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Eficiência

Legaltechs apostam na modernização do setor jurídico

Conheça a Justto e a Arbitranet, startups dedicadas a trazer inovações removedoras de barreiras e burocracias para resoluções judiciais

POR Carolina Cozer | 25/05/2020 13h08

Legaltechs são as startups empenhadas em implementar os sistemas jurídicos locais, identificando deficiências estratégicas e propondo soluções baseadas em novas tecnologias. Considerando que o setor jurídico é um dos mais resistentes à mudanças, devido à natureza conservadora do judiciários, podemos perceber o desafio que essas startups têm pela frente.

Aos poucos, com o avanço da tecnologia ― e, de certa forma, com ajuda dos millennials ― as empresas de advocacia têm visto a necessidade de se modernizar e desburocratizar, permitindo que os processos se tornem mais fluídos, ágeis e inclusivos.

Modernização necessária

O Whow! conversou com Alexandre Viola, fundador e CEO da Justto, startup top 2 na categoria Legal do Ranking 100 Open Startups 2019

Alexandre ressalta que, de fato, mercado de legaltech sempre pecou pelo excesso de tradicionalidade, mas está sendo forçado a se reinventar de dois anos para cá. “Já estamos vendo movimentos, como o Jurídico sem Gravata e o #JURTECH, criados pelos diretores de departamentos jurídicos das empresas e estão trazendo uma conscientização da necessária modernização para o setor.” 

Assim como outros mercados tradicionais já foram impactados pelas novas tecnologias (como as fintechs e insurtechs, por exemplo), o mercado jurídico se encontra, agora, no momento inevitável de disrupção. “Desde 2012, quando foi lançada a Arbitranet, estamos nos dedicando para trazer inovações tecnológicas para tirar barreiras e burocracia na resolução de disputas”, responde o CEO, citando a Arbitranet, uma spin-off da Justto.

Coronavírus acelerou a disrupção

Uma das responsáveis por essa disrupção inevitável, segundo Alexandre, é a crise atual de coronavírus, que tem acelerando a migração das operações jurídicas para o mercado privado e on-line. “Por exemplo, o Poder Judiciário fechou e os prazos foram suspensos, ao mesmo tempo que novos conflitos surgiram. As pessoas estão tendo que renegociar ou encerrar contratos, tudo on-line. As compras e novas contratações também estão sendo feitas pela internet. No varejo, os players que entenderam isso mais rápido são aqueles que estão dando certo. No mercado jurídico, quem consegue resolver ou mitigar riscos dessa nova realidade de forma digital também estão crescendo”, descreveu. “Esse novo contexto [sociedades empresariais sendo repensadas, imóveis devolvidos, contratos de prestação de serviço renegociados] está impulsionando nossas atividades como nunca antes.

“Ainda mais agora que a sociedade está sem o amparo do Poder Judiciário, que foi sempre onde as pessoas buscavam solucionar seus problemas. Com certeza todas as legaltechs que atuam na área também estão crescendo no mesmo sentido.”

Alexandre Viola, CEO da Justto e Abritranet

Marketplace de arbitragem

A Arbitranet é o primeiro marketplace de arbitragem mobile do mundo e disponibiliza especialistas para resolver disputas, que normalmente seriam resolvidas em anos de discussão no Poder Judiciário, e agora são resolvidas em dias via aplicativo. 

Segundo Alexandre, as decisões dos especialistas da startup têm o mesmo valor jurídico do que uma sentença judicial. “Por exemplo, imobiliárias que têm um modelo de negócio mais atual e on-line, como QuintoAndar, colocam em seus contratos com inquilinos que suas disputas serão resolvidas pela Arbitranet. Neste sentido, qualquer uma das partes, quando tiver uma questão ou problema, a discussão será feita pelo app e decidida pelo especialista.” A lógica da empresa é que, se a transação já ocorreu on-line, suas disputas também tendem a ser solucionadas no meio digital.

“Mas as resoluções no app não dependem só de previsão contratual ou que tenham sido negociados on-line. Quando as partes querem renegociar um contrato, por exemplo, e encontram dificuldades, podem resolver através do app também”, contou o CEO da Justto e Abritranet .

Ele ressalta que todos os especialistas disponíveis são pós-graduados e com anos de experiência em seus respectivos mercados. Usualmente, resolvem questões de tecnologia, consumo, prestação de serviços, questões societárias e empresariais diversas.


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