Loggi quer disputar com a Rappi serviço B2B com foco em PMEs - WHOW
Vendas

Loggi quer disputar com a Rappi serviço B2B com foco em PMEs

A Loggi procura desenvolver seu braço de atendimento a PMEs com lojas físicas, que querem vender online para acompanhar a empresa colombiana no segmento B2B

POR Raphael Coraccini | 27/01/2020 11h50 Loggi quer disputar com a Rappi serviço B2B com foco em PMEs Imagem: Freepik

A malha viária brasileira não tem para onde crescer em praticamente nenhuma das grandes cidades do País. Refém deste modelo de transporte, o País tem necessidade de encontrar novas soluções de organização supereficiente do tráfego e da demanda para poder atender uma mudança estrutural e definitiva no perfil do consumo. As pessoas, cada vez mais, deixam de ir até o produto e esperam que o produto vá até elas.

Essa mudança criou a disputa de logística urbana e delivery que foi responsável pelo crescimento de alguns unicórnios sul-americanos, como iFood, Loggi e Rappi. Reservado ao sistema de entrega alimentar, o pioneiro iFood deixou espaço para Rappi e Loggi concorrerem pela entrega de tudo o mais que não for perecível.

Nessa batalha, a Rappi já tem uma atuação tanto no B2B quanto no B2C, ou seja, entre empresas e da empresa ao consumidor final, conseguindo abranger também pequenos e médios negócios.

Enquanto isso, a Loggi tem atuado focada na entrega ao consumidor final, apenas. Mas a empresa trabalha para se aproximar da pequena e média loja, que carece de um serviço eficiente de logística, já que ela não tem capacidade operacional para oferecer sozinha. E por isso, a empresa busca observar as novas soluções do mercado voltadas para esse público em específico.

Loggi Foto (Unsplash)

Há duas semanas, o CEO da Loggi, Fabien Mendez, reuniu-se com o CEO da startup curitibana Asap Log, dedicada a entregas voltadas ao pequeno e médio varejista, buscando soluções para atender os PMEs na última milha. “A gente está muito forte em atender pequena e média loja virtual, essa é a complementariedade da ASAP com a Loggi, onde eles estão pretendendo entrar no futuro, mas ainda não estão tão amadurecidos quanto a gente”, afirma Rafael Mendes, CEO da Asap Log.

Pequenas e médias empresas

Hoje, a Asap se posiciona como uma transportadora de atendimento 100% online que simplifica o processo de contratação de serviços de entrega para lojas de rua que querem vender pela internet e precisam resolver seu problema de logística. Hoje, a startup atende 1.300 lojas físicas com vendas online.

Assim como a Rappi e o iFood, a empresa coleta o produto na loja e o entrega ao consumidor final. A diferença está na forma como ela trabalha a logística dentro das grandes cidades. A maioria da rede de entregadores da Asap, diferentemente das demais empresas de delivery, recebe um roteiro de coleta e entrega de pacotes dentro do ambiente urbano, podendo fazer de 20 a 30 entregas em um único percurso.

Eficiência na última milha da entrega

E essa expertise dentro do ambiente urbano tem atraído as transportadoras, que não conseguem ganhar eficiência na última milha para aproveitar o crescimento das vendas via comércio online.

“A maior dificuldade de transportadora é atender a parte urbana. Eu me reuni com presidentes de transportadoras do Paraná que diziam: ‘A gente sabe do potencial do e-commerce, mas não sabemos como ganhar dinheiro com isso’”

 Rafael Mendes, CEO da Asap Log

Loggi Foto Brooke Lark (Unsplash)

A startup tem proporcionado a possibilidade das transportadores colocarem mais produtos por viagem dentro dos veículos e aumentar o seu faturamento. A startup deixa, portanto, o deslocamento de longa distância para as transportadoras tradicionais e opera a logística urbana na parte final do trajeto.

Custo do frete

Essa complementariedade entre as pontas da logística ganha apoio das empresas de varejo, que buscam uma solução para baratear o custo do frete, em especial na última milha, que hoje representa cerca de 28% do custo total do deslocamento, de acordo com a Mandaê, uma empresa de serviços de consultoria em logística.

A crise dos Correios e o encerramento do e-Sedex colocou ainda mais pressão pelo aparecimento de novos players no setor de delivery. Em evento na sede do iFood no ano passado, Fabricio Bloisi, seu CEO, afirmou que o Brasil tem potencial para o aparecimento de uma dezena de novos players no segmento.

A tendência deve ser, portanto, a ainda mais notável pulverização de serviços de entrega via motoqueiros e motoristas autônomos. Hoje, cerca de 11 milhões de brasileiros já obtêm renda vida algum tipo de aplicativo, segundo pesquisa iFood/Locomotiva.

Loggi Foto Maarten van den Heuvel (Unsplash)

Os próprios Correios podem passar a ser um novo player nessa corrida pela entrega mais rápida via entregadores com suas motos e celulares. A estatal brasileira está na pauta de privatização do governo. Segundo o jornal Valor Econômico, membros do governo, disseram, em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, que a UPS, americana do ramo logístico, estaria interessada na compra dos Correios.

De olho nisso, outros players estrangeiros mostraram interesse nessa estrutura para acrescentar a ela a tecnologia que lhe falta. Amazon e Alibaba foram apontadas como outras interessadas na compra da estatal no ano passado, mas o assunto esfriou. A Amazon mostrou, com o anúncio de um centro de distribuição no interior de São Paulo, que pretende entrar para valer na disputa pelo mercado online brasileiro.


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