Mais que só um jogo: o mercado bilionário dos games - WHOW

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Mais que só um jogo: o mercado bilionário dos games

Batendo recordes, este mercado deve movimentar mais de US$ 200 bilhões até 2023 no mundo; no Brasil a participação do setor é composto por 96,8% de pequenas e médias empresas

POR Daniel Patrick Martins | 10/09/2021 18h03 games games

Em quase todos os segmentos da economia houve algum reflexo da pandemia causada pelo novo coronavírus. No mercado de games, este impacto foi extremamente positivo. Em 2020, o setor movimentou entre US$ 10 bilhões e US$ 11 bilhões, maior percentual desta indústria pela série histórica, com aumento de 15% em relação ao ano anterior, segundo dados da Nielsen.

Mas este fenômeno econômico não é de hoje. Dados de 2018 mostravam que no Brasil tinha 375 empresas na indústria dos games, segundo o 2º Censo de Indústria Brasileira de Jogos Digitais, levantamento realizado pela consultoria Homo Ludens e publicado, a época, pela Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura. No censo, também foi identificado que 96,8% das empresas fornecedoras de produtos e serviços do setor eram PMEs, com faturamento anual abaixo dos R$ 3,6 milhões.

“Podemos observar investidores que cada vez mais veem potencial neste setor, que fatura mais que o cinema e música somados. O game sozinho é um mercado horizontal: existe espaço para jogos em si, além das soluções de programação, treinamentos para empresas que utilizam a gameficação, marketing e até soluções gráficas”, analisa João Guilherme Paiva, cofundador da Playbor, empresa de consultoria e pré-aceleradora de games, em entrevista a Gazeta do Povo.

As perspectivas a longo prazo são positivas, pois este segmento confere, além de inovação, oportunidades aos empreendedores, fomentando a multiplicação de novos negócios para as variadas demandas existentes na indústria dos games e de seus públicos. Como modelo de negócios, podemos citar: jogos de entretenimento, jogos de educação, jogos para saúde, VR games (realidade virtual), serious games (treinamento e negócios), gameficação, advergames (publicidade) e social games, entre outros, sendo as principais plataformas de disponibilização os consoles, computadores e celulares.

“Esse mercado não para de crescer porque ele oferece um conteúdo muito mais ativo e dinâmico do que o dos seus concorrentes. Enquanto os esportes tradicionais, como o futebol, por exemplo, têm muita dificuldade em apresentar novidades, os games estão mudando o tempo todo — e isso está acontecendo em uma era que demanda e processa informações muito rapidamente”, analisa Beto Vides, sócio-fundador da agencia eBrainz, empresa especializada no setor de games, em entrevista a Istoé.

Outra previsão é que até o final de 2023 o faturamento do setor de jogos digitais alcançará mais de US$ 200 bilhões no mundo, segundo relata a consultoria internacional Newzoo. Os dados também informam que houve aumento de 5,4% no número de pessoas que jogam regularmente em consoles, computadores e celulares, entre 2019 e 2020, chegando a 2,69 bilhões de usuários ativos no globo. Já no Brasil, são 67 milhões de gamers, que equivale a 38% da população brasileira, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, realizada e divulgada durante a quarentena em 2020.

“Esse é um mercado que atravessa crises com bastante sucesso mesmo diante das adversidades. É o que a gente está vivendo agora. Há visibilidade para quem já tem produtos ou está lançando produtos. O lado bom da crise é que tem mais gente olhando para nós”, acredita Paulo Luis Santos, CEO da Flux Games, em entrevista ao Estadão.