Propostas para inovação no Brasil, segundo Ministério da Economia e XP Investimentos  - WHOW

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Propostas para inovação no Brasil, segundo Ministério da Economia e XP Investimentos 

Representantes dos setores público e privado comentam suas propostas para que o setor da inovação possa acelerar o passo em 2020 no País

POR Raphael Coraccini | 16/12/2019 10h00 Foto (Pixabay) Foto (Pixabay)

O setor de inovação brasileiro entra em 2020 animado com as medidas macroeconômicas no que diz respeito à redução dos juros no País, que tem potencial de colocar mais dinheiro em iniciativas da economia real.

Para Geanluca Lorenzon, diretor federal de Desburocratização no Ministério da Economia, é preciso zerar a agenda de reformas no Brasil em 2020 para que o País tenha o ambiente propício para retomar o crescimento. Mas segundo ele, a oportunidade para concluir a agenda de reformas tem prazo curto. 

“Existe um sentimento dentro do Ministério da Economia de que ‘é agora ou nunca’. Ou entregamos logo as reformas ou não será possível concluir ao final dos três anos que restam de mandato. É preciso avançar para que o Brasil não tenha menos unicórnios que Colômbia, Chile ou México”

Geanluca Lorenzon, diretor federal de Desburocratização no Ministério da Economia

inovação Foto Vanessa Bumbeers (Unsplash)

MP da Liberdade Econômica

Uma das apostas do governo brasileiro para além das reformas econômicas é a Medida Provisória da Liberdade Econômica, que foi transformada em Lei com Veto parcial. A proposta, segundo Lorenzon, visa, entre outras coisas, reduzir custos para pequenas e médias startups tocarem seus negócios com uma diferenciação de atendimento. 

“Esses empreendedores entendem que os custos de fazer negócios no Brasil são impeditivos para avançar. Não conseguem emplacar e são, portanto marginalizados em relação às grandes startups e empresas, que estão fazendo seu lobby no Congresso dia sim e outro também”

Geanluca Lorenzon, diretor federal de Desburocratização no Ministério da Economia

Menos Estado

Para tanto, a ideia central é reduzir a burocracia e, segundo o representante do governo, transformar radicalmente o que o Estado faz. “A ideia é que 40% dos negócios não oferecem riscos substanciais, como pequenas instituições financeiras e startups, esse topo precisa estar numa faixa em que o burocrata diga eu não quero olhar para você. Outros 40% é de negócios repetitivos, como hotéis e centros de eventos e precisam de licenças mais ágeis. Apenas 20% dos negócios seriam regulados como hoje. Na Europa, esses casos já são exceções”, diz Lorenzon.

Contenção dos juros

Para Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, o Brasil está virando a página dos juros altos e da inflação desregulada, o que impacta diretamente a possibilidade de criar um ecossistema de inovação promissor.  “Inovação precisa de estabilidade. Passamos muito tempo lidando com inflação e juros elevados”, avalia a especialista.

A política de juros baixos deve ser aprofundada em 2020 e os sinais apareceram neste mês, com mais uma queda na taxa Selic, que está em 4,5%, recorde da série histórica.

inovação Foto Sergio Souza (Unsplash)

Reforma tributária

Ela garante que as propostas do governo para a política econômica está na direção certa. 

“Essa discussão que está sendo proposta é o alicerce para fazermos crescer essa onda de inovação. Mas, o Custo Brasil ainda é um problema, assim como a qualidade da mão de obra e o ambiente de negócios muito difícil. É difícil inovar e nesses aspectos o Brasil destoa do resto do mundo”

 Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos

A economista afirma que, hoje, o Brasil é incapaz de reduzir carga tributária, mas que é preciso reorganizar o sistema. Para ela, é preciso reduzir a acumulação dos tributos de bens de consumo, passando de cobrar na origem, ou seja, na produção, para cobrar no destino. “Cadeias de produção acabam tendo cargas muito elevadas. No processamento nós não somos competitivos, o Brasil é competitivo em celulose, por exemplo, mas não na produção de papel”, exemplifica.

Educação e mercado de trabalho

Para a executiva, além de direcionar o capital para empreendimentos inovadores, é preciso também colocar trabalhadores nessa nova rota. “Com todo respeito a contadores e advogados, é muita gente para entender as portarias novas quando a gente deveria ter mais engenheiros, pessoal de TI”, conclui.


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