Mais Mu: o empreendedor por trás da marca que populariza o Whey - WHOW

Pessoas

Mais Mu: o empreendedor por trás da marca que populariza o Whey

Em entrevista exclusiva, Otto Guarnieri, fundador da Mais Mu, revela detalhes da jornada empreendedora

POR João Ortega | 28/10/2021 19h39

Foi-se o tempo em que alimentação saudável e suplementos estavam restritos às lojas de nicho. Hoje, supermercados, farmácias e lojas de conveniência já contam com opções deste segmento nas prateleiras. A Mais Mu é uma das marcas pioneiras neste movimento, com produtos tanto para quem busca performance quanto para o cliente que apenas deseja opções mais saudáveis em sua rotina. 

De acordo com levantamento da IQVIA, o mercado brasileiro de suplementos cresceu 48% somente em 2020 no Brasil. Não à toa, a Mais Mu, já bem posicionada neste mercado, faturou R$ 17,5 milhões no ano passado, conta com 40 funcionários e 7 fábricas terceirizadas. A expectativa em 2021 é de alcançar R$ 30 milhões de receita e transacionar 400 toneladas de alimentos. 

O início da jornada

Tudo começou em 2014, quando Otto Guarnieri, então um aluno de administração, voltou de um período de intercâmbio estudantil na Europa. Lá, ele percebeu que o Whey Protein, proteína de soro de leite usada para suplementação alimentar, não estava restrita a lojas de nicho. Com essa ideia, ele chegou ao Brasil e decidiu empreender ainda durante o curso de graduação.

Ao lado de dois sócios – um administrador e um nutricionista -, Otto criou a Mais Mu, cujo diferencial para outras marcas de suplementação era “sabor, praticidade e identidade visual”, segundo o empreendedor. Depois, entrou um quarto membro na sociedade, especializado na parte de engenharia de alimentos. Durante três anos, a empresa cresceu com este segmento de produtos, sempre buscando parceiros para uma distribuição além dos canais tradicionais deste setor. 

O diferencial do negócio surgiu em 2017, quando decidiram ir além da proteína em pó. Lançaram um cappuccino pronto, em que o leite é substituído pelo Whey, sem açúcar, e com canela, tornando o produto mais saudável. “Lançamos o primeiro produto que não era um produto a base de proteína, mas um produto com proteína. E deu super certo”, diz Guarnieri. 

Rapidamente, a Mais Mu se dividiu em duas verticais: uma marca de suplementação focada em performance, a Muke, e outra para o público geral, visando a alimentação saudável, chamada de +Mu. “Produtos que as pessoas realmente gostem, mas que sejam saudáveis e disponíveis em todos os lugares”, descreve o empreendedor. Hoje, o faturamento está dividida quase igualmente entre as duas verticais. 

“Vimos muitas marcas saudáveis nascerem neste período, mas a maioria continua nas lojas nichadas. Só que o mercado evoluiu de tal forma que as vencedoras conseguiram entrar nos supermercados. Por outro lado, grandes marcas também começaram a entrar neste segmento. Nunca imaginamos que um player como a Danone iria lançar uma bebida proteica. É um movimento interessante”, analisa Otto Guarnieri. “Se antes as marcas nasciam de empreendedores com propósito, hoje vemos uma efervescência de produtos surgindo por uma questão de oportunidade de mercado, empreendedores que querem aproveitar um mercado que está crescendo”.

Desafios do crescimento

Conforme a empresa foi ganhando mercado, algumas questões surgiram para os empreendedores. O que terceirizar e o que manter como core? Como levantar capital? Em que medida é preciso se envolver na operação?

Otto Guarnieri e seus sócios decidiram que toda a parte de produção industrial seria terceirizada, assim como a logística. A Mais Mu ficou focada, portanto, no desenvolvimento de produto, criação de marca e distribuição multicanal. 

Em relação a financiar o negócio, o caminho escolhido pelos empreendedores foi o Equity Crowdfunding. Trata-se de um formato de investimento em que diversas pessoas físicas aplicam quantias pequenas de dinheiro, por meio de uma plataforma digital, e se tornam sócios não operacionais. Segundo Otto, este modelo tem como benefícios criar uma rede totalmente engajada e promotora da marca, abrir mão de uma fatia pequena da empresa (em comparação ao investimento tradicional de Venture Capital) e permitir continuar à frente do projeto no longo-prazo, sem se sujeitar às decisões de fundos de investimentos. Por outro lado, uma rodada inicial neste modelo dificulta a entrada de capitalistas de riscos no futuro. 

Já respondendo a questão do envolvimento dos sócios na operação, Otto Guarnieri afirma: “O que te faz tirar o negócio do chão não é o que te faz escalar o negócio. A mão na massa, a força de vontade, a inocência corajosa que tínhamos no início não são as habilidades necessárias no negócio hoje. Pelo contrário, caso mantivéssemos o mesmo mindset, iríamos atrapalhar o andamento da empresa”. 

“A minha função é não atrapalhar o time, o que não significa ficar parado sem fazer nada. É dar a direção, criar alinhamento, tornar os processos eficientes e buscar formas de perenizar o negócio. Se os sócios fundadores se intrometerem demais, mais atrapalham que ajuda. É uma grande dificuldade, porque o empreendedor costuma ter um viés emocional e sempre quer botar a mão na massa”, completa Guarnieri. 

Estratégia multicanal

O momento da Mais Mu é de ganhar maturidade multicanal. Isso significa compreender quais produtos, que tipo de atendimento, de marketing e de técnicas de venda funcionam para cada canal. “Crescemos totalmente sem noção de canal. Sabíamos que o caminho era estar em todo lugar, mas sem o entendimento de que cada canal corresponde a uma oferta diferente”, revela o empreendedor. “Ao longo do tempo, percebemos que um mesmo produto que funciona em uma loja de suplementos não funciona da mesma forma em um supermercado. Então, passamos a trabalhar melhor o sortimento por canal, e o atendimento certo no canal certo, o marketing certo no canal certo”.

“No caso de um supermercado, faz parte da estratégia ter promotores de venda. No e-commerce, é ter um profissional olhando a venda de uma forma mais analítica”, explica. “Loja online própria é o maior canal para quem quer ter acesso à toda a gama de produtos e ter um atendimento especializado. Mas se o cliente quer uma cesta mais ampla, que vá além da Mais Mu, ele pode comprar na Amazon, por exemplo”.

Ao mesmo tempo, os empreendedores, cuja marca já está presente em todas as regiões do Brasil, olham para um futuro internacional. “Esse ano fizemos nossa primeira exportação e, no ano que vem, teremos um time focado para a internacionalização”, finaliza Otto Guarnieri.