompanhar a jornada do talento durante todo o tempo em que ele atua na companhia.

Plataforma Spark

A empresa disponibiliza ao RH das companhias a plataforma Spark, que permite ter uma visão mais ampla das jornadas dos talentos e se comunicar com cada colaborador de forma personalizada, buscando manter um contato próximo com eles.

“Na plataforma ele tem a possibilidade de captar contato dessas pessoas, criar jornadas de relacionamento e usar isso para se relacionar com colaboradores, criando jornadas de mensagens específicas, aumentando o engajamento”, diz Piedade.

Employer Branding e marketing de conteúdo

Outro ponto importante da abordagem da Matchbox é a questão do employer branding, que está associada com construir uma marca mais atrativa para os colaboradores.

Geralmente as empresas acabam fazendo um branding pensando na venda dos produtos, mas também é necessário, de acordo com essa concepção, ser capaz de atrair colaboradores por meio de uma imagem bem cultivada, de boas práticas, de uma boa cultura organizacional, dentre outros aspectos.

Para conseguir isso, são usadas táticas de marketing, como inbound, engenharia de performance, marketing de conteúdo, levando isso ao RH para atrair e nutrir o relacionamento com os talentos.

Perfil dos colaboradores

Questionado se ele considera que ocorreu uma mudança no perfil dos colaboradores, até por conta de uma influência mais geracional, levando-os a se importar mais com o perfil das empresas em que atuam, quais são seus valores e se a cultura organizacional é saudável, ele afirma que sim.

“A gente vê os jovens muito mais conectados com questões de propósito e alinhamento de valores, que têm se tornado muito importante. Além disso, a questão de empresas abertas à diversidade, onde as pessoas podem ser elas mesmas, com flexibilidade para conciliar sua vida profissional com a pessoal, tem sido bastante importante”, afirma Piedade.

Números e planos para o futuro

O ano de 2021 acabou sendo bom para a companhia. Após enfrentar as dificuldades provocadas pela pandemia, em 2021 eles passaram de 40 colaboradores, no começo do ano, para 88. Além disso, o faturamento passou de R$ 3,7 mi para R$ 7 milhões, alta de 85%.

Além disso, em janeiro próximo eles devem concluir uma captação de R$ 8 milhões para expandir ainda mais a companhia.

“Nosso sonho grande é mudar as regras do jogo em RH, que daqui a 3 ou 4 anos os profissionais olhem para trás e pense ‘nossa, não acredito que em 2021 eu me relacionava com talentos daquele jeito’. A gente que relações muito mais fluídas, mais empáticas e muito mais ágeis com os talentos”, resume o CEO da Matchbox.

Para 2022, a companhia pretende crescer 115%, passando de R$ 15 milhões de receita. Além disso, pretendem levar a plataforma Spark, presente em 30 clientes atualmente, para mais de 150. Além disso, até o final de janeiro devem receber um investimento de R$ 8 milhões.

“Os próximos capítulos da história vão ser divertidos”, conclui Piedade, mostrando otimismo para o futuro.

Embora a empresa foque em atender clientes com mais de 200 colaboradores, eles têm planos para criar soluções mais em conta para empresas menores.