Inovação: Conheça a geoengenharia e as suas oportunidades de negócio - WHOW
Tecnologia

Inovação: Conheça a geoengenharia e as suas oportunidades de negócio

Esta é uma estratégia que pode ajudar a evitar o aquecimento global através da modificação intencional em larga escala do clima

POR Adriana Fonseca | 08/07/2020 17h05

Quando se fala em descobertas climáticas, o cenário é bastante desafiador para os próximos anos.

O mundo já aqueceu um grau Celsius além dos níveis pré-industriais e está esquentando mais rápido do que nunca. Pelas estimativas atuais do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC), passaremos a marca de 1,5 grau de aquecimento até 2040. Como consequência, dezenas de milhões de pessoas, especialmente em pequenos países insulares, serão expostas a inundações. Além disso, o calor extremo se tornará mais comum para até 14% da população global.

Com quatro graus de aquecimento ocorreria a inundação das cidades costeiras ao redor do mundo, um aumento significativo da escassez de água, desnutrição e ondas de calor sem precedentes, de acordo com um relatório do Banco Mundial.

A dificuldade de se conter o aquecimento global é que, mesmo que os governos façam a transição de suas economias para longe dos combustíveis fósseis e reduzam as emissões, isso não seria suficiente para evitar as consequências negativas do aquecimento. Uma alternativa que vem sendo apresentada como resposta é a geoengenharia, uma solução tecnológica para combater as mudanças climáticas que remove gases de efeito estufa da atmosfera e desvia a radiação solar da Terra.

Muitos tipos diferentes de tecnologias se enquadram no guarda-chuva da geoengenharia, incluindo florestamento e intemperismo melhorado, que utilizam proteções naturais do efeito estufa para absorver as emissões, e abordagens como o biochar (nome que tem o carvão vegetal quando é empregado como correção para o solo) e a captura de carbono, que tiram o CO2 do ar e o armazenam em segurança no chão, como faz a startup suíça Climeworks, apresentada aqui no Whow!.

A geoengenharia pode causar danos?

A geoengenharia tem o potencial de fazer algumas mudanças em larga escala na quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera, mas não é isenta de riscos. 

Um relatório do MIT pontua que os críticos argumentam que falar abertamente sobre a possibilidade de uma solução tecnológica para a mudança climática aliviará a pressão sobre a importância de se abordar a causa raiz do problema: aumento das emissões de gases de efeito estufa. Alguns acreditam que avançar com experimentos ao ar livre é uma “ladeira escorregadia”, pois isso poderia criar incentivos para a realização de experimentos cada vez maiores, até que efetivamente façamos geoengenharia sem ter decidido coletivamente como resolver a raiz do problema.

Os críticos dizem que a geoengenharia poderia desincentivar uma transição para longe dos combustíveis fósseis, e algumas técnicas poderiam introduzir danos ainda maiores aos seres humanos e ao meio ambiente.


Abordagem nos negócios

A acelerador de startups Y Combinator, dos Estados Unidos, por exemplo, abriu chamada direcionada a empresários interessados em implementar tecnologias de geoengenharia lucrativa, como remoção de carbono, em grande escala. O programa se concentrou em quatro tecnologias de remoção de gases de efeito estufa: sequestro de carbono via fitoplâncton oceânico, intemperismo eletroquímico aprimorado, fixação de carbono e criação de reservatórios no deserto que retêm carbono.

Embora essas tecnologias ainda estejam em fase de pesquisa e pré-comercialização, a Y Combinator financiou outros projetos convencionais, incluindo:

  • Prometheus, que usa energia solar e eólica isenta de emissões para transformar dióxido de carbono sequestrado em combustível;
  • Wren, que permite às empresas compensar suas emissões de carbono investindo em outros projetos de remoção de gases de efeito estufa;
  • Saratoga Energy, que transforma dióxido de carbono na atmosfera em nanotubos de carbono para uso em veículos elétricos e redes de energia.

A expectativa é que as indústrias de baixo carbono atinjam um tamanho de mercado superior a US$ 2 trilhões até 2030. 

Outras oportunidades de comercialização para a geoengenharia giram em torno da captura de subprodutos prejudiciais da indústria e da sua venda para outras indústrias, onde podem ser usados como combustível e recursos. O dióxido de carbono extraído da atmosfera, por exemplo, pode ser vendido para uso em operações comerciais aprimoradas de recuperação de petróleo, para potencialmente produzir combustíveis de aviação ou mesmo para fazer bebidas carbonatadas.


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