Idosos têm papel ativo no empreendedorismo - WHOW
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Idosos têm papel ativo no empreendedorismo

Seja como consumidores ou mesmo como empreendedores, pessoas com mais de 60 anos são parte cada vez mais relevante da economia

POR Daniel Patrick Martins | 01/09/2021 18h42 Idosos têm papel ativo no empreendedorismo

O envelhecimento da população é notório nos últimos anos. A população idosa no Brasil é estimada em mais de 30 milhões, segundo dados de 2017 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As pessoas 60+ representam 14,6% da população brasileira.

Isso se deve, principalmente, pela maior expectativa de vida dos brasileiros. Com avanços dos mercados de saúde e cuidados pessoais, a população idosa do país será a quinta maior do mundo até 2030, segundo levantamento em parceria das empresas Hype60+, Aging 2.0 e Pipe Social. O fato deste grupo estar cada vez mais ativo, participando do mercado de trabalho, também contribui para a longevidade. “Os idosos de hoje estão no mercado de trabalho, consomem e são formadores de opinião”, afirma Layla Vallias, cofundadora da Hype60+, em entrevista a Você S/A.

Segundo o Sebrae, 7,3% dos idosos com mais de 65 anos no país são empreendedores, dos quais 20% são empregadores e estão à frente de pequenas ou médias empresas (PMEs). Inclusive, um estudo produzido por pesquisadores do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), entre 2018 e 2020, aponta que o envelhecimento da população abre caminho justamente para inovação, empreendedorismo e inclusão, além de acelerar a economia.

Nesse sentido, hoje há cada vez mais exemplos de pessoas que começaram a empreender após a aposentadoria. É o caso, por exemplo, de Lenice Morici, de 62 anos, que fundou a empresa LM Confecções. “Empreender hoje é mais tranquilo do que no passado, porque tenho muito mais entrega no que estou fazendo”, relata a empreendedora em entrevista a Folha de S.Paulo.

“Os 60 anos são uma boa idade para empreender porque você tem bastante experiência e não depende do salário. Sua maior preocupação é não gastar todo o seu patrimônio”, analisa Rui Martins Rosado, 64 anos, fundador da empresa IdCel, à mesma publicação.

Empreendedorismo para os 50+: mercado empregador e consumidor

De acordo com o BID, até 2030 pessoas com mais de 60 anos serão responsáveis por 30% de todo o consumo nos centros urbanos da América Latina. Em outras partes do mundo, como Ásia e Europa, esse contingente representará 60% do consumo nos centros urbanos, e na América do Norte deve chegar a 50%.

No entanto, esse percentual de impacto no consumo deve mudar até 2050, já que a América Latina tende a envelhecer mais rápido que outras regiões do mundo. Se em 2020 apenas 13% da população da região estava acima de 60 anos, em 2050 esse percentual duplica e em 2090 passa a ser de 36,4%, assumindo o primeiro lugar no ranking de envelhecimento.

“Ainda hoje, muitos estudos e pesquisas de consumo mapeiam pessoas de até 50 anos. Isso acaba impactando na falta de representatividade das propagandas, produtos que não fazem sentido e até mesmo na miopia dos executivos na hora de pensar a jornada do consumidor no ponto de venda”, reforça Layla Vallias.

Este mercado, tanto para quem empreende quanto para quem consome, é gigantesco. Pois, conforme cresce a expectativa de vida da população idosa, também é grande a busca por serviços e produtos para atender as expectativas deste mercado, em segmentos como farmácia, mobilidade, medicina, entre outras demandas.