Lições do home office na pandemia são a base do modelo híbrido - WHOW

Eficiência

Lições do home office na pandemia são a base do modelo híbrido

Entender as necessidades de cada profissional é cada vez mais essencial para desenvolver o modelo de trabalho mais produtivo e que gere bem-estar

POR Marcelo Almeida | 11/11/2021 17h49

A pandemia da covid-19 provocou uma série de desafios para as empresas, que tiveram que se adaptar enquanto a escala de um problema imprevisto alcançava proporções globais e dizimava milhares de vidas. Com a implementação do home office como uma medida de necessidade para evitar a disseminação do vírus, aos poucos os profissionais e as empresas passaram a notar o quanto o modelo tradicional de trabalho estava engessado.

Passou a ser questionado o modelo presencial das 9h às 18h, de segunda a sexta, com milhares de trabalhadores comprimidos nos vagões de metrô e ônibus, deslocando-se para escritórios que muitas vezes ficam a duas horas de distância de suas casas. Para muitas funções, ficou claro que bastava um computador com acesso à internet.

No evento Conarec 2021, o painel “Home Office, Bem-Estar e Expectativas: Como equilibrar esses fatores”, levou o tema para discussão com especialistas: Alexandre Teixeira, Cofundador de ODDDA (O Dia Depois de Amanhã), plataforma de tendências em desenvolvimento humano para cocriação de futuros; Flavia Neves, Superintendente de Recursos Humanos da SulAmerica Seguros0; Paula Molina, diretora de Recursos Humanos da WMcCann; e Fabio Boucinhas, da Home Agent.

O debate girou em torno das novas habilidades de gestão para reforçar a cultura corporativa e como manter a motivação e o engajamento em níveis consideráveis no trabalho remoto. Entre as conclusões, está o papel da liderança que deve contemplar, mais do que nunca, a busca por bem-estar e segurança de um lado, e incentivo à criatividade, inovação e capacidade de execução por outro.
Durante a discussão, Alexandre Teixeira pontuou que o medo relacionado ao home office de que haveria queda na produtividade se mostrou infundado. “A produtividade até cresceu em muitas empresas como os estudos de antes da pandemia já sugeriam”, afirma. “Já os trabalhadores puderam ter essa experiência de trabalhar de casa e descobrir que isso tem vários pontos positivos e negativos”.
Para ele, a maior parte das empresas está caminhando para um modelo híbrido, o que provoca uma série de desafios. Flavia Neves, da SulAmerica, pontuou que desde 2014 a empresa já tinha uma prática de home office, que ocorria em uma ou duas vezes por semana, o que tornou a adaptação durante a pandemia bem mais fácil.
“Quando a pandemia chegou, não foi tão difícil a gente saber o que fazer porque a gente já fazia, não na intensidade que a gente precisou implantar de ficar 100% remoto, mas a gente já tinha aprendido com essa experiência. Todos os processos já estavam muito adaptados. A gente já mandou todo mundo pra casa em março, porque nosso foco é bastante no cuidado em relação à saúde”, afirma Neves.
Segundo ela, foi importante orientar os gestores a lidar com novos assuntos, com muitas famílias sendo impactadas pela pandemia. “Nós colocamos de pé programas ligados à saúde emocional, porque foi o maior desafio que apareceu, seja pela sobrecarga de trabalho ou pelo impacto da falta de contato humano. Mas agora começamos a olhar pra frente e perceber qual modelo a gente vai adotar daqui pra frente. Contratamos uma consultoria para desenhar um modelo definitivo pós-pandemia”, afirmou.

Segundo ela, esse modelo será predominantemente remoto, com 70% de trabalhadores em home office. “A gente sabe que não adianta monitorar o minuto a minuto das pessoas, mas sim os indicadores de resultado”, afirmou Flavia, ressaltando que ainda há muito aprender com a implementação desse novo modelo híbrido mas predominantemente remoto.

Para Paula Molina, tentar implantar práticas durante uma pandemia foi algo novo pra todo mundo. “Somos presenciais, então tivemos um projeto de adaptação. Fizemos um teste em março de 2020 e percebemos que estava funcionando. Algumas pessoas tiveram mais dificuldade para se adaptar, mas no geral funcionou muito bem. E foi assim nos últimos 19 meses. Implantamos várias ações de cuidado de vida, nós já tínhamos um sistema de apoio ao empregado e implantamos um programa wellness e ampliamos o gympass para questões relacionadas à nutrição, buscando sempre apoiar o colaborador”, disse.

Segundo Molina, no entanto, em uma das reuniões da companhia, foi levantado que havia uma grande necessidade de reconexão. “Estar presencial é importante para a gente”, afirma.

Ela considera o modelo híbrido o melhor formato no atual momento, considerando a necessidade de adaptações e flexibilidade também porque nem todas pessoas poderão voltar ainda já que estão em grupo de risco, ou não foram ainda totalmente vacinados ou têm os filhos ainda fora da escola, dentre outras questões, ressaltando a necessidade de ter empatia com a volta dos funcionários.

Já Fabio Boucinhas, da Home Agent, empresa que fornece serviço feito por trabalhadores 100% em home office em diversas áreas, começou a ser contatado por várias empresas durante a pandemia que queriam ajuda a implementar esse modelo remoto. “Sempre existiu uma barreira cultural muito forte. Eu já ouvi gente falando que o brasileiro é leniente e que isso está no DNA dele. E da noite para o dia deixou de ser uma inovação para algo obrigatório, então a gente teve um crescimento muito grande. Muitas empresas nos procuraram para pedir ajuda, para viabilizar o home office”, afirmou.

Segundo ele, no entanto, o principal desafio foi o caráter imprevisto da pandemia. “Uma coisa é você contratar uma pessoa que tem condições e o perfil certo pra home office e outro é você pegar alguém que foi contratado para trabalhar em escritório e ser mandada de forma abrupta para casa”, afirma.
Para ele, existe uma oportunidade de fazer o básico, que é perceber a individualidade de cada um, o tipo de personalidade de cada pessoa. “Você precisa entender quem é essa pessoa. Home office pra quem é de home office e escritório pra quem é de escritório”, afirma. “Quando você tem uma disparidade entre o que a pessoa quer e o que ela recebe, aí começam a ter atritos e conflitos.”