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As healthtechs representam uma luz no fim do túnel para o setor da saúde?

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A pandemia fez com que a atenção do mundo se voltasse para a saúde e evidenciou um ponto muito delicado do setor no Brasil: a dificuldade do acesso. Enquanto receber um atendimento na saúde pública pode demorar muito tempo, a particular custa caro e não é acessível para todos. A boa notícia é que as healthtechs, startups que desenvolvem tecnologias para otimizar o sistema de saúde, trabalham para buscar soluções para os gargalos do setor.
Mas, será que essas healthtechs serão capazes de quebrar paradigmas? O assunto foi discutido no painel “Uma luz no fim do túnel: a proposta das healthtechs”, do Whow! Festival de Inovação 2020. Participaram da conversa mediada por Sergio Risola, diretor-executivo do Cietec, nomes fortes do setor: Levi Girardi, CEO do Questtonó, Renato Velloso, CEO do Dr. Consulta, Rafael Figueroa, CEO do Portal Telemedicina e Felipe Costa Neves, CEO do Fix it.
O que sabemos é que tudo está mudando. “Nos último 10, 15 anos, todo mundo fala que estamos vivendo uma revolução digital. Mas não é uma revolução digital, é uma revolução humana acelerada pela transformação digital. As pessoas estão se comportando de formas diferentes, acessando informações de formas diferentes. E isso teve muito impacto no segmento da saúde, na forma como os profissionais e as instituições devem se comportar”, afirma Levi Girardi sobre o momento do setor, que precisa de inovação  e a Questtonó trabalha com design para auxiliar este caminho.

Soluções de valor

Entre as healthtechs que inovam para melhorar o setor da saúde no Brasil está o Portal Telemedicina. Rafael conta que o objetivo inicial era conectar áreas remotas, como Amazônia, com médicos especialistas. “Para atingir esse objetivo fomos enfrentando alguns gargalos e conforme resolvíamos eles, notamos que eram bastante estruturais na vertical de saúde. Então, fomos desenvolvendo produtos que utilizamos para resolver esses gargalos internamente e depois lançamos eles para o mercado. Um exemplo é a questão do acesso aos dados de saúde: os aparelhos médicos, os softwares têm protocolos proprietários, isso acaba criando silos de dados que dificultam o acesso ao histórico de um paciente. No nosso caso, tínhamos a dificuldade de mostrar esses dados para os profissionais de saúde. Então desenvolvemos drivers que se comunicam direto com os devices médicos, permitindo que, com o aperto de um botam, o resultado do exame apareça no tablet do médico, sem nenhuma intervenção”, conta.

O Portal Medicina também possui outros produtos que prometem encurtar o tempo de um diagnóstico. É o caso de uma inteligência artificia que, por meio de algoritmos, detectam automaticamente as doenças nos exames. “Toda vez que é realizado um exame, essa IA detecta se ele está normal ou alterado. Se essa alteração é tempo sensível, ela prioriza na fila. E dessa forma a gente consegue fazer milhares de telediagnósticos por dia, porque as emergências vão chegar em 1 minuto no médico e ele vai fazer o diagnóstico em 5 minutos. Temos uma operação grande no SUS, por exemplo, que depois de um ano trabalhando nas cidades do interior, a média do tempo de resposta de exames alterados foi de 3 minutos. Isso em um posto de saúde. Fica evidente como a tecnologia pode ajudar, porque quem está mal não pode esperar”, diz Rafael.

De fato, o tempo de atendimento na rede pública de saúde pode ser longo. Pensando nisso e com o objetivo de criar um modelo acessível e com qualidade, foi criado o Dr. Consulta. “O propósito era encurtar as filas da saúde com o propósito de salvar vidas. Tudo começou dentro da favela, levando médicos do Hospital Albert Einstein e do Sírio Libanês para fazer consultas a preços acessíveis. E o modelo foi escalado. A gente conseguiu, em cima de uma plataforma tecnológica, usando IA, algoritmos, trazer eficiência para o modelo e entregar uma consulta de altíssima qualidade. Começamos com a classe C, D e hoje 10% dos nosso clientes é classe A porque as pessoas viram que podem marcar consultas no mesmo dia, a preços justos. Damos outra possibilidade de atendimento e encurtamos as filas”, conta Renato Velloso.

Já a Fix it, procura trazer conforto e liberdade para quem precisa tratar uma lesão, além de ajudar o meio ambiente. Usando impressoras 3D e plástico biodegradável, a healthtech constrói soluções para imobilização de membros inferiores e superiores. Felipe Neves conta mais sobre: “O gesso está aí desde o século X, ele faz o seu papel muito bem, mas é um poluente e quem já usou sabe o quão desconfortável e incômodo dele é. Então estamos aqui para entregar para a sociedade o que ela merece. Éramos uma empresa de um produto só, mas resolvemos fazer o franchise do nosso modelo de negócios. Licenciamos as soluções para médicos, terapeutas, e hoje estamos com 62 unidades no Brasil e uma no Paraguai. Estamos em um movimento de crescimento muito legal”.

Unicórnios à vista?

Diante de tanto potencial, as healthtechs devem se tornar unicórnios em breve? Para os players do mercado esse não é o objetivo. “O nosso propósito é salvar vidas, é ajudar pessoas. A saúde é a coisa mais importante que nós temos. A questão do crescimento é importante, saímos no Distrito como a startup de saúde que mais recebeu aporte no Brasil, queremos crescer para atender mais pessoas. Claro que se para isso for necessário captar recursos, nós vamos captar recursos, mas esse é o meio, e não o fim”, diz Renato Velloso, do Dr. Consulta.

Sobre o assunto, Rafael Figueroa faz um alerta: “É importante pensar que o critério de um unicórnio é o valuation da empresa e não o faturamento, não o impacto. É um número muito Vale do Silício, muito marketing americano, mas do que efetivo impacto. Vemos casos lá fora de empresas com status de unicórnio sem ter faturamento ainda. Eu acho que não seja um conceito sadio da gente perseguir”.


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