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Consumo

5 inovações em moda que surgiram em função da COVID-19

Tecidos repelentes, showrooms virtuais e purificadores de ar são algumas inovações que surgiram pela necessidade de adaptação do mercado de moda à Covid-19

POR Carolina Cozer | 02/07/2020 13h50

Isolamento social combina com moda? Com as pessoas impossibilitadas de saírem de casa, é fácil concluir que as pessoas não estão consumindo tantos elementos fashion quanto antes ― ao menos não pelos meios tradicionais. 

Para se manter competitivo no mercado, o varejo de moda está precisando se reinventar. Enquanto, por exemplo, as roupas sociais estão se tornando cada vez menos relevantes ― em um cenário profissional totalmente caseiro ― as máscaras e roupas Covid-free ganham um espaço nunca antes visto nos guarda-roupas da população.

Separamos cinco categorias de inovações que mostram como o mercado de moda está se adaptando ao cenário da pandemia de coronavírus. Confira:


Produtos de alto desempenho para atletas

inovações Foto ilustrativa (Pexels)

Engana-se quem pensa que apenas o pequeno varejo sentiu necessidade de escalar os modelos de negócio para terem subsídios no novo normal. Marcas tradicionais de sportswear, como Nike e Adidas, também estão desenvolvendo produtos contextualizados para a realidade da pandemia.

A Nike está fabricando escudos de proteção facial e lentes respiratórias de purificação do ar com materiais reaproveitados de calçados e roupas, para ajudar os profissionais de saúde nas linhas de frente. As equipes de inovação, fabricação e produto da Nike estão trabalhando com profissionais de saúde da Universidade de Oregon para produzir os EPIs.

Já a Adidas lançou uma máscara facial reutilizável, feita de material reciclável, de alto desempenho e respirável, sendo recomendada para o uso durante práticas esportivas. A máscara está disponível para compra na Europa, América do Norte e China, com parte do preço de venda revertida ao Save The Children’s Global Coronavirus Response Fund.

Showrooms e provadores virtuais

Experiências online imersivas estão sendo a solução empregada por muitas marcas de moda para substituir os tradicionais showrooms. A italiana Diesel, por exemplo, lançou uma plataforma de vendas com display em 360 graus de seus produtos. Batizada como Hyperoom, a plataforma permite mergulhar nos detalhes dos itens através de closeups e descrições detalhadas, tudo em um ambiente virtual que passa ao cliente a vibração da marca e da coleção em questão.

A plataforma de e-commerce B2B NuOrder, de Los Angeles, lançou recentemente uma solução para varejistas que, assim como a Diesel, querem abrir seus showrooms no mundo dos pixels. A plataforma permite que os consumidores tenham a visão de 360 ​​graus dos produtos, observando itens de todos os ângulos e ampliando o zoom para dar detalhes em close.

Há, ainda, aqueles que apostam na realidade aumentada como alternativa aos provadores das lojas. A varejista britânica ASOS está usando tecnologia AR para simular avatares das modelos oficiais da marca, para que as roupas sejam exibidas em uma vitrine virtual que não coloque as modelos em risco de contágio. Cada produto é mapeado na modelo de maneira realista, levando em consideração o tamanho, o corte e o ajuste de cada peça.

“Antivírus” nas roupas

Enquanto a vacina da Covid-19 ainda está longe de surgir, pesquisadores e inovadores no mundo inteiro têm criado soluções paliativas para manter longe o coronavírus SARS-CoV-2. E na indústria têxtil não tem sido diferente.

A empresa brasileira Dalila Textil e a italiana Albini Group fizeram uma collab para o desenvolvimento de um tecido capaz de repelir vírus, inclusive o SARS-CoV-2. A malha antiviral desenvolvida pelo grupo utiliza partículas de prata para bloquear e expelir os vírus da membrana do tecido. Segundo a Dalila Textil, o produto tem certificação de 99% de eficácia pelo Laboratório de Virologia da UNICAMP.

