Lacuna de crédito de R$ 166 bilhões freia crescimento das PMEs - WHOW
Eficiência

Lacuna de crédito de R$ 166 bilhões freia crescimento das PMEs

Acesso a capital é essencial para pequenos negócios, que têm nas fintechs novas alternativas, mas ainda sem o volume necessário para suprir a demanda

POR João Ortega | 30/09/2021 12h41 Lacuna de crédito de R$ 166 bilhões freia crescimento das PMEs

Em meio à pandemia, muitos negócios, nas mais diversas indústrias, sofreram baixa no faturamento e precisaram recorrer à tomada de crédito. Mas nem todos conseguiram. Uma pesquisa da FGV destaca que há, no Brasil, uma lacuna de R$ 166 bilhões por ano em crédito para pequenas e médias empresas. 

Segundo a publicação, as 17 milhões de PMEs têm demanda potencial anual de cerca de R$514 bilhões de crédito, sendo R$84 bilhões por MEIs, R$266 bilhões por microempresas e R$164 bilhões por EPPs. A oferta total, no entanto, só consegue suprir cerca de dois terços da necessidade. 

Neste contexto, o que acontece na prática é que uma parte pequena das PMEs, que já tomaram crédito antes e, portanto, têm histórico com instituições financeiras, concentram a maior parte do volume. Uma pesquisa do Sebrae constata que entre 2019 e 2020 cresceu em 35% o volume de empréstimo concedido no Brasil, enquanto o número total de empresas que recebeu algum dinheiro subiu apenas 1%. Ou seja, o que mais aumentou foi a concentração do crédito para apenas algumas mãos. 

Um dos problemas é a documentação. Uma pesquisa da Openbox.ai, fintech de crédito empresarial, revela que 92% dos micro e pequenos negócios que vão solicitar empréstimo não contam com a documentação necessária para o processo.

Estamos falando, por exemplo, de contratos, histórico de crédito, registro de operações financeiras, plano de negócios, investimentos e movimentações financeiras”. 

Ambos os problemas – tanto a lacuna de crédito nas grandes instituições financeiras quanto a falta de conhecimento sobre a documentação – estão sendo atacados por fintechs. Claro que estas empresas de tecnologia para serviços financeiros, um ecossistema ainda em crescimento, não têm potencial para suprir R$ 166 bilhões por ano. Mas, ainda assim, são opções válidas para o empreendedor conectado ao digital. 

Não à toa, há uma segunda onda das fintechs: enquanto a primeira onda focou no consumidor final (pessoa física), o movimento agora é de olhar para as empresas (pessoa jurídica).

Estamos falando de empresas como a XP, que anunciou uma divisão para atender a “classe C empreendedora”; como o Nubank, que lançou recentemente o cartão de crédito PJ; ou mesmo contas digitais nativas deste universo, como a Cora, a  Linker e a Biz.Capital. 

O interessante é que, hoje, grandes instituições financeiras seguem a tendência que costuma vir das fintechs. Não à toa, o BTG anunciou uma linha de crédito de R$ 300 milhões para PMEs, focada especialmente em mulheres empreendedoras. Já o BS2 (antigo Banco Bonsucesso) adquiriu a Weel, fintech de crédito por meio de antecipação de recebíveis, e passou a visar o público PJ como prioritário.

Se por um lado as pesquisas indicam um cenário atual de dificuldades na questão de acesso a crédito pelas PMEs, essa mudança de olhar do mercado financeiro coloca um sinal verde no horizonte. É fato que o mundo dos negócios está entendendo a importância das PMEs na retomada da economia. O que se espera é que este entendimento se reflita, cada vez mais, em serviços financeiros justos e de qualidade para o empreendedor brasileiro.