Investimentos para todos: como democratizar o mercado financeiro
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Investimentos para todos: como democratizar o mercado financeiro

O mercado de investimentos pode te ajudar a conquistar a liberdade financeira 

POR Maíra Pilão | 10/11/2020 15h15 Investimentos para todos: como democratizar o mercado financeiro Imagem: Unsplash

O mercado financeiro brasileiro navega em um oceano cercado por transformações. Depois do crescimento exponencial que as fintechs tiveram nos últimos cinco anos, com plataformas de crédito e bancos digitais, agora surge o PIX: um método inovador de  se realizar transações implementado pelo Banco Central e com potencial para democratizar sensivelmente o acesso a serviços financeiros pela população. 

Com o PIX as transações passam a ser instantâneas, sem o característico tempo de espera dos antigos modelos como DOC e TED. Essa característica revolucionária tem o poder de desenvolver novos negócios e aumentar o volume de recursos movimentados pelo mercado como um todo. Com mais opções de transações e uma maior competição sendo orquestrada entre os bancos digitais e tradicionais, surgem as questões: o consumidor ganhará mais liberdade para escolher onde deseja concentrar seu dinheiro e investimentos? Estamos diante de uma onda de inovação que irá impactar positivamente todo o mercado? Como os novos padrões de consumo da população afetarão as fintechs?

Esse foi o foco do painel “A Democratização dos Investimentos e a Liberdade Financeira” no Whow! Festival de Inovação 2020, mediado por Diego Perez, Diretor Executivo na ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs) e com a participação de Gabriel Kallas, co-Fundador e CEO na Toro Investimentos, Luciano Tavares, Fundador & CEO da Magnetis Investimentos e Patrick O’Grady, sócio-fundador e CEO da Vitreo

O que é liberdade financeira? 

A liberdade financeira tem muito a ver com educação financeira e acesso ao conhecimento. Além de simplesmente se ter uma condição de vida favorável, a liberdade financeira atrela-se a estar confortável mesmo diante das diversas adversidades do mundo ao nosso redor. Para Luciano, a liberdade financeira está atrelada a compreender o motivo pelo qual investimos: 

“Nós não investimos só por investir e para vermos números se acumulando em uma tela. Investimos para comprar uma casa, para dar uma boa educação a nossos filhos, para nos aposentarmos com segurança. Para mim isso é a liberdade financeira em última instância. E parte do processo que está surgindo agora são as empresas colocarem isso em primeiro foco, o que certamente não era o caso nas últimas décadas do mercado financeiro”. 

A democratização do mercado: investimentos para todos? 

Nos moldes tradicionais do mercado financeiro – e o que ocorria até a ascensão das fintechs -, o mercado de investimentos e giro de ações era exclusivo a indivíduos com um patrimônio considerável. Nesse sentido, os bancos virtuais surgiram para transformar essa situação, como conta o co-fundador e CEO da Toro Investimentos: “Antes, o offshore, investimentos em ações internacionais, era restrito à pessoas com muito dinheiro. Hoje temos à nossa disposição o mercado lá fora. Isso tem muito a ver com a democratização de investimento que vemos hoje. Acredito, também, que a liberdade só é real e plena se for relacionada ao conhecimento e à condições favoráveis para que os clientes consigam utilizar os serviços.” 

Isso fez com que, tradicionalmente, o poder de ação e ciência do que era feito com o dinheiro do público se concentrasse nos bancos, deixando o cliente à deriva. Diego conta que, no futuro, o cliente final terá uma maior participação nesse processo como forma de democratizar o conhecimento em investimentos: “Não devemos exigir uma sofisticação plena do usuário, mas é importante fomentar pelo menos um conhecimento básico. Existem profissionais altamente qualificados em seu ramo de ação – dentistas, médicos, advogados -, que não possuem muita segurança no momento de se investir”. 

Ainda assim, atualmente ocorrem assimetrias dentro do mercado financeiro, como conta Luciano: “Hoje em dia é muito comum que haja uma segregação em bancos baseada no tamanho do seu patrimônio: se você tem pouco fica em uma agência comum, inclusive com acesso reduzido aos produtos oferecidos pelos bancos. Isso, antes, era muito claro nos paradigmas dos bancos tradicionais. Além disso, não se trata somente do acesso democratizado a produtos, mas aos serviços também. Então, hoje, se você tem uma grande fortuna muito provavelmente está investindo através de um gestor de patrimônios. Antigamente, esse era um serviço muito limitado, mas o que trabalhamos hoje é democratizar esse tipo de serviço para os outros 99,9% da população.”

O futuro do mercado financeiro: foco total no cliente

Para especialistas na área, o futuro do mercado de investimentos está focado no cliente. Além de um futuro pautado no conceito de plataformas abertas, onde o cliente poderá ter acesso a produtos e serviços de diferentes bancos, a atenção será voltada para a resolução de conflitos e uma atenção maior à experiência do usuário. O CEO da Vitreo afirma:

“Até agora o que presenciamos foi um foco muito grande em produto, o cliente era apenas um objetivo para se levar um produto. Acho que quando trazemos o cliente para o centro aumentamos seu direito de escolha, e garantimos o acesso para o que se chama de democratização. Buscamos, por exemplo, acabar com os conflitos de interesse através da adoção de práticas comerciais que favoreçam o consumidor final”.


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