Quer inovar na medicina? Veja a opinião de Professores de Harvard e Stanford - WHOW

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Quer inovar na medicina? Veja a opinião de Professores de Harvard e Stanford

Para Aikawa e Capasso, healthtechs dependem da valorização do governo sobre novas tecnologias, além do desenvolvimento prévio de um ecossistema de medicina

POR Carolina Cozer | 03/02/2020 14h29 (Foto: Shutterstock) (Foto: Shutterstock)

Na última sexta-feira (31) ocorreu, em São Paulo, a Hackmed Conference & Health Hackathon. Inspirado no MIT Hacking Medicine, o evento debateu inovações, empreendedorismo e liderança com foco na medicina.

Com a máxima “Somos todos pacientes”, o Hackmed trouxe nomes nacionais e internacionais para discutir a transformação da saúde do Brasil.

O Whow! conversou com dois Professores que são referência na utilização e administração de tecnologias inovadoras em medicina. Eles falaram sobre como inovar no atual cenário brasileiro e quais os passos para ter mais chances de sucesso em healthtech.

Como investir com as limitações atuais do Brasil?

medicina (Foto: Instagram/Divulgação)

Para Masanori Aikawa, Professor Doutor da Harvard Medical School, o fator mais importante é a conscientização do governo sobre a importância de novas tecnologias: “Mesmo nos Estados Unidos não há muitas oportunidades de financiamento no setor tecnológico. É preciso que o governo entenda essa necessidade.” 

Em contrapartida, caso o governo não colabore, há ainda outros meios, segundo o Professor: “Às vezes o governo não tem esse tipo de conhecimento. Contudo, a academia tem, e algumas vezes há dinheiro de sobra envolvido. Desta forma, a academia pode fornecer recursos para financiar esses projetos.”

“Use primeiro, depois aprenda como usar”

Analogamente, em sua palestra sobre aplicações de big data e inteligência artificial na pesquisa científica, Dr. Aikawa citou a tradição japonesa de bater três vezes em uma ponte antes de cruzá-la. De acordo com ele, essa tradição — que significa extrema cautela — tem um paradoxo aplicável no desenvolvimento de tecnologias de medicina.

“É preciso ser veloz nas decisões, mas também é necessário pensar um pouco no que se está desenvolvendo. Mas não dá para ficar pensando pra sempre. Como saber quando é a hora certa de começar, então? Eu sempre respondo para meus colegas e estudantes: use primeiro, depois aprenda como usar — você reverte a ordem e o mindset.”

“Quem é cuidadoso demais e tem medo de falhar ficará muito atrás dos outros. É preciso ser corajoso para experimentar novos desafios. Nós geralmente aprendemos com os erros e não com os acertos. Esta é a chave.”

Masanori Aikawa, Professor Doutor da Harvard Medical School

Por fim, Dr. Aikawa aconselha que se abra mão da exclusividade no caso de recursos escassos: “É preciso ter expertise. Encontre alguém capaz de desenvolver as tecnologias que você deseja. Faça parcerias, não lute sozinho. Isso irá acelerar seu processo.”

Para especialista, é preciso desenvolver um ecossistema antes de inovar em saúde

medicina (Foto: Instagram/Divulgação)

Robson Capasso, médico brasileiro e Professor da Stanford School of Medicine, debateu sobre Biodesign e a necessidade do desenvolvimento de um ecossistema empreendedor antes do lançamento de novas tecnologias de medicina.

Em um bate-papo com o Whow!, o Professor explicou alguns passos importantes para a abertura e sucesso de uma healthtech: “Antes, é preciso ter interação com agências do governo para fazer patenteamento de tecnologia. Tem que ter muita gente ao redor para que a empresa tenha uma taxa de sucesso maior.”

Desta forma, ele cita a importância de ter advogados de propriedade intelectual e que saibam fazer a incorporação de empresas de healthcare: “Todos esses agentes precisam estar ao seu redor. Academia, agências do governo e agentes do setor privado também; é interessante já ter empresas bem estabelecidas que tenham a possibilidade de adoção precoce da tecnologia.”

Por exemplo, ele menciona o Fleury como investidor para novas tecnologias de imagem: “Através da adoção precoce é possível entrar com tração no mercado.”

ROI na medicina: diferente dos demais

Além disso, Dr. Capasso comentou sobre as particularidades de se inovar em saúde, citando que o ROI na medicina é diferente dos demais segmentos: “Vemos muito o seguinte lá [nos Estados Unidos]: investidores de tech que começam a investir em health, mas que questionam sobre ter retorno em dois ou três anos. — Eu digo: “Você não vai ter retorno em dois ou três anos. Espere para mais de sete a dez.”

“É preciso ter bom relacionamento com o hospital e com os médicos; é preciso ter um investidor focado em healthcare, ou que tem um expertise e interesse muito grande, porque a tolerância ao risco tem que ser maior. O risco é maior e o retorno do investimento será a longo prazo.”

Robson Capasso, médico brasileiro e Professor da Stanford School of Medicine

  1. “O foco do Design Thinking é quase sempre no consumidor. Então, o processo de fazer várias entrevistas com usuários e passar tempo com eles é um pouco mais complicado na saúde, porque o consumidor são muitos. O paciente, a sua família, o hospital, a seguradora, o administrador do hospital, governo e agências regulatórias são todos consumidores para healthtechs. Então essa análise é um pouco distinta.”
  2. “O Biodesign leva em consideração aspectos regulatórios que são muito importantes. Quando você faz uma tecnologia médica precisa ter avaliação de agência reguladoras, como o FDA ou a Anvisa, para saber se o device é seguro ou eficaz.”
  3. “Para você saber se a tecnologia é segura e eficaz, é preciso produzir dados clínicos a respeito. O Biodesign tem um pouco mais de foco [que o Design Thinking] na produção de tecnologia médica. Ele analisa o processo tomando em consideração as necessidades do paciente, além de estratégia regulatória e de P&D.”

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