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Investimentos: como Santander e Cosan veem o novo momento do País

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Imagem: Unsplash

O Brasil vive uma nova realidade para investimentos. A bolsa se mantém acima dos 100 mil pontos e os juros básicos baixam a níveis históricos, sem a possibilidade de aumento a médio prazo, o que favorece a mudança do perfil dos investimentos. Além dessa alteração, as diretrizes econômicas dos últimos governos, focadas no investimento privado, configuram a consolidação de um momento de abertura econômica.

Ana Paula Vescosi, economista-chefe do Santander no Brasil, destaca a troca dos ativos das mãos do poder público para o privado como forma de aumentar a eficiência, mas alerta sobre a necessidade de o País enfrentar as mudanças tecnológicas promovidas em especial pelas economias desenvolvidas, como China e Índia. “Nosso risco é não criar bons ativos, não conseguir elaborar bons projetos”, diz Ana Paula.

A executiva aponta a reforma da previdência como um marco para um novo movimento de investimentos, com a recuperação de algo em torno de 9% do PIB que era destinado ao pagamento dos benefícios e que agora poderá ser direcionado para outras áreas e atrair mais dinheiro privado. “Precisamos complementar nosso mercado de capitais com capital externo”, avalia. “Nosso head é resolver a situação fiscal do País. Caso contrário, vamos ser a economia mais volátil do continente”, aposta.

Além da recuperação do grau de investimento, o País precisa, para Ana Paula, melhorar a segurança jurídica. “É mais importante defender o respeito ao contrato do que defender a parte mais frágil”, afirma a representante do Santander sobre a grande quantidade de processos trabalhistas nas diversas instâncias.

Marcos Marinho, vice-presidente do Conselho da Cosan, ressalta que o capital doméstico tem reagido rapidamente à queda dos juros na economia nacional. “Temos uma economia com uma boa quantidade de pessoas treinadas e de qualidade querendo fazer acontecer. O país responde muito bem quando os estímulos corretos são dados e as empresas sérias acham capital e líderes”, destaca Marinho.

Inovação e investimento privado

Apesar dos investimentos pontuais de alguns grandes investidores no setor de inovação, o investidor estrangeiro ainda está com um pé atrás em relação ao País. O capital interno, apesar de animado por conta das baixas na Selic, ainda está sendo direcionado para outros segmentos mais tradicionais da economia.

O ex-presidente do BNDES Joaquim Levy acredita que o grosso do trabalho de reestruturação da economia, com maior participação de investimentos privados, já foi realizado. “Há quatro anos você precisava reestruturar a economia e fizemos isso liberando os preços. Acabamos com o excesso de crédito no setor público e isso foi parar na possibilidade da queda de juros”, avalia.

Levy destaca a relevância de retomar o plano de investimentos para o País, traçado em conjunto entre o setor público e o privado em 2008, que foi abandonado ao longo da última década. “Hoje tem capital no mundo e precisamoss de projetos. A evolução (do mercado e dos reguladores) tem sido importante, mas é preciso ter um programa para começar a receber esse investimento”, avalia o ex-ministro.

Mesmo com a mudança de rumos, ele aponta evoluções importantes no País para atração de capital, como a derrubada do crédito subsidiado e artificial. “Ele impede que você defina o retorno de maneira racional com um direcionamento do crédito que nem sempre está no lugar certo. Uma vez que o Brasil tirou o subsídio, que era quase unicamente (praticado) pelo BNDES, você coloca o mercado de capital como selecionador de investimentos”, destaca.

Investimentos para o país

Foto Unsplash

Resistências

Desde os anos 90, quando os processos de privatização ganharam velocidade no País, a venda de empresas públicas e os impactos no preço dos serviços são assuntos sensíveis para os eleitores. A falta de acesso ou o encarecimento desses serviços foram alguns dos motivos apontados pelas pessoas que estão indo às ruas nas várias manifestações que pipocam pela América do Sul nas últimas semanas.

Para Marinho, o Brasil está, como os outros países, envolvido nessa onda de descontentamento e, portanto, não está isento das pressões populares. Para ele, há um equilíbrio de forças no País que permite avanços dos pontos de vista econômico e social.

“Aqui, você continua ter a força dos dois lados”, diz o executivo sobre a participação de forças de esquerda e direita nas decisões estratégicas do País. “Negociamos um espaço para ter uma sociedade mais próspera. A questão é como chegar lá”, completa.

Para Levy, as privatizações, que no Chile são apontadas como motivo para o encarecimento a serviços básicos, em especial, educação, no Brasil, são bem aceitas pela população, continuam com larga escala de aprovação e podem resolver problemas estruturais severos ainda longe de qualquer solução, como o saneamento básico.

“É preciso abrir (mercado) para criar novos ativos. E tem muita gente capaz de investir. Saneamento não pode receber investimento hoje porque tem o marco que não permite. Petróleo e comunicação nós abrimos. O que há, é, depois, a necessidade de fazer a regulação com processos claros. A agricultura funciona porque foram várias regras claras foram criadas”, aponta.


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