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Os prováveis impactos da pandemia nas estratégias industriais de automação

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Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

O setor de automação pode sofrer um grande impacto em 2020 como resultado da pandemia da Covid-19, de acordo com pesquisa e relatório publicados pela consultoria global Interact Analysis, que faz pesquisas para o setor de automação inteligente.

Segundo a empresa, a entrada de novos pedidos de projetos de automação de armazéns provavelmente cairá US$ 2 bilhões este ano. O impacto nas receitas pode ser agravado ainda mais pelos clientes que atrasam a implantação e pela incapacidade de instalar os projetos devido a medidas de isolamento social.

A perspectiva da consultoria é que boa parte dos projetos de automação sejam prorrogados para 2021. Ainda assim, o setor deve apresentar crescimento em 2020.

Crescimento mesmo na pandemia

A modelagem feita pela consultoria, levando em consideração a taxa diária máxima de infecções, as medidas de contenção em cada país e a data provável de retorno das atividades comerciais, mostra que o valor atualizado para pedidos de automação de armazém ficará em US$ 33 bilhões em 2020. “Embora isso ainda represente um aumento de 4% em relação a 2019, é inferior ao aumento de 10% previsto anteriormente para 2020, antes da pandemia”, ressalta o relatório.

Claro que os dados são incertos, devido ao ineditismo do cenário atual e a dificuldade de prever como o vírus vai se comportar nos próximos meses. Para o futuro, a consultoria está otimista.

“O ano de 2021 terá uma forte recuperação, tanto na entrada de pedidos quanto nas receitas. No longo prazo, nossas projeções para o mercado de automação de armazéns são ainda maiores, como resultado da pandemia e do impacto que ela terá nas cadeias de suprimentos e também no comportamento de compra. Nosso cenário base prevê que o aumento do crescimento nos próximos quatro anos mais do que compensará a queda nas receitas em 2020.”

A expectativa é que o caos provocado pelo novo coronavírus conduza a uma aceleração da adoção do e-commerce. Além disso, a consultoria acredita que haverá uma aceleração na tendência para automação e robótica, a fim de preparar as empresas contra futuras interrupções na cadeia de suprimentos.

Essa retomada, no entanto vai variar de setor para setor.

automação

Foto ilustrativa Lenny Kuhne (Unsplash)

Impactos no varejo

Segundo a Interact Analysis, o varejo geral, por exemplo, está vendo um aumento maciço na demanda por comércio eletrônico no curto prazo. Essa demanda está sendo atendida em grande parte pelos varejistas com a contratação de milhares de novos trabalhadores e, ao mesmo tempo, o gerenciamento da crise está levando esses varejistas a pausarem seus planos de automação. No médio prazo, portanto, espera-se que eles forneçam uma demanda maior por soluções de automação de armazém, já que, para muitos clientes, os hábitos de compra mudaram e não ficarão restritos ao curto prazo, mas se estenderão para o longo prazo.

O setor de supermercados, por sua vez, provavelmente seguirá um caminho e uma trajetória semelhante, segundo a consultoria. Já o setor de vestuário e a indústria de bens duráveis estão sofrendo impactos muito mais graves e negativos no curto prazo por conta do vírus, devido a uma redução significativa nos gastos dos consumidores.

As indústrias de vestuário provavelmente terão um ligeiro aumento no uso do comércio eletrônico, enquanto as indústrias de bens duráveis poderão, provavelmente, acelerar o processo de remodelação da fabricação a longo prazo, com soluções de automação em novas linhas de produção.

Intenção de lançamentos da indústria

A apuração do Índice de Atividade Industrial, calculado pela Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, mostra que abril manteve a queda na intenção em lançar produtos já percebida no primeiro trimestre. A retração em abril foi de 14,5% na comparação com o mês anterior. No acumulado de 12 meses o índice apresentou queda de 17,3%, tendência também identificada no acumulado do ano (-25,7%).

“No mês de abril foi possível identificar maior impacto dos efeitos da pandemia do novo coronavírus no lançamento de produtos”, comentou em nota Virginia Vaamonde, CEO da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, que reúne 58 mil empresas de todos os portes que representam 31% do PIB brasileiro. “Grande parte das empresas nacionais estão focadas na adaptação com relação às mudanças que estão ocorrendo no mercado, tendo o lançamento de produtos muitas vezes adiado.”

 


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