Inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho é essencial no Brasil e no mundo - WHOW

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Inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho é essencial no Brasil e no mundo

Iniciativas como a plataforma Transempregos tentam reduzir a lacuna entre pessoas cis e trans no mercado de trabalho

POR Marcelo Almeida | 12/11/2021 21h11

Não é fato novo que ainda existe um preconceito amplo e muitas vezes explícito contra pessoas trans, ainda que nos países mais desenvolvidos.

No Brasil, isso se mostra de forma ainda mais clara, já que estamos no topo do ranking de países onde mais se mata pessoas trans, com 175 mortes apenas em 2020. Além disso, estudo feito no começo do ano em São Paulo aponta que a taxa de pessoas transgênero que exerciam algum tipo de atividade remunerada, mesmo informal, era de 59%, sendo que muitas acabam recorrendo à prostituição para sobreviver.

Para tentar melhorar esse cenário, não basta só assistencialismo: os empregadores precisam estar dispostos a contratar essas pessoas. Algumas iniciativas, como o site Transempregos, tenta minimizar o problema focando em vagas apenas para pessoas trans.

Empresas mais inclusivas geralmente possuem vagas voltadas apenas para essa parte da população, mas, embora válidas e louváveis, essas medidas ainda são pequenas perto do amplo e estrutural problema do enraizado preconceito.

Pesquisas mostram que empresas que investem em diversidade e inclusão são mais inovadoras e têm resultados melhores na média. Portanto, medidas mais amplas para incluir grupos marginalizados, como é o caso das pessoas trans, no mercado de trabalho aumentariam significativamente os índices de eficiência do país, impulsionando a economia.

Já nos EUA, um estudo feito pela McKinsey focou em aspectos relacionados a renda, empregabilidade e ambiente de trabalho. Dentre os principais dados, o estudo destaca que adultos trans têm o dobro de chance de estarem desempregados. Além disso, pessoas cis ganham 32% a mais que pessoas trans em média, uma disparidade significativa.

Outro dado relevante é que, quando conseguem, as pessoas trans preferem permanecer “no armário” em suas profissões e não falar sobre o fato de serem trans, além de se sentirem menos apoiadas no ambiente de trabalho e em geral sentirem que não conseguem se adaptar muito bem à cultura do local de trabalho e serem promovidas. Trata-se, portanto, de um problema de inclusão, que é ainda mais profundo que o de diversidade.

Segundo o estudo, os empregadores não podem continuar ignorando os problemas e discriminações pelas quais passam as 2 milhões de pessoas trans que vivem no EUA.

Outro aspecto revelado pelo estudo é que cerca de 90% dos jovens trans são expulsos de casa pelos pais por causa de sua identidade de gênero, além de 1/4 sofrerem discriminação na hora de arrumar um lugar para morar.

Por fim, para resumir o estado em que essas pessoas vivem, quase 30% vivem na pobreza na nação mais rica do mundo, enquanto apenas 8% da população total compartilham dessa situação.