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Inovação aberta cria máquina para reciclagem de lixo espacial

Startup e empresa petroquímica criaram uma máquina para reciclagem de lixo durante missões espaciais, que fornecerá recursos para impressora 3D

POR Carolina Cozer | 09/12/2019 11h08 Inovação aberta cria máquina para reciclagem de lixo espacial Foto (Freepik)

A Made In Space, a empresa de engenharia espacial norte-americana, e a Braskem, formaram uma parceria que possibilitou a instalação do primeiro sistema de reciclagem espacial do mundo. Ele irá processar detritos gerados nas missões da NASA.

Reciclagem sideral

A máquina se chama Braskem Recycler, e é, basicamente, um moedor de plástico capaz de fornecer recursos para o funcionamento de uma impressora 3D utilizada por astronautas, a Additive Manufacturing Facility (AMF), que já imprime produtos utilizando polímeros de cana de açúcar.

Além de melhorar as taxas de sustentabilidade e a logística espacial (uma vez que todo o lixo produzido nas missões fica acumulado dentro das estações), com o material produzido pela máquina, e com a impressora 3D abastecida, será possível criar matérias-primas úteis para a base e a tripulação, como novas peças e ferramentas, resolvendo demandas inéditas ou reposições.

A Braskem Recycler é um sistema automatizado, o que significa que os astronautas praticamente não precisarão se envolver no processo. Eles apenas inserem o lixo a ser convertido na máquina e retiram, pronta, a nova “tinta” para a impressora.

O lançamento da reciladora ocorreu no início de novembro, na unidade da NASA no estado de Virgínia, nos Estados Unidos, em direção à Estação Espacial Internacional (ISS), onde o aparelho está instalado.

https://www.youtube.com/watch?v=ukGKsymnR6Y

Tecnologias-chave para Marte

A Made in Space foi a empresa responsável pela montagem, tanto da impressora AMF quanto da Braskem Recycler. Sediada no Vale do Silício, produz tecnologias capazes de trabalhar em locais de gravidade zero, já tendo recebido aportes milionários da NASA para a manufatura de seus serviços.

A startup estabeleceu parceria com a Braskem em 2016, quando iniciaram o projeto “Imprimindo o Futuro” para o desenvolvimento da AMF, que utiliza o plástico sustentável I’m Green da petroquímica. De acordo com a NASA, a impressão 3D no espaço é uma das tecnologias-chave que vão possibilitar a chegada da humanidade em Marte.

Michael Snyder, engenheiro-chefe da Made In Space, comentou em nota oficial para o portal da emrpesa parceira, que as novas tecnologias de reciclagem fora da Terra são complementares à exploração espacial: “recursos para fabricação local são fundamentais para a exploração espacial. Demonstrar e validar as capacidades de reciclagem na Estação Espacial Internacional são etapas importantes para o desenvolvimento de sistemas de fabricação sustentáveis que vão permitir o avanço nos estudos sobre o sistema solar.”

lixo Foto Jonas Verstuyft (Unsplash)

Uma indústria fora da Terra

Outro serviço desenvolvido pela Made in Space é a produção de fibra ótica diretamente dentro da estação espacial, com fins de comercialização na Terra. A decisão de construir o produto fora do planeta foi tomada devido a gravidade do planeta produzir imperfeições na estrutura de cristal da fibra. Desta forma, as propriedades do ambiente de gravidade reduzida poderão garantir um produto ainda superior ao que pode ser produzido por aqui.

Segundo o portal Space.com, a fibra ótica de gravidade zero ainda está em fase de testes e, caso os resultados sejam bem-sucedidos, a empresa irá investir em novos projetos para a expansão da presença humana no sistema solar.


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