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Tecnologia

Como a inteligência artificial vem transformando a agricultura

Novas tecnologias agora são capazes de fornecer dados que facilitam a tomada de decisão, levando mais eficiência para os cultivos na agricultura

POR Adriana Fonseca | 03/04/2020 13h47 Como a inteligência artificial vem transformando a agricultura Foto ilustrativa Garik Barseghyan (Pixabay)

A agricultura é uma das atividades mais antigas do mundo, mas a tecnologia, há algum tempo, vem invadindo o campo para tornar as colheitas e os cultivos mais eficientes. Dado do relatório Agtech Trends In 2020, feito pela Plug and Play, mostra que, nos últimos dez anos, o investimento em tecnologia agrícola teve um crescimento expressivo. Foram US$ 6,7 bilhões investidos nos últimos cinco anos e US$ 1,9 bilhão somente no último ano.

As inovações na área focam, principalmente, em cultivo vertical interno, automação e robótica, tecnologia pecuária, práticas modernas de estufa, agricultura de precisão, inteligência artificial e blockchain.

Uso de IA na agricultura

A inteligência artificial, em particular, tem ajudado o setor a produzir colheitas mais saudáveis, controlar pragas, monitorar o solo e as condições de cultivo, organizar dados para os agricultores, ajudar na carga de trabalho e melhorar uma ampla gama de tarefas relacionadas à agricultura em toda a cadeia de suprimento de alimentos.

Com a IA é possível, por exemplo, analisar uma série de informações em tempo real, como condições climáticas, de temperatura, uso da água e condições do solo. Isso permite decisões mais rápidas e assertivas.

De acordo com o relatório da Plug and Play, existe um enorme potencial no uso de inteligência artificial e machine learning para revolucionar a agricultura, integrando essas tecnologias em mercados críticos em escala global. O relatório exemplifica: “Sensores remotos permitem que algoritmos interpretem o ambiente do campo como dados estatísticos que podem ser compreendidos e úteis para os agricultores tomarem suas decisões. Os algoritmos, por sua vez, processam os dados e aprendem com base nas informações recebidas. Dessa forma, quanto mais dados são coletados, recebidos e processados, melhor será a previsão feita pelo algoritmo.”

agricultura Foto de divulgação (Bosch)

Novas tecnologias no combate de pragas

Essa otimização do cultivo se faz necessária já que, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, será necessário produzir 50% mais comida até 2050, quando a população terá aumentado em 2 bilhões de pessoas. Para efeito de comparação, entre 1960 e 2015, a população passou de 3 bilhões para 7 bilhões de pessoas e a produção agrícola triplicou nesse mesmo período.

Além de tornar o cultivo mais eficaz, com informações sobre temperatura, solo e uso da água, a inteligência artificial também vem sendo usada para combater as pragas que causam perdas nas lavouras.

Em um texto sobre o assunto, a multinacional de tecnologia Intel apresenta o caso de um fazendeiro no Texas, Estados Unidos. De acordo com sua observação (humana) da direção do vento, ele calculava que um enxame de gafanhotos provavelmente descia no lado sudoeste de sua fazenda. Ao utilizar dados de inteligência artificial e verificar imagens de satélite por um período de cinco anos, um algoritmo detectou que os insetos haviam pousado em outro canto da fazenda.

O fazendeiro, então, fez sua inspeção e confirmou a precisão do aviso feito pela tecnologia, conseguindo remover as pragas da sua plantação de milho.

Em outro exemplo, este apresentado pela multinacional alemã Bosch, um fazendeiro japonês que cultiva tomates em estufas afirma que sempre usou sua intuição, baseada em conhecimento adquirido com sua experiência, para controlar a intensidade da luz e do calor na sua produção.

Após a implantação dos sensores baseados em inteligência artificial, ele passou a ter dados para controlar melhor o ambiente e pode fazer toda a checagem a distância – como são quatro estufas, a checagem presencial consumia muitas horas. Como as condições podem mudar de uma hora para outra, o ambiente podia ser afetado negativamente até que uma nova checagem manual fosse feita.

Segundo Tadashi Fukuoka, a produtividade de sua fazenda de tomates subiu 15% com o uso da inteligência artificial.


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