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Impactos da Covid-19 nas startups brasileiras

Pesquisa feita pela Liga Ventures, iDEXO e InovAtiva Brasil, com mais de 200 pessoas do ecossistema de startups, traz um panorama do atual cenário

POR Adriana Fonseca | 03/06/2020 17h59 Impactos da Covid-19 nas startups brasileiras Foto ilustrativa (Pixabay)

A pandemia causada pelo novo coronavírus está impactando todo mundo, sem exceção. Para entender o que está acontecendo com as startups brasileiras no atual contexto, a aceleradora Liga Ventures, Totvs iDEXO e a InovAtiva Brasil, ouviram 234 fundadores e diretores desse tipo de empresa entre os dias 15 e 22 de abril.  

“O que mais ouvimos nos últimos dias dos empreendedores com quem conversamos é que ‘estamos navegando por aparelhos’. A frase reflete diretamente a necessidade que temos neste momento, mais do que nunca, de começar a medir os reais impactos e desafios do ambiente de startups brasileiro”, comentou Raphael Augusto, diretor do Liga Insights. 

Entre os participantes da pesquisa, 59% afirmaram que a receita será impactada e 44% estão vendo redução no número de clientes, enquanto para 32% a base de consumidores vai se manter.

Para lidar com a situação, uma grande parcela das startups cancelou ou reduziu custos com escritório (60%) e renegociou prazos e contratos com fornecedores (52%). Uma parte relevante (46%) cancelou ou reduziu investimentos em marketing e vendas e 25% demitiram ou reduziram a carga horária dos funcionários. 

“Quando olhamos para os dados coletados, notamos que mais de 40% das startups sofreram reduções maiores que 30% na receita mensal, destacando os setores de HR Techs, comércio e varejo tradicional. Embora o segmento de comércio e varejo tenha sido bastante impactado neste primeiro momento, ele é um dos que vê maior perspectiva de aumento do número de clientes.”

Amanda Graciano, head de portfólio da iDEXO

Entre as startups ouvidas, 20% têm disponibilidade de caixa para mais de 12 meses. Outros 20% têm recursos para algo entre seis e 12 meses e 27% para um período de três a seis meses. Um terço (33%) têm caixa para até três meses. 

“A fim de prolongar o runway [termo em inglês que designa quanto tempo uma startup pode permanecer em operação considerando-se o valor disponível em caixa e suas despesas mensais] e aumentar o fôlego de vida do negócio, gastos estão sendo reduzidos ou cortados sempre que possível”, disse Stella Risso, gestora de aceleração da Liga Ventures.

Os profissionais ouvidos estão otimistas em relação ao prazo da retomada: 42% acham que ela acontecerá em até três meses, 35% entre três e seis meses e 21% entre seis e 12 meses. 

startups Foto ilustrativa Evgeni Tcherkasski (Unsplash)

O impacto da Covid-19 por setor de atuação

Entre as healthtechs, 45% esperam redução da receita e 34%, redução de clientes. De acordo com a pesquisa, 45% têm caixa para até três meses, 17% para algo entre três e seis meses, 24% de seis a 12 meses e 14% para mais de um ano. 

Entre as startups de logística e transportes, 50% esperam redução da receita e 32%, redução de clientes. De acordo com a pesquisa, 36% têm caixa para até três meses, 14% para algo entre três e seis meses, 23% de seis a 12 meses e 27% para mais de um ano.

Em educação, 55% esperam redução da receita e 50%, redução de clientes. De acordo com a pesquisa, 40% têm caixa para até três meses, 45% para algo entre três e seis meses, 10% de seis a 12 meses e 5% para mais de um ano.

No varejo, 42% esperam redução da receita e 32%, redução de clientes. De acordo com a pesquisa, 37 % têm caixa para até três meses, 42% para algo entre três e seis meses, 5% de seis a 12 meses e 16% para mais de um ano.

Entre as HRTechs, 83% esperam redução da receita e 48%, redução de clientes. É o único setor analisado em que nenhuma startup espera aumento de receita. De acordo com a pesquisa, 35% têm caixa para até três meses, 24% para algo entre três e seis meses, 24% de seis a 12 meses e 18% para mais de um ano.


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