Impressoras 3D podem salvar ecossistemas marítimos - WHOW
Tecnologia

Impressoras 3D podem salvar ecossistemas marítimos

Corais impressos em 3D podem ser uma alternativa para restaurar sistemas naturais marítimos; startups e universidades se unem neste desafio

POR Carolina Cozer | 18/11/2019 10h00 Impressoras 3D podem salvar ecossistemas marítimos Foto David Clode (Unsplash)

Recifes de corais estão desaparecendo dos oceanos do mundo por conta do aquecimento da temperatura dos oceanos. Agora, pesquisadores buscam meios de reverter esse dano e a resposta pode estar na tecnologia de impressão 3D.

Os corais são importantes não somente para o ecossistema marinho, mas também para os humanos e para a economia, com a proteção das praias da erosão, de fortes tempestades; e fornecem alimento e abrigo para inúmeras espécies de peixes.

3D Foto Vlad Tchompalov (Unsplash)

Esperança 3D

Uma equipe de cientistas da Universidade de Delaware, nos EUA, tem feito experimentações com peças de corais impressas em 3D, baseadas em material biodegradável, para tentar substituir efetivamente a perda desses sistemas.

A criação de recifes artificiais não é nova. Navios afundados e blocos de concreto já foram utilizados para tentar atrair corais no passado. A impressão 3D, no entanto, permite que a estrutura natural dos recifes seja imitada, o que pode ser positivamente mais chamativo para a vida marinha. 

Os primeiros experimentos, que foram feitos na Universidade em agosto deste ano, já mostravam que algumas espécies de peixes não tinham preferência entre os recifes naturais e os artificiais – eles buscavam apenas por abrigo. Agora, três meses depois, e já em habitat natural, espécies maiores, como o peixe-boi, também mostraram não se importar com a diferença entre essas estruturas, e sua eficácia segue em observação.

Startups na jogada

A startup australiana Reef Design Lab também investe na pesquisa e desenvolvimento de recifes 3D para salvar a vida marinha. Eles desenvolveram um modelo em cerâmica que já se mostrou eficiente, e está depositado nos oceanos das Ilhas Maldivas. 

O produto se chama Modular Artificial Reef Structure, ou MARS, e a escolha da cerâmica como matéria-prima se deu por ser semelhante ao carbonato de cálcio encontrado nos recifes de coral reais. 

Após serem instalados abaixo da superfície, os cientistas da empresa transplantaram alguns corais naturais para a estrutura, com a intenção de que cresçam e colonizem o coral artificial, formando, assim, um recife vivo totalmente novo.

No Egito, a Fabrigate – uma startup de tecnologias de fabricação digital – também tem se dedicado ao desenvolvimento de corais 3D, com foco na restauração da vida marinha do Mar Vermelho.

Estão trabalhando em colaboração com o Ministério do Meio Ambiente e a Agência de Assuntos Ambientais do Egito (EEAA), que fornecem dados e ajudam no monitoramento e gestão do projeto. 

O diferencial da Fabrigate é que, além de criarem moldes que imitam os formatos reais dos corais, vão experimentar criar modelos novos, que não existem na natureza, mas que talvez possam ser mais eficientes e trazer resultados mais acelerados para o processo.

Cuidado paliativo

Ainda pode levar vários anos para que a eficiência real dos corais artificiais seja colocada à prova, então não será possível saber por algum tempo se os experimentos impressos estão realmente funcionando. Os cientistas da Reef Design esperam que o recife das Maldivas esteja coberto de coral nos próximos dois anos e, se o projeto for bem-sucedido, provavelmente liberarão mais modelos pelo mundo.

A impressão 3D, porém, não corrige o problema real, que é o dano causado por nós seres humanos aos oceanos. Mais e mais corais poderão desaparecer do planeta nas próximas décadas, mas as tecnologias de impressão servem para facilitar a pesquisa de restauração dessas estruturas, que já estão em necessidade de urgência.

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