Intraempreendedorismo na saúde: o caso do Hospital Oswaldo Cruz - WHOW
Tecnologia

Intraempreendedorismo na saúde: o caso do Hospital Oswaldo Cruz

Um dos hospitais mais conceituados de São Paulo se consolida como referência em inovação, desenvolvendo novos projetos internamente

POR Luiza Bravo | 28/08/2020 22h05

Na era da transformação digital, as empresas precisam buscar novas formas de continuar sendo competitivas. O avanço da tecnologia cria um novo modelo de negócios focado na inovação contínua. Uma das maneiras de fazer isso é fomentando o intraempreendedorismo.

O que é intraempreendedorismo?

Existem duas maneiras de incentivar avanços disruptivos nas empresas. A mais comum delas é a colaboração com startups, ou mesmo a aquisição delas. Mas é possível estimular a inovação de maneira interna também, por meio do intraempreendedorismo, dando aos funcionários oportunidades para liderar projetos de inovação dentro da própria empresa utilizando seus recursos e infraestrutura.

Essa tem sido a aposta do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que inaugurou, no ano passado, o seu Centro de Inovação e Educação em Saúde. O espaço ocupa 750m² de um prédio na Avenida Paulista, e abriga uma incubadora e aceleradora de startups, um laboratório de ciência de dados e uma ampla estrutura para treinamento de profissionais da saúde, com plataformas inovadoras e tecnologia de ponta. 

O diretor-executivo de Inovação, Pesquisa e Educação do Oswaldo Cruz, Kenneth Almeida, diz que o hospital possui uma estratégia bastante direcionada aos gestores, para que cada um enxergue a sua área como uma unidade de negócios, estimulando o investimento em novas soluções e estratégias. “Temos challenges anuais para a equipe interna, que são um processo institucional que provoca nas pessoas reflexões sobre melhorias contínuas. Este ano, tivemos 100 proposições de colaboradores, desde técnicos a médicos. Com esses desafios, identificamos novos talentos e temos a oportunidade de descobrir boas iniciativas para investir”, diz.

Resultados do Hospital Oswaldo Cruz

Foi esse olhar atento para novos talentos que permitiu o desenvolvimento de um adaptador que permite o uso de aparelhos de ventilação mecânica não-invasiva, os chamados BiPAPs, em pacientes com Covid-19 internados em UTI. Até então, o uso de BiPAP era contra-indicado nos casos de Covid, devido à possibilidade de contaminação da equipe assistencial. O novo sistema, desenvolvido por um fisioterapeuta do hospital, permite a adaptação de um filtro bacteriano e viral no circuito dos ventiladores, possibilitando que o paciente respire sem que o ambiente seja contaminado.

O projeto do adaptador foi desenvolvido no Senai, e as peças foram produzidas em impressoras 3D no Centro de Inovação do hospital e na Unicamp, com a ajuda da Siemens. “A líder da área de inovação já tem essa premissa de identificar talentos para gerar novas proposições e oportunidades de negócios. Ela identificou esse talento, trouxe para a área de inovação e o dispositivo, agora, está passando por registro de patente. Hoje, esse profissional já está indo para um segundo projeto de manufatura de peças dentro do nosso centro de inovação”, conta Almeida.

Apesar do pedido de registro de patente, o Hospital Oswaldo Cruz divulgou os detalhes do design do adaptador, para que ele pudesse ser produzido em larga escala durante a pandemia. Outro exemplo de intraempreendedorismo citado por Almeida é o projeto de uma sala de aula em realidade virtual, desenvolvido por um editor de vídeo da instituição. “Hoje, os médicos do hospital já conseguem transpor as imagens de ressonância, tomografia e raio-x para o ambiente de RV e, assim, simular cirurgias. Esse profissional foi promovido a analista de inovação e hoje está dedicado somente a esse projeto”.  

O Hospital Oswaldo Cruz também tem parcerias com startups e outras empresas que vêm promovendo melhorias no atendimento hospitalar por meio da inteligência artificial. Em março, o hospital se tornou uma das primeiras instituições de saúde do país a utilizar a inteligência artificial da Laura para auxiliar pacientes em relação ao novo Coronavírus. “Ela nos ajudou muito no período inicial da Covid, porque define, por meio de uma árvore decisão, qual a melhor estratégia a se adotar com cada paciente”, diz Almeida.

O Hospital também se uniu ao Grupo Fleury e à Huawei para testar uma ferramenta que avalia o comprometimento pulmonar de portadores do novo coronavírus, e com a Dasa, para desenvolver uma outra aplicação que, por meio de dados, consegue fazer uma avaliação preditiva dos pacientes infectados. 

Como estimular o empreendedorismo interno?

Almeida acredita que, para manter os colaboradores motivados a apresentar novas soluções, é essencial que a inovação seja, de fato, parte da cultura da empresa  “Nosso próximo passo é montar células de inovação claramente definidas, não só esperar os challenges ou as ideias brotarem, mas inverter o processo, para que isso se transforme em uma discussão cotidiana dentro das áreas”. 

Segundo ele, a pandemia estimulou as atividades na área de Inovação e Pesquisa no Hospital, e está provocando um movimento de valorização de profissionais que, até então, eram pouco reconhecidos, como cientistas de dados e biotecnólogos. “Nossa concepção de inovação é de investimento. Tanto que levamos para nosso laboratório cientistas de dados, heads de parceiros institucionais e até os médicos, que fazem atividades de simulação e treinamento lá. Inovação e pesquisa não é glamour, é uma necessidade real para a saúde”, conclui.


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