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O que é leapfrogging: conheça a prática capaz de impactar os negócios

Diferentemente da inovação incremental, o leapfrogging permite grandes pulos em busca de objetivos, conectando as carências dos usuários à tecnologia

POR Carolina Cozer | 03/03/2020 12h29 Foto (Shutterstock) Foto (Shutterstock)

O verdadeiro “pulo do gato” das startups é, na verdade, o pulo do sapo. leapfrogging (“pulo de sapo”, literalmente) é uma lógica que consiste em dar grandes saltos nos negócios em vez de pequenas transformações. Da mesma forma que os sapos não se locomovem por passos curtos, as startups também devem dar grandes pulos em busca de seus objetivos. 

Este jargão era muito usado pelos executivos americanos, no Vale do Silício, que, ao questionarem suas equipes para não trazerem pequenos resultados, e sim o “leapfrogging”, conforme diziam. Desta forma, o termo ganhou popularidade para designar estratégias inovadoras e efetivas de transformação.

Leapfrogging Foto ilustrativa (Shutterstock)

Como funciona?

Segundo Fabian Salum, Ph.D. professor de Estratégia e Inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), o leapfrogging não tem um modelo padrão, passo a passo ou framework. É, na realidade, muito sobre a capacidade de conectar quatro grandes disciplinas: gestão, empreendedorismo, inovação e tecnologia

“Tecnologia é o meio que permite às empresas, startups ou projetos dentro de corporações que alcancem e superem barreiras, deficiências e obstáculos, os transformando em oportunidade. Só é possível fazer saltos ao fazer uso de alguma tecnologia, o que, hoje, é o que nos permite acelerar quaisquer soluções, testes ou ideias. [Com a tecnologia] você rapidamente testa e verifica o que fica de pé”, conta.

O professor cita situações em que bancos, sistemas de comunicação, de saúde, por exemplo, não foram capazes de dar conta de determinadas demandas. Nestas ocasiões, alguns empreendedores foram capazes de identificar um gap, conectando carências dos usuários às tecnologias solucionadoras.

Posteriormente, esses fatores se tornaram oportunidades de negócio e, por fim, trouxeram transformações efetivas no mercado. Isto, por excelência, é o Leapfrogging.

Sapinho emblemático

Leapfrogging Foto ilustrativa (Freepik)

Segundo Fabian, o caso mais emblemático de leapfrogging é o M-Pesa, que ocorreu em 2007, no Quênia. Ele explica que, lá, as pessoas tinham dificuldades de acesso ao sistema financeiro como um todo, desde fazer pagamentos à manter uma conta corrente. 

“Através da tecnologia de telefonia, foi possível levar para comunidades de poucos recursos um pouco de dignidade no que diz respeito a ter uma economia, uma conta-corrente, transações, epagamentos. E usando o quê? Um smartphone.”

Fabian Salum, Ph.D. professor de Estratégia e Inovação da Fundação Dom Cabral 

O professor conta que há muitos casos escritos sobre práticas de leapfrogging em países emergentes. “Como você supera e ultrapassa a carência de um país – de informação, de saneamento, de educação –, levando, até essas pessoas, através da tecnologia, algo que jamais foi imaginado? Como é que você vai superar seus desafios e obstáculos? Não é fazendo uma pequena melhoria no que já existe”, conta.

Leapfrogging: diferente de inovação e disrupção

Porém, como trazer transformações grandes e não ficar apenas chovendo no molhado? 

De acordo com Fabian, existe uma única maneira: a transformação digital. Essa transformação, segundo ele, é quem permite que as soluções idealizadas pelos empreendedores possam ser materializadas. Saídas como blockchain, computação em nuvem, IoT e algoritmos são exemplos dados pelo professor para implementar transformações.

Pode parecer difícil distinguir o leapfrogging dos conceitos de inovação e disrupção, mas há, contudo, diferenças notáveis. 

Fabian conta que as inovações incrementais (que envolvem pequenas melhorias do que já existe), abertas (que trabalha com atores externos às organizações) e disruptivas (que constroem um modelo absolutamente novo no mercado) estão próximas do leapfrogging, mas que vão além das inovações brutas.

“Ele [o leapfrogging] tem a ver com modelagem de negócio, com quanto se gera de impacto, se traz de inclusão social; de gente que não tinha conta bancária e agora pode ter”, exemplifica

1) As práticas tecnológicas e de inovação são motores do desenvolvimento econômico

2) Redesenho tecnológico que promove o acesso à tecnologia para uma grande parcela da população

3) Temática de estudos do banco mundial para países emergentes

4) Adoção de novas práticas tecnológicas alavancam o ganho de produtividade e competitividade no país

5) Superar etapas e traçar novos caminhos tecnológicos é um imperativo para países emergentes


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