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Inovação no sistema de saúde brasileiro: o antídoto para a ineficiência

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Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

A tecnologia têm sido cada vez mais utilizada para aprimorar produtos e serviços nos mais diversos segmentos, com diferentes objetivos. A área da Saúde é, sem dúvida, uma das mais beneficiadas pelas novidades. E se, no início, as soluções se restringiam a equipamentos caros e inacessíveis para a maior parte das pessoas, hoje o cenário mudou. Mas como a inovação tem ajudado milhões de pessoas no país a ter acesso a melhores serviços no segmento?

Ineficiência na saúde: uma doença crônica

O sistema de saúde do Brasil é conhecido por suas deficiências há anos. A má administração e a crescente demanda ― cerca de 160 milhões de brasileiros dependem exclusivamente do SUS ― levaram a maior parte dos hospitais públicos do país ao caos. Quem tem condições, recorre aos planos de saúde para ter acesso a hospitais particulares em casos de emergência. Para ¾ da população, no entanto, essa não é uma alternativa viável. Um dos principais desafios da indústria médica atualmente é conseguir oferecer planos a preços mais competitivos e, assim, possibilitar o acesso de mais pessoas à saúde privada.

O maior entrave nesse sentido é a inflação médica. Responsável pelo reajuste dos preços das apólices, o índice chega a ser quatro vezes maior do que o IPCA ― a inflação “comum”. O resultado: aumentos salariais que não acompanham a escalada dos preços praticados pelas operadoras, e cada vez mais gente sem condições de arcar com planos privados.

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Imagem ilustrativa (Freepik)

Tecnologia: um possível remédio

É nesse cenário que as tecnologias facilitam o acesso à saúde e beneficiem não apenas os pacientes, mas o mercado como um todo, já que colaboram para o funcionamento pleno de toda a cadeia.

Uma das tendências que vêm ganhando força é a telemedicina. O portal Neo, por exemplo, usa a tecnologia para simplificar o fornecimento de laudos médicos para clínicas, laboratórios e hospitais. A plataforma conecta os estabelecimentos de saúde com médicos especialistas, que laudam e devolvem os exames em até 24h.

A telemedicina também tem se mostrado uma forte aliada para desafogar o sistema de saúde em meio à pandemia da Covid-19. A SulAmérica, uma das maiores operadoras de planos de saúde do Brasil (são 2,4 milhões de segurados), está acompanhando o fenômeno de perto. A empresa lançou em seu aplicativo, no ano passado, uma ferramenta chamada “Médico na Tela”.

Até pouco tempo atrás, eram realizados cerca de 500 atendimentos por mês pela plataforma, que conta com um milhão de usuários. Com o surto do novo coronavírus, passaram a ser feitos 500 atendimentos por dia.

O head de Estratégia Digital, Inovação e Tecnologia da empresa, Cristiano Barbieri, diz que o serviço faz com que o cliente não precise ir até o hospital. “Tivemos que mudá-lo radicalmente com a pandemia: passamos de cerca de dez médicos disponíveis na plataforma para mais de 300. Também mexemos na estrutura do aplicativo, na árvore de decisão, usando inteligência artificial para direcionar os pacientes e fazer a triagem”, explicou ao Whow!.

Em uma semana, a SulAmérica também transformou a teleorientação em teleconsulta: o médico pode atender o paciente a distância e prescrever medicamentos. A receita, que tem um QR code que substitui a assinatura do médico, é enviada pelo aplicativo para o paciente e para os sistemas de diversas farmácias. Atualmente, cerca de 100 consultas com prescrições médicas são realizadas todos os dias pela plataforma.

O Dr. Consulta, fundado em 2011, também iniciou o uso da telemedicina, depois da autorização por conta do coronavírus. São realizados três mil atendimentos por dia neste formato, além dos centros médicos.

Prognóstico favorável

A área da Saúde oferece inúmeras oportunidades para inovação. Prova disso é que, segundo a Associação Brasileira de Startups, o número de healthtechs praticamente dobrou entre 2015 e 2019, passando de 235 para 406.

Hoje, com um dos modelos de negócio mais copiados do país, a startup tem a proposta de oferecer consultas ambulatoriais e exames simples de forma rápida e com preços mais acessíveis. Com mais 55 clínicas em três estados, a startup coleta e processa milhões de dados de seus pacientes, que são reunidos em um prontuário eletrônico e ajudam os médicos na tomada de decisões.

O CEO do Dr. Consulta, Renato Cardoso, explica que a tecnologia ajuda os profissionais a chegar a diagnósticos mais precisos, com menos exames. ”Na saúde suplementar, a média de exames pedidos em uma consulta para se chegar a um diagnóstico varia de 5 a 8. Os algoritmos usados no Dr. Consulta permitem que se chegue em um diagnóstico perfeito com apenas 2,7 exames, em média”, disse ao Whow!.

Renato afirma que os dados coletados nas consultas dos pacientes são usados estritamente para melhorar a conduta dos profissionais na clínica. O histórico do paciente fica registrado no sistema, facilitando tratamentos futuros. Pelo aplicativo do Dr. Consulta, o usuário tem acesso aos resultados de todos os exames realizados, e caso deseje, pode abrir o prontuário no próprio celular e mostrá-lo a outros médicos que não fazem parte do corpo clínico da empresa.

Imagem ilustrativa (Freepik)

Aposta no valor dos dados

Atualmente, uma equipe de cientistas de dados da SulAmérica se dedica exclusivamente à pandemia da COVID-19, e faz simulações dos impactos da doença em seus segurados. Com isso, é possível desenvolver ou remodelar serviços mais rapidamente. A área de inovação da SulAmérica conta ainda com profissionais que mapeiam e rastreiam startups da área de saúde, identificando soluções que podem ser interessantes para a empresa e, quando possível, firmando parcerias.

Apesar dos desafios, Barbieri enxerga muitas oportunidades para a aplicação da tecnologia no setor.

“Acredito que a área de saúde é uma das que mais vão se beneficiar dessa digitalização. Eu vejo os investimentos em transformação tecnológica e digitalização da indústria de saúde crescendo nos próximos anos: vamos usar telemedicina e dados em escala, e com mais eficiência, será possível trazer mais gente pra dentro do sistema”

Cristiano Barbieri, head de Estratégia Digital, Inovação e Tecnologia da SulAmérica

É também através dos dados que o Dr Consulta já tem, como os sociodemográficos públicos, que ajudam a definir uma próxima região pra se fazer uma nova clínica. A empresa tem planos de expansão para Minas Gerais e o Rio de Janeiro, uma vez que ela ainda está concentrada na região metropolitana de São Paulo.

Renato ainda completa: “Você nunca vai ver uma crise, uma bolha no setor da saúde, porque é algo que todo mundo precisa e que sempre vai precisar.”

“A população brasileira está aumentando e envelhecendo, então há um campo fértil para o crescimento da indústria da Saúde. Cada vez mais o setor vai precisar de players que coloquem de pé um modelo disruptivo, eficiente e de qualidade”

Renato Cardoso, CEO do Dr. Consulta


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