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Inovação orientada para a inclusão e diversidade

Executivos da Bayer, Natura e Ben & Jerry’s falam como as respectivas empresas multinacionais tratam do assunto internamente

POR Adriana Fonseca | 25/09/2020 17h22

Empresas com ações práticas de inclusão e diversidade são 11 vezes mais inovadoras do que as outras e conseguem ter até 15% mais lucratividade para o negócio. Os funcionários dessas organizações são seis vezes mais criativos. A sequência de dados foi apresentada por Marc Reichardt, presidente-executivo e CEO do Grupo Bayer Brasil, em painel que aconteceu de forma online  no Congresso Brasil-Alemanha de Inovação.

O CEO comentou sobre como a Bayer, uma multinacional alemã, trabalha internamente a diversidade e a inclusão e citou, como exemplo, o programa de trainee exclusivo para negros recém-lançado pela companhia. “Mais de 50% da população brasileira se autodeclara negra ou parda e somente 5% da liderança das empresas pertence a esse grupo”, diz, explicando uma das motivações da criação do programa. 

Inclusão e diversidade para inovar

Segundo ele, na companhia alemã, a diversidade é estratégica, porque tem relação com a inovação. “Acreditamos que atraindo esses talentos atraímos diferentes formas de ver o mundo”, afirma. “Com a conjunção dessa pluralidade estamos aumentando nossa capacidade de inovar e levar soluções transformadoras aos nossos clientes.”

Denise Hills, diretora global de sustentabilidade da Natura, relembrou a longa trajetória da empresa com a questão da diversidade e inclusão, tema que já é abordado internamente pela companhia desde a década de 90. “A diversidade é tão essencial para a gente tanto para gerar impacto social positivo quanto para ter inovação”, diz. Ela citou o programa de vendas diretas da empresa que, desde de a época de sua criação, inclui as mulheres no mercado de trabalho. 

Hoje, a Natura atua em quatro frentes no pilar de inclusão e diversidade: equidade e gênero, pessoas com deficiência, equidade étnico-racial e diversidade sexual e de gênero. 

Em uma de suas iniciativas para aumentar o acesso de pessoas com deficiência a empregos, a multinacional brasileira inaugurou um centro de distribuição inclusivo em São Paulo. “Ele foi concebido para oferecer oportunidade de emprego para pessoas com deficiência”, explica Denise. Para isso, a inovação foi utilizada e o CD faz uso de uma ferramenta chamada “picking by light”, por meio da qual a indicação das tarefas e de como os produtos devem ser separados é feita com luzes. “Isso permite que pessoas com diferentes deficiências atuem na função”, diz a executiva. Hoje, segundo ela, 20% dos colaboradores dessa área têm deficiência.

Visão estratégica com foco na sociedade

diversidade Foto Christina Wocintechchat (Unsplash)

Adriana Castro, CEO da Ben & Jerry’s, no Brasil, também apresentou a história da multinacional com a inclusão e diversidade. Os números surpreendem.

Hoje, o time da empresa por aqui tem 37% de negros, 66% de mulheres, 31% de lésbicas, gays e bissexuais, e 6% de travestis/transexuais. A meta, segundo a executiva, é chegar em torno de 55% de negros, representando a população brasileira na mesma proporção.

“Não tem como inovar sem ter olhares diferentes. As histórias de vida diferentes trazem esse olhar diferente.”

Adriana Castro, CEO da Ben & Jerry’s, no Brasil

A empresa olha para a diversidade desde sua fundação. Ainda na década de 80 os fundadores trouxeram conceitos progressivos para a companhia e a essência da marca tem três partes: missão produto, missão econômica e missão social.

A primeira delas se refere a criar o melhor produto possível, o que passa pela fórmula e os ingredientes, mas também em privilegiar microprodutores e cooperativas. Adriana conta que em um dos sorvetes mais vendidos da Ben & Jerry’s, o Chocolate Fudge Brownie, os brownies são feitos por uma confeitaria que reintegra pessoas à sociedade.

No segundo pilar, o econômico, é claro que a empresa precisa devolver o investimento ao acionista, mas procura fazer isso de forma que todos prosperem. “Precisamos devolver também aos colaboradores, fornecedores, remunerar bem a cadeia de produção”, comenta a executiva.

Por fim, a missão social se refere a usar o potencial do negócio para impactar positivamente a sociedade. “Olhamos os problemas da sociedade e tratamos deles. Se isso for bom ou não para a marca é consequência.”


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