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Itaú, B3 e CI&T usam o erro para inovar

Executivos do Itaú, B3 e CI&T mostram como errar rápido e barato é uma das principais formas de alcançar a inovação, mesmo em uma grande empresa

POR Eric Visintainer | 22/10/2019 18h44 Itaú, B3 e CI&T usam o erro para inovar Foto Aitoff (Pixabay)

Não me traga problemas, me traga soluções. Esta frase ainda se perpetua no mundo corporativo brasileiro, em pequenas, médias e grandes empresas. Pode-se aprender com uma falha e ficar ainda mais próximo do caminho buscado? Durante o IT Forum X, executivos do Itaú, B3 e CI&T abriram o jogo sobre como a tentativa e erro são vistos nas respectivas corporações e qual a aplicabilidade desta prática em projetos voltados para a inovação.

“Desde a época da escola somos punidos por errar. A aversão ao risco é algo fundamental na B3 por conta do número de pessoas impactadas” 

Izabella Neves, especialista em Inovação e Novos Negócios da B3 

“Eu escuto ‘Erra, mas não erra tanto. Inova, mas não inova tanto’. É um trabalho de formiguinha para discriminar o que significa errar para criar coisas novas”, comentou Izabella Neves, especialista em Inovação e Novos Negócios da B3 (bolsa de valores oficial do Brasil).

Para Pedro Prates, superintendente do Itaú Unibanco e um dos cofundadores do espaço de inovação, Cubo, as grandes empresas têm medo de errar ainda mais quando estão gerando resultados. Porém, ao tentar criar algo novo é necessário pensar e agir diferentemente de como se está acostumado e isso proporciona o erro.

Itaú Foto Geralt (Pixabay)

“Este é um conceito que as grandes empresas estão passando. Para o Itaú crescer vamos precisar fazer algo que não sabemos fazer”, disse Pedro. O executivo ainda pontua que é importante ter pequenos erros e aprender com os resultados. 

“Principalmente nos níveis mais altos do Itaú, hoje já entendem a cultura do erro. Não errar pode ser um erro maior ainda” 

Pedro Prates, superintendente do Itaú Unibanco

Na visão da gerente de marketing da CI&T, uma consultoria multinacional brasileira de soluções digitais, Natália Magalhães, é preciso ter foco no problema em questão e não na solução necessária e pensar além das nossas próprias experiências. “Se a gente fala só sobre coisa boa nós não evoluímos. Precisamos errar e aprender rápido”, disse Natália. 

Mudança de mindset nas grandes empresas 

Os executivos também comentaram que para o erro rápido e barato fazer parte da cultura corporativa em grandes empresas se faz necessário existir uma ação conjunta.

“É uma mudança de mindset. A abrir a cabeça das empresas é um trabalho em parceria”, pontuou Natália.

Itaú Foto George Becker (Pexels)

Na B3, a especialista em inovação disse que o erro como forma de inovar já foi compreendido. “A área de inovação foi permitida errar. O meu maior desafio é saber onde errar. Mas o provincial problema é a cultura. Para mim o mais difícil é administrar o medo”, comentou Izabella. “Trabalho bottom-up e top-down , mas atuo com a disseminação e passo técnicas para os colaboradores. Com os boards dou um chacoalhão.”

Relação com as startups

A cultural do erro ficou ainda mais evidente com as startups que, normalmente, a praticam de forma rápida e barata, pois estão tateando um novo desafio e ainda não têm orçamento suficiente para persistir em uma ação sem um grande resultado. Por isso, as grandes empresas estão cada vez mais próximas deste ecossistema, no entanto as parcerias nem sempre atingem as expectativas.

“Já tive muito problema com a chegada de startups, ainda mais quando um desenvolver que fala que já faz a mesma coisa  que a startup. Ele sente medo e pensa que não é eficiente”, contou Izabella. “Então eu mostro que queremos crescer juntos. Muita gente confunde startup com consultoria. Como parte da área de inovação preciso alinhar expectativas e ter um trabalho de conscientização que as startups não são sempre disruptivas.”

O Itaú também já teve dificuldades com a integração de startups na empresa. “Em muitos casos as pessoas olham para estas empresas como a solução de todos os problemas e isso causa grandes frustrações. Novos entrantes podem mudar os setores no Brasil, principalmente com cloud e investimento pesado”, disse Pedro. “Pense 80% das apostas vão dar errado e 20% vão dar certo.”


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