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Como a inteligência artificial pode criar organizações descentralizadas

A inteligência artificial pode dar mais liberdade aos colaboradores e impulsionar crescimento das empresas de maneira inovadora e organizada

POR Luiza Bravo | 09/06/2020 17h15 Foto ilustrativa (Freepik) Foto ilustrativa (Freepik)

Uma empresa na qual os colaboradores são livres para trabalhar nos projetos que desejam, onde, quando e como querem. Pode parecer irreal, mas ela existe, e fica em Londres. A Satalia usa seu principal produto – a inteligência artificial – para fortalecer a inovação aberta e impulsionar a produtividade dos funcionários. Mas como isso acontece na prática?

Dissolvendo departamentos

O conceito de inovação aberta surgiu no início dos anos 2000, e foi criado para definir a transparência na promoção de ideias, processos e pesquisas nas empresas, a fim de melhorar  o desenvolvimento de seus produtos. Hoje, ela faz parte da maioria das organizações, mas após testadas e validadas, essas inovações, em sua maioria, acabam sendo geridas de maneira tradicional, dificultando o desenvolvimento de novos modelos de negócios.

Foi pensando justamente em mudar essa realidade que o CEO da Satalia, Daniel Hulme, desenvolveu uma nova forma de gestão em sua empresa. Para isso, ele contou com a ajuda do principal produto de seu portfólio: a inteligência artificial. A empresa desenvolveu uma plataforma que permite que seus colaboradores tenham liberdade para escolher os projetos em que querem atuar, sem imposições ou o controle de um gerente, por exemplo.

Por meio de machine learning, o sistema identifica os colaboradores que mais se adequam a cada projeto, de acordo com suas habilidades, e faz sugestões. A tecnologia também permite o monitoramento de cada funcionário e o ajuda na tomada de decisões, suprindo-o com as informações necessárias para cada ocasião.

inteligência artificial Foto ilustrativa (Freepik)

Os desafios e vantagens da descentralização

Para quem está acostumado a atuar em organizações tradicionais, pode ser difícil abraçar novas formas de trabalhar. Para vencer este desafio, Daniel destaca que é preciso encorajar as pessoas a olhar para todos os projetos que correm em paralelo na empresa e a participar daqueles que mais se adequam aos seus valores e crenças pessoais. A ideia é que cada um use seus conhecimentos em diferentes frentes, de forma parecida ao que acontece na metodologia Scrum, por exemplo. A diferença é que, neste caso, o colaborador se divide em várias frentes: segundo Hulme, é possível, por exemplo trabalhar por algumas horas em um projeto de engenharia de software e, no mesmo dia, atuar também em um projeto de marketing. 

Apesar de ser difícil mensurar a real contribuição de cada um em determinados aspectos, permitir que os colaboradores transitem de forma fluida, com autonomia, aumenta a satisfação individual e impacta positivamente nos resultados finais da empresa e de seus clientes. Sem a necessidade de contratar gerentes ou supervisores, as organizações podem oferecer ainda mais uma vantagem aos funcionários: o aumento de salários. 

Esse processo de avaliação das remunerações também é auxiliado por inteligência artificial e conduzido de maneira transparente dentro da empresa. Os salários são definidos pelos próprios colegas de trabalho, e cada voto tem um peso diferente, de acordo com o conhecimento da pessoa sobre a função exercida pelo colaborador que está sendo avaliado, a proximidade com ele e a estratégia da empresa.

Por serem programados por humanos, os algoritmos de inteligência artificial também têm seus vieses. Por isso, é preciso sempre comparar as decisões tomadas pela ferramenta com as avaliações humanas e, se for o caso, combiná-las. 

Para Daniel, a tecnologia ajuda a identificar as áreas que precisam de mais atenção dentro da empresa e a diminuir ruídos, colaborando para que a organização atinja seus objetivos. Com a descentralização de suas estruturas, as companhias passam a ter acesso a novos talentos e dados, e tornam-se, assim, mais competitivas. 


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