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Investimento-anjo: veja um panorama atual da modalidade no Brasil

Levantamento feito pelas principais redes de investidores-anjos do país apontou os setores e estágios das startups que mais recebem aportes. Confira

POR Luiza Bravo | 22/07/2020 16h07

Um dos principais desafios enfrentados por quem funda uma startup é conseguir investimentos para levar o negócio adiante. Uma das maneiras mais comuns de fazer isso é através de investidores-anjos. O investimento-anjo é realizado por pessoas físicas que, além de aportarem capital, colaboram com os empreendedores, com seu conhecimento e rede de relacionamentos.

Um retrato do investimento-anjo no Brasil

As redes de investidores-anjos mais relevantes do Brasil se uniram e, juntas, realizaram uma pesquisa em maio e junho para levantar as principais características dessa modalidade de investimento no país.

Entre os dados, o estudo apontou os valores das rodadas de investimento-anjo em startups. Em média, cada investidor aplica R$ 36 mil em uma startup no país. O investimento mínimo foi de R$ 15 mil, e o máximo, de R$ 75 mil. Quando analisamos os investimentos feitos pelas redes, o valor varia entre R$ 150 mil e R$ 1,5 milhão, mas os mais comuns giram em torno de R$ 400 mil a R$ 800 mil.

87% das redes de investidores-anjos disseram dar preferência a investimentos em empresas em estágio de tração ou de primeiros clientes, enquanto 53% também demonstraram interesse em scale-ups. Apenas 20% afirmaram investir nas empresas em fase de ideação.

A rede Anjos do Brasil foi uma das participantes da pesquisa. Segundo a diretora-executiva da instituição, Maria Rita Spina Bueno, o tíquete-médio de investimento revelado pelo levantamento é condizente com startups que estão nesses estágios de primeiros clientes e tração. “Com R$ 600 mil, por exemplo, uma startup nessas fases consegue fazer muita coisa e até seguir para o próximo estágio”, avalia ao Whow!. 

Ainda de acordo com a executiva, se considerarmos números absolutos, os valores médios de aportes apontados pelo estudo são bastante próximos aos observados nos Estados Unidos e na Europa. Para ela, uma comparação justa não deve levar em conta a conversão monetária.

Maria Rita também destaca que as conexões entre redes de investidores-anjos tem possibilitado a realização de novos aportes.

“Ao olhar o tíquete médio por investidor, quebra-se o mito de que é preciso grandes fortunas para investir em uma startup. Claro que não se trata de um valor insignificante, mas é uma quantia que viabiliza a entrada de muitas pessoas como investidores em startups.”

Maria Rita Spina Bueno, diretora-executiva da instituição na rede Anjos do Brasil

Cenário desfavorável para quem pensa em soluções para o governo

O estudo revelou ainda que, no que diz respeito aos modelos de negócios priorizados pelas redes de investidores-anjos para receber aportes: nenhuma delas se mostrou interessada em investir em startups que atuam no modelo B2G – Business to Government. “O problema não está nos negócios em si. Existem iniciativas interessantes, mas os investidores se afastam porque o governo tem uma dificuldade enorme para comprar inovação, o que é uma pena. Entendemos as limitações e a importância das leis de licitação, mas é preciso haver um debate aprofundado para que possamos endereçar esse problema”, defende Maria Rita.

O levantamento também mostrou que os investimentos realizados pelas redes de anjos se distribuíram bem entre diversos setores da economia, reforçando o “agnosticismo” das redes em relação a isso: “Tem capital para todo empreendedor que traga um projeto interessante, inovador e com potencial de resolver um grande problema”, diz a diretora da Anjos do Brasil.

Dica para receber um investimento-anjo

Para quem empreende e deseja conquistar um investidor-anjo, Maria Rita diz que, antes de qualquer coisa, é fundamental estar bem preparado. “Prepare seu negócio muito bem. Pense nas perguntas que os investidores-anjos vão fazer e esteja pronto para respondê-las. É importante que o empreendedor entenda que está fazendo isso não para o investidor, mas para construir um bom negócio.”

“O funil de captação é muito grande: apenas um em cada cem negócios é investido no mundo. Então, mostre que você conhece seu negócio e que ele está pronto para crescer.”

Maria Rita Spina Bueno, diretora-executiva da instituição na rede Anjos do Brasil investimentos


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