Outras varejistas fashion também apostam malhas de metais na criação de peças protetivas contra o novo coronavírus. A britânica Vollebak lançou uma jaqueta de fios de cobre que promete proteger o usuário dos vírus graças aos íons eletronicamente carregados do cobre. Segundo descrição oficial, os íons desse metal são capazes de conduzir calor e energia enquanto matam bactérias e vírus.

Semelhantemente, os têxteis antivirais também podem ser usados na confecção de máscaras faciais, como é o caso das SonoMasks, desenvolvidas pela startup israelense SonoviaTech. O tecido das máscaras é fabricado com nanopartículas metálicas, que são comprovadamente anti-patógenas. Atualmente, a empresa está arrecadando fundos para ampliar, comercializar e tornar viável a sua tecnologia para o mercado.

De outro lado, há ainda a Carlo Ratti Associati, uma empresa de inovação e design, que está desenvolvendo um purificador de guarda-roupa portátil que usa ozônio para remover a maioria dos microrganismos, bactérias e vírus de roupas e tecidos. O produto, chamado Pura-Case, está em fase de prototipação e prestes a ser lançado através de uma campanha de crowdfunding no Kickstarter.

A última moda é o distanciamento social

Apesar dos múltiplos avisos sobre a necessidade do distanciamento em espaços públicos, muitas pessoas ainda não parecem ter absorvido essa ideia por completo. Naturalmente, como quaisquer novas medidas, leva um tempo até que a linguagem corporal se naturalize e as pessoas passem a respeitar as novas normas com espontaneidade. Nesse ínterim, o mundo da moda também tem tentado projetar acessórios que auxiliem na educação social desse novo contexto.

Um exemplo são os colares de distanciamento sChoker, fabricados na Índia. O dispositivo é uma fina coleira metálica, feita a partir de fibra de carbono, que integra sensores térmicos que identificam radiações infravermelhas que emanam da temperatura dos passantes. Assim, através de um sinal sonoro ou visual, o usuário é capaz de saber se está a uma distância segura ou perigosa.

Não tão discretos quanto o sChoker, mas igualmente eficazes, são os trajes infláveis do designer Fred Erik. O protótipo consiste em uma roupa que emite um sinal acústico quando há aproximação excessiva em ambientes públicos. Caso o sinal seja ignorado, a roupa incha e força um distanciamento físico. Segundo o designer, a inspiração para o projeto foram os baiacus, que inflam o corpo como um sinal de proteção. 

Iniciativas sociais

O termo “inovação social” também tem se feito presente na indústria da moda, através de iniciativas como a Dáme Roušky, da República Tcheca. O projeto fornece um mapa interativo que conecta pessoas que costuram máscaras com aqueles que precisam delas. O mapa é alimentado por voluntários, e até o momento mais de 600 mil EPIs já foram doadas.

No Chile, a tradicional marca têxtil Monarch pausou a sua produção de meias e camisetas para focar em máscaras faciais, que estão sendo vendidas a preço de custo para as Forças Armadas. Os tecidos são fabricados em bambu e incrustados com cobre, devido às propriedades antibacterianas e fungicidas destes materiais. Cada fábrica da Monarch no país produz cerca de três mil máscaras diariamente, com eficácia garantida pela Universidade do Chile.

Enquanto alguns meios de produção focam da manufatura em massa de EPIs, algumas startups buscam resolver outro problema: o design ineficaz e datado das máscaras cirúrgicas. Mesmo antes da crise do coronavírus, os médicos criticaram as máscaras cirúrgicas ou N95 por seu encaixe duvidoso e desconfortável. A startup de moda Ministry of Supply, de Boston, desenvolveu uma parceria com médicos e especialistas em design do MIT e da MakerHealth para o desenvolvimento de um novo desenho do produto para profissionais de saúde, que promete melhor filtragem, ajuste e conforto para se trabalhar por longas horas, além de serem produzidas via impressora 3D, o que possibilita a manufatura de inúmeras unidades diariamente. A primeira leva do produto já está em produção, e cinco mil máscaras serão doadas a médicos de Boston.


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