Indústria da aviação aterrissa no Vale do Silício - WHOW
Tecnologia

Indústria da aviação aterrissa no Vale do Silício

Veja porque essas empresas demoraram tanto para chegar ao maior polo de tecnologia do mundo, e como a inovação no setor pode transformar o futuro

POR Luiza Bravo | 20/02/2020 12h41 Indústria da aviação aterrissa no Vale do Silício

Aviões estão entre as tecnologias mais impressionantes do mundo, e foram responsáveis por revolucionar a forma de locomoção de bilhões de pessoas ao redor do planeta. Por incrível que pareça, no entanto, a indústria da aviação demorou para chegar ao berço da tecnologia: o Vale do Silício.

Esse panorama, no entanto, está mudando. Apesar do atraso de quase 20 anos em relação a empresas de outros setores, Airbus, Boeing e Embraer já aterrissaram na região, assim como a lowcost americana JetBlue e a alemã Lufthansa.

Vale do Silício Foto Acubed (divulgação)

Por que estar no Vale do Silício é tão importante?

As razões para a instalação das empresas de aviação no Vale do Silício são claras.

Atualmente, não é mais interessante para as companhias esperar que as mudanças cheguem. É necessário ir atrás delas, independentemente de seu setor de atuação. O vasto repertório de talentos da região e a capacidade aparentemente interminável de propor soluções inteligentes em larga escala, baseadas em tecnologia, podem ajudar essas empresas a atualizar rapidamente suas ofertas e melhorar suas operações em um mercado altamente competitivo.

As companhias aéreas e os fabricantes de aeronaves já estão experimentando, desde inteligência artificial à realidade virtual, tudo para proporcionar mais eficiência nos voos e opções de entretenimento a bordo capazes de atrair novos clientes.

A inovação também pode ir além das melhorias para aviões “convencionais”. A criação de táxis aéreos autônomos e de aviões totalmente elétricos, por exemplo, pode revolucionar a mobilidade urbana nos próximos anos.

A Embraer, que também possui um polo de pesquisa e desenvolvimento na Flórida, reinveste cerca de 10% de sua receita em inovação, e garante que isso foi fundamental para sua lucratividade nos últimos anos. Marcando presença no Vale do Silício, a empresa conta com a colaboração de startups, investidores e pesquisadores para viabilizar novas tecnologias e novos modelos de negócios.

Vale do Silício Foto Acubed (divulgação)

Os desafios do mercado de aviões

O desenvolvimento de tecnologia no setor de aviação costuma ser lento.

Esse contato mais próximo com startups possibilita o monitoramento de inovações disruptivas que podem transformar o transporte aéreo de pessoas ou cargas. Para isso, é preciso implantar melhorias em diversos pontos, como fabricação, gerenciamento da cadeia de suprimentos, controle de aeronaves, sistemas de navegação, comodidades na cabine, wi-fi, tecnologia de comunicações, entre outros.

A área é um terreno fértil, repleto de pessoas que trabalham com tecnologia de transporte, mobilidade pessoal e até carros voadores. A A³, ou Acubed, empresa da Airbus que se instalou a região, possui projetos atualmente em quatro frentes: aceleração e fabricação aeroespacial por meio de tecnologias digitais; aproveitamento de plataformas aéreas para melhoria da previsão do tempo; aprimoramento das redes enxame para missões autônomas de observação da Terra; e aprendizado de máquina para operação autônoma de aeronaves.

Montar postos de inovação no Vale do Silício pode ser um grande passo, mas não é garantia de sucesso para as empresas de aviação.

Para conseguir avançar, de fato, no quesito inovação, essas companhias precisam deixar de lado um pouco de sua seriedade tradicional e se abrir para as propostas dos jovens empreendedores da região, abraçando mudanças na forma de trabalhar para que novas ideias saiam do papel.

Aqui no Brasil, a Embraer participa de ações de inovação como o Fundo Aeroespacial, que tem o objetivo de apoiar empresas nacionais que desenvolvam tecnologia de ponta nos setores aeronáutico, espacial, de defesa e segurança, com responsabilidade social e sustentabilidade.


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