Luana Ribeiro, fundadora da DevApi, revela como é empreender com TI - WHOW

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Luana Ribeiro, fundadora da DevApi, revela como é empreender com TI

A empreendedora teve sucesso em seu terceiro negócio e dá dicas para outros empreendedores na área de tecnologia

POR João Ortega | 12/08/2021 18h37

Abrir uma loja de produtos de informática aos 18 anos de idade requer coragem. Fechar o negócio com uma dívida de R$ 300 mil, construir uma carreira para pagar as contas e largar tudo para empreender novamente exige uma certa dose de loucura. Agora, fazer tudo isso sendo uma das únicas mulheres no mercado de TI (Tecnologia da Informação) demanda uma força extraordinária. 

Luana Ribeiro, paulista de 28 anos que cresceu no Paraná, é a fundadora da DevApi, empresa da área de integração de sistemas por meio de APIs. Desde dezembro, a startup aumentou em 44% o volume de usuários e transacionou 30 milhões de dados só neste ano. Em abril, ela vendeu o negócio para a TIVIT, gigante do setor de tecnologia. Com isso, ganhou a chancela de empreendedora de sucesso. Mas nem sempre foi assim.

A jornada empreendedora

Luana decidiu abrir uma loja física de produtos de informática logo depois de entrar na faculdade de ciências da computação. “Não sei quem foi mais louco, se fui eu ou foi o banco, porque eu pedi um empréstimo e o banco deu”, conta a empreendedora em entrevista exclusiva. 

O negócio não deu certo e ela acabou com uma dívida de cerca de R$ 300 mil. “Decidi que nunca mais iria empreender”, relembra.  Luana continuou estudando, começou uma carreira tradicional e, ao longo de anos, juntou dinheiro para pagar a quantia.

No início da década de 2010, era muito mais raro encontrar mulheres no mercado de tecnologia. “Foi muito solitário. Depois que fechei a loja física, fiquei com muito medo de não passar nas entrevistas para vagas de programação porque só tinham candidatos homens”, explica. “Eu passei, e fui a única mulher desde que entrei até o momento em que eu saí daquela empresa. Não sofri preconceito. Pelo contrário, por ter trilhado um caminho que nenhuma mulher ali tinha percorrido, tinha um grande respeito”.

O problema é que, mesmo ganhando bem e em uma posição consolidada, seu conceito de sucesso era outro. “Eu não me sentia feliz. Percebi que não era dinheiro, e me vi com vontade de voltar para o empreendedorismo”, recorda Luana. Foi em 2019 que ela voltou a este universo e fundou sua segunda empresa: a DevNinjas. Tratava-se de uma “fábrica” de softwares, em que outras empresas a contratavam para desenvolver programas. Segundo a empreendedora, no entanto, o negócio não foi para frente por falta de possibilidade de escala. 

Por isso, no ano seguinte, ela fundou sua terceira empresa. Dessa vez, uma startup com todos os pré-requisitos: repetibilidade, tecnologia e modelo de negócio escalável. A DevApi surgiu para resolver o problema de integração de sistemas, especialmente para empresas que estavam presentes tanto no ambiente físico quanto no digital. 

“O empreendedor que tem uma loja física está conhecendo a tecnologia porque viu o que aconteceu durante a pandemia. O maior transformador digital do país foi a Covid. O pequeno lojista vê a necessidade de se digitalizar pelo que ele vê na mídia, lê nos jornais. Não à toa, o e-commerce cresce exponencialmente. Quando eu falo com o pequeno lojista, normalmente ele já vem educado neste sentido”, conta Luana Ribeiro. 

Surfando na tendência da digitalização, a startup cresceu e rapidamente atraiu interesse da TIVIT, que também via a importância da integração de sistemas no contexto atual. “Vender a DevApi nunca foi o objetivo”, recorda Luana. “Na verdade, eu estava buscando uma nova rodada de aporte quando a TIVIT veio falar comigo. Achei que seria um cliente, mas no primeiro papo já veio uma proposta de aquisição”. 

Segundo a empreendedora, ao receber uma proposta de investimento, fusão ou aquisição, é preciso avaliar se a parte interessada tem a capacidade de impulsionar o negócio. “O acesso que ela pode dar a mercados, a capital, a canais de distribuição, a expertise e a estrutura”, detalha Luana, que viu essas qualidades na operação da TIVIT, e por isso acertou a venda. 

Como uma boa empreendedora serial, a paulista já tem em mente seu próximo negócio. “Posso dizer que será na área de tecnologia, mas não de integração, APIs, nem nada muito semelhante. Olho para onde está a demanda, e nesse sentido penso em explorar a falta de profissionais de tecnologia para o mercado”, revela Luana Ribeiro.

Os desafios do empreendedorismo

A parte financeira foi a maior dificuldade de Luana enquanto fundadora de três empresas diferentes. “O grande desafio foi a falta de estímulo de crédito. O Brasil não é um país para empreendedores. Quando você começa, é tudo muito caro. A alta carga tributária também dá uma desanimada. E, para contratar um programador, você precisa oferecer um salário alto, CLT e tudo mais”, diz. 

Nesse sentido, a empreendedora afirma, também, que não se deve se enganar pelos aportes milionários que são cada vez mais frequentes na mídia. “Hoje, se fala muito em aporte, mas os investidores só acreditam na empresa depois que ela já está mais avançada. Eu só consegui o primeiro aporte depois de investir muito sozinha”, complementa. 

Outro ponto importante é saber apresentar a solução ao cliente, especialmente quando se trata de um produto de alta densidade tecnológica. “Faço analogias que expliquem o benefício dentro da realidade dele. Eu desenho a operação do cliente em potencial e mostro todos os pontos a que posso oferecer integração e automação”, revela Luana. 

Por último, a fundadora da DevApi fala sobre um desafio de comportamento, que muitas vezes pode minar a trajetória do empreendedor. “Quando comecei, não tinha ninguém em quem me espelhar. Pode parecer ruim, mas tem um lado positivo: eu não me comparei com ninguém. Meu principal conselho é não se comparar, não olhar para a grama do vizinho, e seguir seu caminho”, finaliza Luana Ribeiro.