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Investimentos privados no Brasil estão catapultando a inovação

O Brasil tem um mercado interno enorme para startups B2C e B2B em agrobusiness e inclusão financeira/social diz especialista

POR Raphael Coraccini | 26/09/2019 18h45 Investimentos privados no Brasil estão catapultando a inovação Foto (Pexels)

Por mais bem articulada que seja a relação entre os públicos privado e empreendedor, o ecossistema de inovação no Brasil encontra dificuldades para atrair investimentos por conta dos altos juros praticados no País. Desta forma, muitos investidores direcionam o seu capital para produtos atrelados ao valor da Selic em detrimento a investimentos na economia real, do dia a dia. Mas este cenário está mudando.

Raul Miyazaki, diretor para Serviços Financeiros da Deloitte e mentor na Endeavor, Inovabra e Radar Santander, destaca 3 mudanças essenciais no perfil de investimentos privados no Brasil que estão catapultando a inovação:

1 Criação de fundos de captação 100% entre family offices brasileiros, um movimento em sentido contrário ao dos fundos nacionais que procuram investimentos fora

2 Popularização das plataformas de crowdfunding voltadas para tíquetes baixos, geralmente, aportados por pessoas físicas

3 Participação crescente das empresas que atuam no Brasil no desenvolvimento do ecossistema regional, incluindo fundos de corporate venture

Foto Markus Spiske Unsplash investimento
Atenção aos riscos

Para Manoel Baião, investidor e presidente da Neolink, empresa de articulação de negócios internacionais, a mudança gradual no tipo de investimentos a fim de favorecer a inovação depende da continuidade da política de redução dos juros. Esta se justifica para investimentos tradicionais, mas emperra o desenvolvimento de startups.

Segundo Baião, enquanto o risco para o investidor ainda for alto, a redução dos juros encontrará barreiras. “É preciso remunerar bem o capital para que haja pessoas interessadas em investir num mercado de alto risco, como o Brasil. É preciso reduzir a burocracia e estruturar a parte jurídica, entre outras demandas para que o Brasil não seja tão arriscado e para que as empresas topem vir diante de juros menores. Hoje, os juros são altos porque, caso contrário, o investidor não assume o risco”, comenta o investidor.

“Nos Estados Unidos, um bom investimento oferece entre 1,5% e 2% ao ano. Aqui, se a empresa não aparecer com um projeto de ao menos 10% [de retorno] é possível que o investidor nem a receba”

Manoel Baião, investidor e presidente da Neolink

O Risco Brasil é uma faca de dois gumes para o setor de inovação. Ao mesmo tempo que os problemas estruturais do País afastam o capital, são um prato cheio para que empresas arrojadas inventem soluções que só podem nascer em ambientes extremamente complexos.

Um desses problemas brasileiros típicos é a produtividade do trabalho. Uma pesquisa realizada pela FecomercioSP organizada pelo presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da instituição, José Pastore, aponta que o brasileiro produz em uma hora o que um trabalhador dos Estados Unidos faz em 15 minutos. “A estagnação da produtividade brasileira vem de longe e, enquanto não progredimos, outros países caminharam”, disse o professor.

O estudo Panorama Brasil, realizado pelo Insper e pela consultoria Oliver Wyman, no ano passado, corrobora essa tese: a produtividade do brasileiro caiu 21 pontos percentuais entre 1996 e 2014, passando de 69% de eficiência para 48%.

“A estagnação da produtividade brasileira vem de longe e, enquanto não progredimos, outros países caminharam”

José Pastore, da FecomercioSP

investimentos Foto Pixabay Nattanan

Fim da resistência

Miyazaki afirma que a histórica resistência do investidor brasileiro tem caído de maneira considerável. O especialista destaca a criação de fundos de “family offices” com 100% de captação de ‘dinheiro brasileiro’ para aportes robustos, de um lado, e, do outro lado, relacionado a pequenos investimentos, plataformas de crowdfunding ganham destaque, permitindo aportes de pessoas físicas com tíquete médio de até mil reais.

Segundo um levantamento da Lavca sobre investimentos em venture capital no Brasil, em 2017, foram computados 859 bilhões de dólares em 113 negócios. No ano seguinte, do último levantamento, 1,3 bilhões de dólares em 259 negócios.

“Um ponto crítico continua sendo a falta de mão de obra especializada em tecnologia. Há estimativas de 70 mil vagas abertas em 2019 e 400 mil vagas até 2024″

Raul Miyazaki, diretor para Serviços Financeiros da Deloitte

“Esses recursos são essenciais para turbinar o desenvolvimento das startups, e essa escassez de certa forma retarda o crescimento e consequente atração de mais investidores,” alerta Miyazaki.

Esses movimentos são um alento para o mercado de inovação brasileiro, que perdeu força no último ano ao cair duas posições no Índice Global de Inovação, principal ranking internacional no tema, ocupando a 66ª posição em uma lista de 129 nações avaliadas.

A redução da taxa de juros para níveis históricos, com a queda para 5,5% em setembro, pode vir a ser um estímulo aos produtores de inovação por conta da possiiblidade de facilitação do crédito e aumento do interesse dos investidores em produtos desatrelados à taxa de juros básica.

Miyazaki destaca ainda o amplo potencial de consumo do brasileiro, adormecido por conta do marasmo da economia. “O Brasil tem um mercado interno enorme para startups B2C e oportunidades de inovação para startups B2B, como agrobusiness e inclusão financeira/social”, diz o especialista, que completa dizendo que, assim como Isarel tornou-se referência no que se refere a segurança cibernética e Singapura o paradigma para cidades inteligentes, o Brasil pode vir a ser uma referência nesses segmentos mais desenvolvidos.

“Vale registrar que o Brasil tem hoje a maior fintech do Ocidente (o Nubank), um exemplo claro de como um potencial bem trabalhado pode criar, aqui, referências mundiais”, destaca.


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